A maldição dos recursos naturais nos municípios

Minha hipótese é: municípios brazucas que começaram a receber royalties pioraram a qualidade da sua administração pública. O mecanismo é o seguinte: um incremento no tamanho do queijo chama mais e maiores ratos.
Seria a mesma coisa que acontece nas Venezuelas ou Nigérias da vida, mas aplicada na esfera municipal. Teria que pensar em como avaliar a corrupção municipal, mas acho que dá para fazer um bom trabalho quantitativo. As evidências qualitativas estão nas bancas de jornais.
Quem quer fazer esse estudo? Só me chamem para a banca que eu ficarei um bocado feliz.

Leo.

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Mamãe, eu Quaero Mamar!

Já disse aqui que, ao contrário do claudio, eu sou um francófilo. Costumo dizer que um povo que descobriu o valor do Jerry Lewis e do Steven Spielberg tem o seu valor. Mas essa última de gastar quase meio bilhão de euros (sic) para criar o Quaero, um sistema de busca em francês, é uma besteira de lascar.
(Acho que ninguém contou para ele que basta ir aqui e optar por “Pages Francophones”. Vejam a mancada: nem verificaram que o domínio http://www.quaero.com já está registrado com uma firma de marketing americana)

Vamos supor que eles consigam mesmo fazer um google francês. Isso não é prova do sucesso do projeto, não é? Afinal, temos que considerar o seu custo de oportunidade, isto é, todas as outras possíveis alocações alternativas desses recursos.

Hmm, enquanto escrevo, as palavras “programa espacial brasileiro” ficam aparecendo na minha cabeça. Por que será?

Leo

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John Kenneth Galbraith , descanse em paz

Ele faleceu hoje, aos 97 anos. Ele foi a primeira imagem que eu tive de um economista. Moleque, eu assistia “A Era da Incerteza” na TVE e adorava. O programa era muito bem feito com locações em todo o mundo e com um humor muito inteligente. Ele era carismático e vinha de uma tradição americana que remonta à Veblen. Uma esquerda keynesiana, não-marxista, que acabou se limitando à criticar o consumismo e o tal complexo industrial-militar.
Na sua última entrevista que assisti, faz uns 10 anos, lembro de um ótimo fragmento. O repórter perguntou sobre como ele via um daqueles massacres sem razão que ocorrei esporadicamente nos EUA. Ao invés de responder que era o sintoma da crise do capitalismo, ou qualquer coisa do gênero, ele disse algo como “São fatos anormais em uma sociedade normal”.

Leo.

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Humor no comunismo

“Three prisoners in the gulag get to talking about why they are there. “I am here because I always got to work five minutes late, and they charged me with sabotage,” says the first. “I am here because I kept getting to work five minutes early, and they charged me with spying,” says the second. “I am here because I got to work on time every day,” says the third, “and they charged me with owning a western watch.”

Um ótimo texto sobre o papel do humor no leste europeu durante o comunismo. (via aldaily)

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Florestan, meu velho…

…olha o que os sociólogos mais novos fizeram em teu nome.

MARTA E PT — O Ministério Público de São Paulo conseguiu nesta quinta-feira uma decisão liminar na Justiça autorizando a quebra dos sigilos bancário e fiscal de entidades ligadas ao PT que prestaram serviço à Prefeitura de São Paulo durante a gestão da petista Marta Suplicy. No pedido de autorização para quebra dos sigilos, os promotores alegaram que as investigações feitas permitiram identificar um “impressionante esquema para desvio de recursos públicos, mediante indevida contratação direta e sem licitação de fundações de direito privado”. Duas entidades estão especialmente na mira dos promotores: o Instituto Florestan Fernandes (IFF) e o Sampa.org. Veja notas em Política.

Direto do Primeira Leitura, mais uma evidência de que não existe monopólio da ética na política. Talvez estejamos mais próximos da concorrência perfeita…

Claudio

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Ainda Mais Fogel

Aí vão os dados de participação no consumo norte-americano estimado pelo Fogel (The Great 4th Awakening: & the Future of Egalitarism, p. 266).

Classe________1875(%)______1995 (%)
Comida________48__________5
Vestuário_____12__________2
Habitação_____13__________6
Saúde_________1___________9
Educação______1___________5
Outro_________5___________7
Lazer_________18__________68

A novidade está na estimação do valor do lazer, que apesar de não entrar nas contas nacionais, é bem-estar também.

