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Cotas II

Aqui no RS, tem um monte de miseráveis com cabelos loiros e olhos azuis. As crianças até parecem saídas dos livros do Charles Dickens. Se esse pessoal, através da educação, sorte ou esforço pessoal começa a melhorar de vida, a questão de cor deixa de ser um empecilho e vira um instrumento para a sua ascenção social. A sociedade vai aceitá-lo numa boa e vai dizer: “viu, alemão é muito trabalhador mesmo”. Se você for negro, contudo, a barreira de cor segue existindo. (Duvida que existem discriminação de cor no Brasil? Imagine que você tivesse que escolher entre nascer negro miserável ou branco miserável. Qual a sua opção?)

Não punir os inocentes é um princípio moral básico. A minha defesa da reparação pelas escravidão não se baseia em um elo moral entre os brancos senhores de escravos do século XIX e os brancos de hoje; nem entre os negros escravos e os livres de hoje. Minha justificativa é que hoje os negros são pior tratados do que não-negros. Um dos motivos é a discriminação estatística. Com informação imperfeita, os membros da sociedade brazuca atribuem aos indivíduos negros, as características médias da cor (e também seus preconceitos infundados). Ou seja, os negros atuais são punidos sem terem qualquer culpa nisso. Essa é a minha justificativa moral para as reparações.

Assim, proponho medidas de ação afirmativa, com prazo definido, para quebrar essa discriminação estatística. Haverá ineficiências? Com certeza. Valerá a pena? Acho que sim.

(Quer ler argumentos a favor e contra? Leia no blog do Alex os cometários).

Leo.

PS. Sou contra as cotas na universidade pública gratuita. Isso porque sou contra a universidade pública e gratuita.)

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