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Versos satânicos

Os internos, de mãos dadas, formam dois círculos no meio da quadra. No menor, só os líderes, ou “faxinas”, grupo de 15 jovens que puxam os gritos rodeados por outros 45, que integram o círculo maior. Todos os adolescentes participam da “reza”, que se inicia com um pai-nosso e termina com palavras de exaltação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Cumprido diariamente no Complexo do Tatuapé, o ritual fervoroso mostra a cultura do crime organizado no cotidiano dos internos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem).

Leia o resto aqui.

Sempre criticam economistas por não resolverem os problemas econômicos do país. Mas, lendo isto, vejo que sociólogos, cientistas políticos e psicólogos não estão em situação melhor.

Claudio

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O que o Estado faz com o povo, na prática

Saindo um pouco do otimismo de Stiglitz em seu livro clássico sobre Economia do Setor Público, vejamos o que o Estado faz sobre empreendedores, na prática:

Prosseguindo com as confissões, devo dizer que esta semana estive na Receita Federal – onde vi vários demônios com chicotes e muitos capetas arrastando pessoas físicas por correntes – e descobri essa desgraça: ainda sou um empresário!! Não, claro, a desgraça não é ser empresário e sim sê-lo no Brasil. (Empreendedor no Brasil? Que maldição!! Gestapo nele!!) Assinei a transferência de cotas em 2000 e o Estado acredita que sou um capitalista criminoso até hoje. Em virtude disso, cancelaram meu CPF, afinal não paguei meu imposto de renda de empresário bem sucedido, digo, bem fodido, em todos esses anos. (Renda?! Ahahahaha ohohohoho…) Incrível, a gente leva meses para conseguir abrir caminho em meio à burocracia e finalmente registrar uma empresa, depois vem um fiscal filho-da-puta – que bom, prenderam uns 40 deles esta semana – vem um fiscal com sua multa de R$30 mil (ou R$11 mil no bolso dele) e quebra nosso negócio – sim, apenas por causa duma reforma sem alvará – mandando um puta investimento pras cucuias, e nos deixando perdidos na selva burocrática da qual não se consegue sair. Pague para ser empresário, reze para deixar de sê-lo. O horror, o horror. E o Diogo e a Marina, no boteco, me contando outro dia que o irmão dela abriu uma empresa na Austrália por telefone, em meia hora. Aposto que pra sair dela basta entrar num site e clicar em delete. Cada dia que passa gosto mais do Thoreau.

Então tá.

Claudio

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Rent-Seeking, versão vermelha

ANP 1 – PC do B usa agência para fazer caixa para partido

04h42 — Por Rodrigo Lopes e Marcelo Rocha, no Correio Braziliense deste domingo: “O PCdoB utilizou cargos e a estrutura da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para convencer empresários e dirigentes de entidades do setor de combustíveis a comprarem ingressos de R$ 5 mil para jantares destinados à arrecadação de dinheiro para o caixa do partido. O diretor-geral da ANP é Haroldo Lima, ex-deputado federal pela Bahia e vice-presidente do PCdoB. A agência que dirige é responsável pela elaboração de normas de interesse desses empresários e fiscalização do setor. (…) Edson Silva, chefe de gabinete de Haroldo Lima, foi um dos encarregados dos contatos para venda de entradas para os dois jantares, um realizado na churrascaria Porcão, no Aterro do Flamengo, no Rio, no dia 8 de agosto do ano passado, e outro promovido no restaurante Dinho, em Moema, na capital paulista, em 3 de outubro. “Ele (Edson Silva) me convidou para o jantar do Rio”, confirma o presidente do Sindicato das Distribuidoras de Gás (Sindigas), Sérgio Bandeira de Mello. O empresário diz que no caso específico de sua entidade os ingressos não foram comprados, mas garante conhecer vários colegas do setor que atenderam ao pedido do chefe de gabinete. Os exemplos são muitos. A assessoria de Gil Siuffo, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), afirma que a entidade comprou convites para os dois jantares depois de ser procurada pela deputada federal do PCdoB Jandira Feghali (RJ). Um outro empresário, que pede o anonimato por receio de retaliações por parte da ANP, diz ter sido contatado nas dependências da própria agência pelo chefe de gabinete do diretor-geral. “Fui resolver um problema na ANP. Na recepção, ele (Edson Silva) me pediu para comprar convites para os jantares. Como os caras (integrantes do PCdoB) tinham assumido há pouco tempo a ANP, me senti obrigado a participar dos jantares e comprei dois ingressos”, relata o empresário. Outro que se envolveu diretamente na atração a empresas fiscalizadas pela agência foi o próprio tesoureiro do PCdoB, Fernando Borges. Em meados de março do ano passado, um grupo de empresários do setor se reuniu com ele em um escritório de advocacia na Avenida 9 de Julho, em São Paulo. Borges se apresentou como titular da Comissão de Finanças do partido e deixou um cartão de visitas com cada um. Teria dito aos interlocutores, curiosos em conhecer os novos dirigentes da ANP, que o diretor-geral, Haroldo Lima, seria apresentado ao setor em um jantar a ser promovido para arrecadação de recursos. Segundo o relato de um dos participantes da reunião, Borges afirmou que apenas os “amigos” do PCdoB seriam convidados para a tal confraternização. Meses depois do encontro, empresários que estiveram na reunião receberam telefonemas do chefe de gabinete do diretor-geral da ANP falando sobre os ingressos para os jantares.”