Leo

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Mais Fogel

Como vocês podem ver, estou em uma fase Fogel. Li outro sensacional texto dele agora: “Railroads as an Analogy to the Space Effort: some economic aspects. Economic Journal, 1966, v. 76, pp. 16-43.”

Ele sintetiza sua conhecida posição de que as ferrovias não foram importantes para o desenvolvimento norte-americano e, o que é mais bacana, é bastante cético quanto aos benefícios do programa espacial. E ele disse isso em 1966, em plena corrida espacial.

Leo

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McCloskey sobre Fogel

“I once tried to persuate him at lunch that certain activities in mathematical economics, hostile to his empirical values, were not good for economics. No, said he: we cannot tell; the investment in today’s existence theorem may pay off in the next century.”

“… Fogel does not view demographers and historians as engaged in som e ohter enterprise, which we economists safely ignore. Like most economists he believes in intellectual specialization. But unlike economists he is consistent in his economics: after specialization he also believes in trade, rather than pilling up of exports unsold in the backyard.”

(Strategic Factors in 19th American Economic History: a volume in honor of Robert Fogel.)
Não se o que é melhor: saber que o Fogel é um baita sujeito; ou a qualidade da prosa do Sr.(na época) McCloskey.

Leo

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Sobre manteigas e canhões

Lembra do exemplo clássico do antigo livro-texto do Samuelson? Bem, para explicar a fronteira de possibilidades de produção ele falava de manteiga e canhões e de como realocar recursos da produção de um para outro implicava em custos de oportunidade.

Bem, este aqui é um exemplo real disto.

By Kenji.

Claudio

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Iniciação Científica

Parabéns ao leitor do blog Otávio Damé. Ele tirou o II lugar no salão de iniciação científica da UFPel, com o trabalho “Indicadores Locacionais para o Brasil de 1872”. A propósito, eu sou seu mui ausente orientador da bolsa. (Na verdade, outros queridos leitores e orientandos também foram premiados nas duas edições passadas: Davi Zell, Martin Brauch e Rodrigo Ávila.)

Leo

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Aforismos

Acabo de encontrar um amigo meu que leciona para um bando de alunos, todos bolsistas (ganham dinheiro para estudar). Como sei que muitos deles não ligam para o dinheiro e não assistem a aula dado que não há obrigatoriedade em se portar como estudante para receber a bolsa, basta ter passado no vestibular, resolvi sacanear:

– Tá indo aonde?

– Vou dar aula.

– Por que? Tem aluno que mata!

– Sou pago para isto.

– Eles também! (eu, me achando esperto)

– Mas não é porque eles não cumprem com suas obrigações que eu também tenho de fazer isto.

– Por outro lado, não é porque você cumpre com suas obrigações que eles também tenham de fazer o mesmo.

Saí rindo e, depois, pensando mais, pensei no aluno que mata aula mas tem alguma consciência do que é o bem-estar social. Ele provavelmente diria: “Não é porque eu não cumpro minhas obrigações que os outros têm de fazer o mesmo”.

É o ensino superior, no Brasil. Nem tudo está perdido, embora não tenhamos ganho nada ainda. 🙂

Claudio

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Não é só a ONU que tem problemas de corrupção…

o Banco Mundial também.

Por isto é que eu digo: não vejo motivos para acreditar que uma burocracia multilateral seja mais “honesta” do que uma burocracia unilateral.

A vida é esta: corrupção, erros, quiabo, pão velho…tudo isto vai sempre existir. Nem no paraíso marxista haverá perfeição. O que você pode fazer é criar incentivos para minimizar o dano. Que dano? O da presença do homem na Terra. Golfinhos e ratos já cuidaram disto. 42.

Claudio

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Popper, o lúcido

“A tarefa mais importante de um cientista é certamente contribuir para o avanço de sua área de conhecimento. A segunda tarefa mais importante é escapar da visão estreita de uma especialização excessiva, interessando-se ativamente por outros campos em busca do aperfeiçoamento pelo saber que é a missão cultural da ciência. A terceira tarefa é estender aos demais a compreensão de seus conhecimentos, reduzindo ao mínimo o jargão científico.”

Karl Popper, em “Ciência: problemas, objetivos e responsabilidades” (1963)

Disse tudo.

Claudio

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Haiti

Saiu esta semana: nossos alunos são piores do que os do Haiti. Analfabetismo funcional é a regra.

