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Mercado negro de órgãos humanos

Não, leitor, não estamos nos referido à República Popular da China. O problema foi apontado por investigações divulgadas hoje, na CBN (digite “transplante” na caixa de “Busca” da página e verá duas matérias sobre o tema).

Desde 1996, escrevi algumas vezes em jornais sobre o tema. Aliás, leio sobre isto desde esta época (lembro-me de quando comprei o livro de Llyod Cohen sobre o assunto).

Em 2003, eu e meu amigo Ari escrevemos um texto – publicado em 2004 no Estudos do CEPE no qual discutíamos de maneira bem simples o que seria um “suborno mínimo” a ser pago para se furar a fila no Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Uma versão anterior do artigo está aqui.

Será que as irregularidades envolvem valores parecidos com os nossos (o que fizemos foi mostrar o custo mínimo do suborno, sob hipóteses bem simples)? O TCU poderá nos dizer.

Meu comentário geral é o seguinte: a corrupção era previsível e, claro, lamentável.

Claudio

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No cinema I

Antes de tudo, a justificativa:

Caro CNPq e contribuintes,

Como não tenho televisão no quarto e a da casa está quebrada, o meu tempo livre é dedicado ao cinema. Comprei um passe anual e posso ir assistir quantos filmes quiser. Portanto, eu não estou fazendo nada que o TCU não aprovasse. (Bem, o TCU aprova qualquer coisa).

Dito isso, aí vao os filmes da última semana.

Junebug: alternativo americano. Vível, mas nada demais e meio careta.
Era do Gelo II: Excelente! Sensacional! Imperdível! Ok, não chega aos pés de Procurando Nemo ou Shrek, mas essas são obras-primas.
Firewall: Pipoca. Chato ver o Harrison “Han Solo- Deckard” Ford já meio decadente.
Transamerica: alternativo americano. Uns clichês, mas bom.
Paradise Now: Ver o post “Menu costs na Cisjordânia” abaixo
American Dreamz: Rolei de rir. Hugh Grant. Dennis Quaid e os atores árabes são engraçadíssimos. É uma sátira nada sutil ao Bush, Al Quaeda, American Idol e tudo mais. Só lamento que, gostando do filme, estarei na má companhia dos eleitores do PSOL.

Leo.

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As duas esquerdas na América Latina

Um bom texto na Foreign Affairs. Jorge Castañeda avalia as duas esquerdas na América Latina: a) uma, de raízes marxistas, viu a lambança da URSS e acabou se tornando realista. Essa é a que está no poder no Chile, Uruguai e, em certa medida, o Brasil ; b) a populista tradicional, que tem suas origens em Perón, Vargas e agora está com Chavez e cia. Castro, que era o símbolo do grupo (a), passou a ser – estranhamente – a referência do grupo (b) contemporâneo.
Um trechinho:
” Chávez is not Castro; he is Perón with oil. Morales is not an indigenous Che; he is a skillful and irresponsible populist. López Obrador is neither Lula nor Chávez; he comes straight from the PRI of Luis Echeverrìa,… Kirchner is a true-blue Peronist, and proud of it.”

Faz sentido.

Leo.

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Bentham

Lembra do post do Leo sobre este senhor? Não temos permalinks, mas basta olhar no “search” aí ao lado.

De qualquer forma, estava relendo uma palestra de Stigler onde ele iniciava o texto assim:

In my title I use the language of Bentham, and perhaps I should have asked Lord Harris to use his good offices to borrow Mr. Bentham from University College, London, for this occasion. I am far from confident, however, that Bentham would approve of my preferences; and if he were to begin frowning as I spoke, I should be quite unnerved. [Stigler, G.J. The Pleasures and Pains of Modern Capitalism. In Wood, G.E. (ed) Explorations in Economic Liberalism – The Wincott Lectures, MacMillan Press, 1996]

Vem cá, o cara tinha bom humor, não? 🙂

Claudio

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Mercados everywhere

Jovens de Pompéia já estão faturando com o obscuro caso da estudante de Direito que teria feito sexo com dois homens. Cada CD custa entre R$ 10 a R$ 15. Infelizmente, ainda não vi as fotos.

Bom, mas isto é Pompéia. Uma coisa é o que uma estudante faz no silêncio (não tão silencioso) de seu quarto. Outra é o que os vendedores de drogas fazem enquanto a Segurança Pública não os alcança. E esta é a segunda manifestação dos mercados deste post: o drive-thru de drogas.

Os dois exemplos mostram situações em que o mercado atua sob a ausência do respeito da lei. No caso das drogas, não é preciso dizer muito. Basta ler Freakonomics para entender melhor os incentivos envolvidos.

Agora, no caso das fotos, ele me lembra a análise de Law and Economics da chantagem. Essencialmente, a chantagem (ameaça de divulgar as fotos) deveria ser ilegal mesmo. Por que? Embora haja um pequeno número de envolvidos, o que permitiria uma solução coaseana, diz Epstein (*), a chantagem não surge em um contexto “de mercados competitivos”, mas sim de uma situação de “monopólio bilateral”, sem garantias de que o pagamento da chantagem iniba a posterior divulgação da informação (no caso, as fotos).

O leitor, então, pode pensar no seguinte: existiria um contrato ótimo possível entre a estudante de Direito e seus chantageadores (suponha que tenha sido feito uma tentativa de chantagem prévia à divulgação das fotos), que seria crível?

Claudio
(*) A discussão de Epstein é entre argumentos pró-legalização deste tipo de barganha e os seus adversários. O livro é o “Bargaining with the State, Princeton University Press, 1993.

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Menu costs na Cisjordânia

Cito de cabeça a cena do filme Paradise Now
Local: locadora de vídeo na Cisjordânia.

Cliente: “O quê!?! Os filmes com cenas dos traidores sendo punidos custam o mesmo do que os com discursos dos mártires (i.e. homens-bomba)”

Dono da loja: “Na verdade, eu deveria cobrar mais pelas fitas dos traidores. Elas saem mais do que as dos mártires. O problema é que eu teria que mexer no sistema da loja.”

Taí um exemplo – escroto, é verdade – da importância dos menu costs.

A propósito, o filme é bom. Não chega a ser um filme de propaganda e apresenta os argumentos dos dois lados. Mas, no final das contas, o objetivo é fazer você entender os motivos dos homens-bomba e o filme acaba tendendo para o lado anti-Israel.

Leo.

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Dos mesmos criadores de “o que falta é vontade política das elites”, vem…

Com só 0,55% da meta cumprida, Primeiro Emprego é abandonado.

Agora, vem cá, quem é mesmo o inimigo do “social” (vagamente definido) que o ministro da Fazenda citou em sua última entrevista?

Bons tempos em que criticar uma política do governo era um exercício saudável. Hoje, na era bolivariana, qualquer crítica ao governo é prontamente desqualificada como sendo “da elite”, “anti-social”, “individualista”, etc. Não é que você não encontrasse ouvidos moucos em outros governos, mas neste tem uma quantidade de gente afim de te desqualificar no início do debate como nunca vi.

Eis a prova de que não é só falta de vontade de política que importa.

Claudio

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