Fonte: Primeira Leitura

Claudio

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Reserve Bank da Nova Zelândia muda as regras do jogo

Pode um Banco Central melhorar a vida dos bancos com seus “modelinhos”?

10 April 2006, 10.00am

Reserve Bank works toward new rules on bank capital

Capital requirements for banks will soon be made more sensitive to the risks the banks are taking, under new rules being implemented by the Reserve Bank.

(…)

“Bank capital represents the owners’ stake in the business and a
platform for the bank’s future growth and innovation,” Mr Orr said.
“For the stability of the financial system, banks need to hold capital above certain minimum levels at all times, in order to absorb unexpected losses associated with ups and downs in the economy, including severe stress events.”

The Reserve Bank’s implementation of Basel II is focused on making bank capital requirements more sensitive to risk, and particularly risks specific to the New Zealand environment. “These include the exposure of the economy to international commodity markets, and the high concentration of housing loans in New Zealand bank portfolios,” Mr Orr said.

Basel II is not intended to lead to large changes in the level of
capital in the banking system overall.

Some banks would be applying to the Reserve Bank to use their internal statistical models as part of the calculation of their minimum capital requirements. The Reserve Bank will allow this only if the internal models and the banks’ processes for managing capital are of adequate quality.

(…)

“Under the Terms of Engagement we have with APRA, we will ensure that, in meeting our responsibilities to set capital requirements for the New Zealand subsidiaries of Australian banks, we will keep compliance costs to the minimum necessary, consistent with New Zealand capital requirements being tuned to New Zealand conditions.”

Claudio
p.s. grifos meus

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Blogosfera

Rápidas

* Outra boa pergunta.

* Starbucks (infelizmente, não a da nova Gallactica).

* Oriente Médio liberal?

* Portugueses com Escolha Pública e contra Austríacos? Sim.

* O que os outros cientistas sociais acham disso, eu não sei. Mas economistas acham que tortura não é um bom método de se obter informação (falta explicar a racionalidade de sua adoção).

* China, como sempre.

* Tá deprimido, com baixa auto-estima? Enfie o dedo na tomada. Funciona.

* Jornalistas também gostam de “payola”.

* Diversos exemplos de custo de oportunidade (bom para não-economistas e para economistas também).

* Quero ler isto, quando atualizarem o blog.

* Os problemas de Stiglitz (ei, ele ganhou o Nobel pelo que fez em Microeconomia, não pelo que tem falado sobre Macroeconomia).

* “Malvado” BID “neoliberal” (odiado pela CPT, como visto no post abaixo “Padrecos…”) faz bem a Belo Horizonte.

* É possível uma economia de mercado capitalista sem cooperação? Óbvio que não.

* Péssima idéia, esta.

E, finalmente…

* Um pouco de boa estatística.

Claudio

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Educação

Nesta semana estivemos, eu e outros economistas, informalmente discutindo o problema da educação. Alguns pontos:

i. Easterly disse, com razão, que educação não importa para o crescimento econômico, embora haja, sim, uma forte correlação entre níveis de educação e renda (aqui, leitor, fica clara a importância de se entender bem conceitos básicos de estatística, matemática e economia).

ii. Por que tantos alunos estudando e o PIB não cresce? Bom, a pista está aí em cima. Mas vale a pena pensar nos incentivos microeconômicos que explicam o comportamento das pessoas. É um fato geralmente notado por gente de minha idade que os alunos universitários de hoje adoram fazer mais de um curso superior. A idéia é sinalizar para os empregadores que se é “flexível”, “versátil”, “melhor que o concorrente” na vaga que se almeja. Ocorre que o dia, desde antes de Cristo, continua tendo 24 horas, o que significa que, em média, um indivíduo que teria um ótimo desempenho em um curso, tem um desempenho pior quando divide seu tempo para estudar, em média, o dobro de matérias. Que capital humano você pensa que está sendo formado neste caso?

iii. Existe outra forma de sinalizar para o mercado. Esta consiste em se fazer uma especialização, um MBA, algo assim. A idéia é que o empregador olhe pro curriculo do cara e fique impressionado. Alguns se queixam que a existência de cursos “picaretas” como um resultado desta demanda. Isto é um problema entre empregador (que é bobo de pagar mais por um insumo de qualidade inferior) e do empregado (que sabia muito bem pelo que pagava quando escolheu a faculdade “picareta”). Claro que é ruim lecionar em faculdades “picaretas”, mas isto não é motivo para se restringir a abertura de cursos. O pior que pode acontecer é o cara melhorar sua formação em, digamos, X%, enquanto o aluno sério aumenta em X*100000% (ou algo assim).

