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Chineses Ricardianos

No programa Excess Baggage eles entrevistaram um historiador que esta refazendo a marcha do Mao-tsé-tung pela China. Maluquice, claro. O mais bacana do papo foi saber que existe um li. É uma medida variável de distância usada na zona rural. Se for ladeira acima, o li diminui de tamanho. Se for ladeira abaixo, ele aumenta. É, na verdade, uma medida de trabalho.
A wikipedia não confirma essa versão e diz apenas que o li é inconsistente e varia de 77 a 580 metros.
E vocês achavam que só medir o valor das mercadorias era complicado, né?

Leo

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Sim, Prebisch estava errado

Mais um artigo na longa controvérsia sobre a hipótese de Prebish sobre os termos de troca, ponto nevrálgico do argumento de muitos cepalinos.

Several empirical studies report the existence of declining terms of trade between commodities and manufactures, supporting the Prebisch-Singer hypothesis. As globalization leads to greater integration of markets, we ask if in a fully integrated economy the terms of trade will display the same negative trend. Assuming that globalization would make the world economy behave as the US economy, this paper shows that the US internal real commodities’ terms of trade over the 1947-1998 period experienced slowly declining but significant trends. We then test if common factors may be driving the US and international terms of trade in the long-run. The results suggest that both series, particularly those using crude materials in the numerator, share a positive long-run relationship. It follows that international integration plays no role in causing the decreasing trend of the terms of trade.

É assim que se faz História Econômica: testa-se as hipóteses dos caras. Qualquer um pode pensar em uma hipótese (tem gente que parece sonhar com hipóteses, tamanho o disparate que a gente ouve), mas o difícil é verificá-la com os dados.

Este artigo deve servir de incentivo aos futuros mestrandos e doutorandos de Economia.

Claudio

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Pichadores ancestrais

Esta vale a reprodução integral.


Adolescentes das Cavernas

R. Dale Guthrie é um especialista em arte das cavernas. Em um livro chamado A Natureza da Arte Paleolítica, o Professor Guthrie analisou milhares de pinturas rupestres, e não apenas as mais bonitinhas, ou apenas as de uma parte do continente. Da Espanha à Rússia, Guthrie notou temas comuns e chegou a uma conclusão sobre os autores: as pinturas foram feitas por adolescentes das cavernas. Guthrie tem seus detratores, mas as informações contidas nas matérias indica que sua hipótese não está baseada em suposições, mas em hard data. Guthrie usou ferramentas forênsicas e comparou as marcas de palmas nas paredes, junto aos desenhos, com palmas de adolescentes.

Parece primeiro de abril. Mas a notícia é de 31 de março e o press release é de fevereiro. Além dos dois links acima, não encontrei os textos em nenhum lugar importante. E olha que um dos links é para o Free New Mexican. Isso devia receber mais atenção.

[Via Marginal Revolution. Melhor blog.]

Claudio
p.s. E, sim, Marginal Revolution é o melhor blog de economia que conheço.

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Troque seus subsídios por um único subsídio

O que o Filisteu não entendeu eu não sei, mas o artigo que ele cita é interessante.

Agora, é a proposta utópica? Na verdade, não. Os únicos que alardeiam sobre algum elevado grau de utopia na proposta são os interessados na manutenção do sistema atual em que, infelizmente, o poder de barganha dos políticos é alto. Claro, não excluo os bem-intencionados, mas eles não fazem diferença em um sistema menos sujeito à corrupção ou em uma alternativa pior. Afinal, eles são bem-intencionados.

O que é óbvio que sempre haverá corrupção. Mas a proposta citada me parece bem compatível com um grau de corrupção bem menor do que o que existe atualmente nos EUA. Afinal, é só o cheque não cair na sua conta que você reclamará (se você não leu a proposta, vá lá, senão o meu argumento não fará sentido).

O que eu me pergunto é sobre o porquê de ninguém pensar em soluções simples como estas…para o Brasil.

Claudio

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Esqueça a medicina cubana. O negócio agora é a Ásia

Turismo em cuidados com a saúde? É, isto mesmo, cara, acredite.

Pena que o mercado aéreo nacional não tenha preços atrativos para uma viagem destas. Aliás, aqui, a choradeira é com a Varig que, se salva pelo dinheiro do meu imposto, não melhorará a eficiência do sistema aeroviário e nem diminuirá custos.

