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Novidades londrinas

Agora voltamos a programação normal. (Claudio, você já pode parar com os posts pro-armas, anti-lula, pro-xenotransplantes. ;-))

Novidades londrinas:
– Na próxima semana tem Steven Levitt aqui em Londres. Só não sei aonde e se será de graça.
A propósito, leitores: como foram o Douglass North e o Hernan Desoto no Fórum da Liberdade?
– Quando eu morei aqui em 2002, a grande discussao da mídia era o caso Damilola. Era uma criança recém-chegada que foi morta em 2000. Sabem qual é a grande discussão hoje: o caso Damilola.
Que horrível viver em um lugar aonde ninguém mais é morto e se discute o mesmo causo ad nauseum.

Leo.

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Ilan, sobre Mantega

Mantega, em 2002, disse que o BC seguia “o modelinho burro do Ilan” para a política monetária (coloquei o trecho aqui, há alguns dias atrás).

O que Ilan responde? Numa demonstração incrível de serenidade, Ilan dá uma ajudinha. Vou reproduzir trechos.

Agora virou praxe. Todo ministro da área econômica assume prometendo fé eterna na atual política econômica. Não importa o que tenha dito ou feito no passado recente, nem no que realmente acredite. De certa forma, é reconfortante. Poucos estão dispostos a mudar o que parece estar na direção correta. E o avanço institucional é tal que, hoje, é menos provável uma reviravolta na economia – no Brasil, ao contrário da Argentina, mudanças radicais são a exceção, e não a norma. Mas, infelizmente, não basta perpetuar o existente, é necessário um projeto coerente para o futuro. O que não avança recua.

O mercado financeiro tranqüiliza-se porque não haverá mudança no tripé da política econômica – superávits primários, câmbio flutuante e metas para inflação – e porque o ministro Guido Mantega não vai querer ter iniciativas que venham a pôr em risco o conquistado até agora, principalmente em ano eleitoral.

Nos últimos anos a despesa pública tem crescido a taxas elevadíssimas – no ano passado, o crescimento foi de 10% acima da inflação. Para alcançar as metas de superávit primário foi necessário aumentar sobremaneira a arrecadação, de tal forma que a carga tributária hoje se aproxima de 40% do produto interno bruto (PIB) e sufoca o setor privado. Uma extrapolação para o futuro dessa tendência mostra que para preservar o superávit primário em 4,25% do PIB (que todos fazem juras de manter) seria necessário elevar a carga tributária a níveis irreais (alcançaria 73% do PIB em 2020). Corremos o risco de desmoralizar o superávit primário como nosso indicador adequado para avaliar a situação fiscal. O mais provável é que, na ausência de reformas, o superávit primário seja abandonado. Mas, nesse caso, a relação dívida-PIB aumentaria continuamente e alcançaria níveis insustentáveis.

Mesmo estabilizando o crescimento das despesas, a sua composição preocupa. Hoje, o componente dos gastos direcionados ao investimento público, essencial para preservar o crescimento, é ínfimo, em torno de 1,5% do PIB (de quase 40% do PIB arrecadado!). O grosso das despesas é composto por gastos de pessoal e com a Previdência. Na ausência de reformas nessa área, vamos ter problemas.

Mas o novo ministro declara fé apenas na preservação dos superávits primários. Deixa claro que não vê necessidade de uma nova etapa na reforma da Previdência e que não considera necessário um projeto fiscal de longo prazo, nos moldes do que sugeriu seu antecessor. Esse é um exemplo claro em que a falta de avanço implica retrocesso.

Aí, leitor, olha que legal. Sem baixar o nível da conversa, Ilan cantou a pedra: não me venha com este papo de ajuste que não corta gasto porque isto não se sustenta. Posso tentar ser didático com metáforas? Então tá.

Para que o Brasil possa crescer, o governo deve diminuir seu gigantismo. Isto não acontece com “superávits primários” porque, para tal, basta aumentar a carga tributária.

Assim, quem jura rezar pelo superávit primário, apenas diz que deseja entrar no céu porque pecou tanto quanto distribuiu balas para as crianças. Não basta. A gente sabe que, no céu, só entra quem peca menos. Não adianta distribuir balas apenas.

Claudio

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Petrobrás, não PeTrobrás

Morra de rir (e fique esperto com os políticos):

Vivemos um período favorável ao avanço da esquerda política e social em nosso continente. Um forte sinal disso é a presença simultânea, no governo de seus países, dos presidentes Lula, Chavez, Evo Morales, Kirchner, Michele Bachelet e Tabaré Vasquez.

Este avanço poderá ser aprofundado em 2006, principalmente com o resultado das eleições no Peru, México, Nicarágua, Colômbia, Venezuela e Brasil.

Defendemos a reeleição de Lula, pelo que fizemos, pelo que ainda precisamos fazer, pelo que isto significará para os povos da América Latina e do mundo. E também porque não podemos permitir o retrocesso que significaria a vitória da oposição neoliberal.

A oposição de direita e seus aliados internacionais têm consciência da importância estratégica da eleição presidencial brasileira. As forças neoliberais querem recuperar o controle do governo federal, retomando a repressão contra os movimentos sociais, a submissão aos interesses norte-americanos, a ideologia e a prática do Estado mínimo e das privatizações.