O argumento em iii é explicado pelo modelo de sinalização – cada vez mais ensinado em cursos de graduação (“picaretas” ou não) de Economia do Brasil. Claro que, para entendê-lo bem, você precisa entender um pouco de matemática, algo que cursos de economia “picaretas” tendem a desprezar.

Existe gente – com boa formação – que se queixa de ter o mesmo título que um cara que fez um MBA “picareta”. Ele suspira e diz: “puxa, eu ralei, estudei de verdade, fiz sacrifícios, e este cara tem o mesmo status que eu”. É em um caso destes que você esperaria do MEC uma discriminação, claro. Mas veja o quanto isto é improvável: regulações são sujeitas a todos os tipos de pressões e o que o MEC fez com o Provão mostra bem isto.

Sobra, finalmente, para o mercado. Eu sempre digo que Adam Smith estava certo quando falou que a “extensão do mercado é uma função da divisão de trabalho”. Quando vejo o mercado mineiro, não vejo um mercado tão extenso assim que permita selecionar eficientemente a mão-de-obra. A impressão que passa é que tanto faz para alguns ramos da economia empregar um bom profissional e um mau profissional. Claro que isto ocorre em qualquer estado de qualquer país, mas a impressão anedótica é que isto é mais forte aqui do que no Rio de Janeiro ou em São Paulo.

A solução, portanto, passa pela receita da vovó: mais crescimento econômico baseado em competitividade. Quando empregadores precisam melhorar o produto, a qualidade do insumo passa a ser importante. Em um ambiente como este, práticas “picaretas” e alunos “picaretas” tendem a ser remunerados pela sua produtividade marginal e o mesmo vale para os bons alunos.

É fácil ver isto na prática. É comum ouvir na rua: “meu MBA não vale muita coisa. Todos estão fazendo. Preciso de um mestrado”. Isto me lembra um debate em que estive junto a um empresário do setor privado de ensino. Falando para alunos do colégio, ele dizia: “que é isso, não precisa fazer mestrado acadêmico assim que forma! Primeiro trabalhe, viva, aí decida”.

Para ele, claro, é um bom argumento. Quanto mais o cara trabalha, mais ele não deseja alocar seu tempo para o estudo (além do que ele se casa, faz dívidas, etc). Obviamente, este sujeito tenderá a fazer MBAs (ofertados, dentre outros, pelo meu colega debatedor) e, quando vir que todos estão fazendo isto, desembolsará mais grana para um mestrado profissional, etc.

Eventualmente, concluirá que o topo da carreira seria o mestrado acadêmico, sugestão deste que vos fala. Mas aí será tarde. O cara já estará cansado, com outro estilo de vida, filhos…conseguirá encarar o doutorado? Dificilmente. Estará mal acostumado com o ritmo leve de cursos noturnos, pouca leitura, será difícil escapar deste modo de vida. Não é, claro, impossível. Mas é muito difícil.

Resumindo: educação não é sinônimo de crescimento econômico e nem todo mundo que procura mais cursos pós-graduação está em busca de aperfeiçoamento. Se puder, enganará o patrão trabalhando pouco e “arrotando” conhecimento. A solução não é fechar cursos de especialização ou proibir MBAs. A solução é explicar para as pessoas e dizer a elas que devem fazer suas opções livremente, arcando com seus custos de maneira adulta, digo, responsável.

Como sempre, leitor, eu não sei se me expressei claramente. Portanto, comentários são bem-vindos.

Claudio
p.s. UPDATE: Embora não tenha visto antes, Pedro Sette Câmara está com interesse similar ao meu no tema.

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Discriminação de preços à moda colombiana

O Arthur Xexéo conta que, na Colômbia, existem ingresssos de primeira e segunda classe no cinema. Naquela as poltronas são melhores do que nesta. Ótima idéia, não? Afinal, no Brasil, quando queremos pagar menos para assistir a um filme temos que escolher um horário ou uma sala ruins.
A pergunta que fica é: como eles impedem que se troque de lugar durante a sessão? Alguém sabe?
(A propósito, graças ao Prince Charles Cinema, não terei um ano de abstinência cinematográfica. Lá passa, com uns meses de atraso, tudo das outras salas. O ingresso, às sextas-feiras, custa 1 libra (uns 4 reais). Ueba!)

Leo

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