Claudio

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Quem manda no dinheiro público para empréstimos?

Furlan e Mantega podem brigar a vontade. Muita grana está em jogo e, provavelmente também está em disputa a definição dos amigos do rei (= “setores estratégicos”, nunca definidos claramente, mas sempre sujeitos à acordos políticos). Distribuição de renda (sem práticas coronelistas) que é bom, nada.

Mudança no BNDES reacende disputa com Desenvolvimento

01h29 — Por Vera Saavedra Durão, no Valor Econômico desta segunda-feira: “O BNDES está vivendo novamente um conflito de poder no governo Lula. Sob o comando de Guido Mantega, o banco se viu livre do confronto explícito de seu então presidente, Carlos Lessa, com o ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, além de enfrentamentos constantes com o Banco Central e o Tesouro. Com a saída de Mantega, que conseguiu empossar na presidência do banco o seu vice-presidente, Demian Fiocca, abriu-se um novo conflito entre o Ministério de Desenvolvimento e o BNDES. Só que dessa vez, há um Mantega fortalecido como ministro da Fazenda e seu indicado Fiocca de um lado, e Furlan do outro. A rápida substituição de Mantega por Fiocca, confirmada em nomeação relâmpago publicada no Diário Oficial da União (DOU), teria deixado o ministro do Desenvolvimento aborrecido. Furlan, presidente do conselho de administração do BNDES, não foi consultado para essa nomeação e se queixou ao presidente da República, como apurou o Valor. (…) Hoje, existem três vagas na direção do BNDES: a vice-presidência, a diretoria de infra-estrutura e de insumos básicos, que estavam sendo acumuladas por Fiocca, e a diretoria financeira, antes tocada por Carlos Kawall, hoje secretário do Tesouro. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, Furlan já teria proposto a Fiocca o nome de Armando Mariante, diretor da área de indústria do BNDES e ligado ao ministro, para ocupar a vice-presidência do banco. Mas a sugestão parece não ter contado ainda com o sinal verde de Fiocca. (…) A aparente queda-de-braço entre Furlan e Fiocca estaria reduzindo o ritmo de funcionamento da instituição, que nesse processo sofre perda de produtividade. E os funcionários estão cansados de tantas mudanças.”

Fonte: Primeira Leitura

Claudio

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Quem avaliará os pedagogos?

Já ouvi muita gente ver pedagogos falando bobagens sobre ensino. Não é que todos eles sejam idiotas ou mal preparados, mas parece que é um problema endêmico. É de se estranhar quando se lê coisas como estas.

O que é estranho? Parece que a função do pedagogo moderno pós-Freire é a de maximizar a aprovação de alunos, independente do nível de esforço. Não se deseja avaliar o esforço, mas apenas a aprovação.

Este é outro problema similar ao que citei no post logo abaixo sobre “Educação”. Além dos problemas que já apontei, (muitos) pedagogos brasileiros não estão nem aí para a qualidade do capital humano formado. Para eles, o mais importante é ter uma ficha limpinha, com muitos aprovados satisfeitos.

Como corrigir isto?

Uma solução é mudar o contrato de trabalho focando em algo mais objetivo. Por exemplo, eu só daria um aumento de salário a um pedagogo se ele desenvolvesse técnicas que fizessem os alunos alocarem mais tempo para a pesquisa e estudo. A maneira mais fácil de medir isto é através de tarefas como provas orais nas quais, se o professor e o pedagogo não são “picaretas”, pode-se argüir o aluno e detectar com razoável precisão se o mesmo se esforçou.

Sim, não seria a melhor solução pois o empresário do ensino pode não ter estímulo algum em melhorar a qualidade do aprendizado se o mercado assim não o exigir. E isto me faz pensar: será que algum leitor tem uma sugestão melhor? Espaço aberto para sugestões.

Claudio

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Menos liberdade de imprensa = Menos empréstimo

Você prefere receber dinheiro de um ditador ou de um Banco Mundial? Antes de responder, lembre-se que apenas o último pode exigir o respeito à liberdade de imprensa.

Provavelmente, se você não gosta de imprensa incômoda, dirá que prefere o ditador. Mas, se sua decisão depende de eleitores, talvez a última opção seja a melhor.

Claudio

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