Vem cá, a “oposição de direita e seus aliados internacionais” deram um cheque em branco pro Bob Jefferson? Ou são os que defendem o indiciamento do Eduardo Azeredo porque o tesoureiro fez porcaria, mas não o do atual ocupante da Granja do Torto…pelos mesmos motivos?

Ah, a classe política…

Claudio
p.s. sim, grifos meus

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Incentivos

Imagine que você mora em um país onde o discurso que “pegou” é o de que: i. o indivíduo não tem culpa, mas sim a sociedade, ii. logo, a polícia não deveria prender indivíduos transgressores, mas sim “refletir” sobre as condições “sociais” do indivíduo, iii. bandidos não são bandidos, mas sim indivíduos (ops!) fruto das condições “sociais de seu tempo”.

Num mundo como este, se você visse um sujeito em cativeiro na favela, provavelmente você pensaria: “se eu denunciar, estes caras me matam, já que a polícia não fará nada (e já dizem para ela não fazer nos cursos de formação)”.

Claro que você poderia pensar: “se eu não denunciar, ainda posso, se eu sou um sujeito famoso e provavelmente rico, molhar a mão de algum juiz e pedir para ele usar algum destes argumentos que vejo por aí, na prática do direito brasileiro”.

Existe uma última possibilidade, se você for um destes “malditos liberais da nova direita” denunciados pela sofrível matéria feita recentemente por um jornalista de um grande veículo de comunicação paulista, que seria contar à polícia o que sabe.

Muito bem, se fosse possível descrever o dilema destes caras, acho que eu usaria as palavras acima. Não sei quem são, nem sei qual solução escolheriam. Agora, entendo o dilema.

Afinal, denunciar para que? Você vai sofrer retaliação do tráfico e a polícia não conseguirá (pelos motivos que você quiser imaginar) te proteger. Onde, raios, você mora?

Não é este o país no qual os políticos que – corretamente – criticaram a quebra de contratos que foi o confisco no governo Collor, calaram-se diante da quebra de sigilo do caseiro?

Há um problema moral aí, muito claro. Agora, dizer que os sujeitos devem cumprir o artigo x ou y da lei, sabendo que a polícia não lhes garantirá segurança pública mínima parece até coisa de filme de máfia.

Moralmente, concordo, deveriam ter denunciado. Se eu morasse nos EUA e visse pessoas em cativeiro, eu denunciaria. E eu também gostaria que as pessoas que moram no Brasil fizessem o mesmo. Só que o custo de seguir a lei é maior aqui do que lá. O que nos leva a uma outra questão: se é assim, por que não melhora a segurança pública?

Claudio
p.s. do informe do César Maia (é, é o prefeito, mas a notícia apareceu num jornal paulista…):

Painel FSP.
De longa data

Ricardo Schumann, consultor da presidência da Caixa, encarregado de providenciar o extrato do caseiro, e Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete de Lula, trabalharam juntos na Prefeitura de Santo André.

Santo André, Celso Daniel, etc. Ai, ai, ai…

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Cotas = Melhoria moral?

Há um argumento moral sobre as “cotas” (eu prefiro “quotas”): dar chance a quem não a teve no passado. Algo assim é o que meu amigo e co-blogeiro Leo defende.

Eu acho legítimo que a gente se preocupe com os outros. Faz parte da minha formação moral. Agora, será que dá para dizer que a culpa da má situação das minorias é majoritária ou exclusivamente da “sociedade”? São os minoritários naturalmente bons, a sociedade capitalista é que os corrompe?

Claro que não. Mas se você quiser pensar sobre o assunto, leia isto primeiro e, depois, pense: por que não cotas para brancos pobres também?

Meu ponto é: justificativas históricas não fazem sentido para se falar de cotas. Se existe alguém para ser ajudado, este alguém é o pobre, seja ele branco, negro ou amarelo. E, outra coisa, a maneira como você o ajuda também pode gerar um neo-coronelismo.

E, sim, enquanto não entendermos bem o problema dos incentivos, não devemos nos precipitar. Eu ficaria com o imposto de renda negativo do Milton Friedman (sem exigências de contrapartida, a princípio).

Claudio

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A Constituição Monetarista

Periodicamente, no Instituto Millenium, poderão encontrar este escriba.

Honestamente, quero dizer que estou em excelente companhia lá. Aliás, eu deveria até desconfiar deste pessoal. Afinal, como disse Groucho Marx: “jamais aceitaria entrar num clube que me aceita como sócio”.

Refletindo, talvez todos nós estejamos lá porque fomos recusados em outros clubinhos. 🙂

Claudio
p.s. Minha presença na imprensa, agora, reduz-se a alguns sítios (sites) da internet ou a entrevistas ao vivo. Resumidamente, isto porque: i. já distorceram o que eu disse para jornalistas ao telefone, ii. já mudaram textos que escrevi sem me consultar antes da publicação. Com tanta arrogância, não acredito mais em jornalista que se diz “preocupado” com questões “éticas”.

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