O que fazer? Não sei. É ano eleitoral e os caras-pintadas não abriram a boca para falar de corrupção (também, depois da grana que a UNE levou, eu duvido que eles fossem “mobilizados” para combater a corrupção).

Bom, daqui a pouco, terei de lecionar para gente que não sabe ler, nem escrever (e ainda insistem que aqueles que defendem o papel do setor público mais forte no ensino básico é “neoliberal”). O que fazer? Desistir e entrar no pacto da mediocridade com os alunos. Tem gente que gosta de “baixar a bola”, mesmo no ensino superior…

Para os que ainda querem sobreviver, que acham que estudar é bom, que reconhecem que o remédio é lutar mais na biblioteca do que fazer lobby na diretoria, mas que estão sendo “puxados para baixo” pela turba ignara e amorfa, eis dois livros que entregam o que prometem: este e este.

Claro, estes livrinhos parecem não te ajudar muito para, digamos, fazer uma prova da ANPEC, mas não te deixarão na completa escuridão.

Claudio

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O hipócrita discurso “tudo pelo social”

Governo Lula faz jorrar dinheiro do Orçamento da União
na CUT e na UNE, entidades “muito independentes”

17h20 — Nesta terça-feira, reunidos em São Paulo, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), partidos ditos de esquerda (do PT ao PC do B) e associações de movimentos sociais (da UNE ao MST) firmaram uma espécie de pacto pela reeleição de Lula e contra eventuais manobras “da direita” em favor do impeachment do presidente da República. Em entrevista ao Blog do Josias (UOL), o presidente da CUT, João Felício, disse que, “se algum tresloucado neoliberal avançar nessa direção [do impeachment], nós vamos reagir”. Josias perguntou “até onde vai o apoio da CUT ao governo?”. E Felício respondeu: “Ninguém determina as opções da CUT. As nossas postulações e a nossa agenda são determinadas pela CUT”. Uma consulta ao Siafi, o sistema informatizado das despesas feitas com o Orçamento Geral da União (OGU), feita pela assessoria do PSDB na Câmara, diz bem da independência da CUT em relação ao governo Lula. Da CUT e da UNE, só para ficar em dois exemplos. Do início do governo, em 2003, para 2005, quase triplicou o dinheiro repassado pelo governo Lula a essas entidades “independentes”. Lá vai:

A CUT RECEBEU:
• 2003 – R$ 4.640.201,00
• 2004 – R$ 12.656.840,00
• 2005 – R$ 13.150.363,00
A ESCOLA SINDICAL SÃO PAULO/CUT RECEBEU:
• 2004 – R$ 1.060.000,00
• 2005 – R$ 55.000,00
A UNE RECEBEU:
• 2003 – R$ 600.000,00
• 2004 – R$ 400.000,00
• 2005 – R$ 1.270.649,00

Só queria saber como foram estes dados nos governos anteriores.

Claudio

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Por que tanto barulho na minha aula?

Fato muito comentado entre professores é o de que os alunos de hoje seriam menos respeitosos e mais barulhentos do que os de 10 anos atrás.

Pois bem, há duas explicações para isto: i. preferências e ii. restrição.

Conversei com dois amigos meus, Fábio e Marcus. Cada um deles pensa de um jeito e eu, ultimamente, estou dividido entre suas explicações, bem como minhas reflexões puramente levianas e pouco rigorosas sobre o tema.

A explicação “i” diz respeito a algum fator cultural que teria mudado com o tempo (pessoas estariam mais mal educadas por algum problema cultural específico dos últimos 10 anos). Já a explicação “ii” é baseada na idéia de que, hoje em dia, em média, muitos alunos fazem dois cursos universitários, embora o dia continue tendo apenas 24 horas. Logo, o cara dedica menos tempo a cada matéria.

Eu complementaria ainda, dizendo que quanto menos tempo o aluno dedica a uma disciplina, menos ele respeita o professor, pois menos ele é importante para ele. Algo como: “meu pai é respeitado porque é o monopolista lá de casa”. Se eu tivesse quinze pais, respeitaria menos cada um deles.

Não acho que haja uma mudança cultural forte, embora concorde que os psicólogos e pedagogos, por algum motivo, cruzaram os braços há uns anos atrás (e amarraram os braços dos pais…) e saíram por aí dizendo: “no limits, have fun”. Em outras palavras, ensinaram que não havia restrições para os meninos, hoje “monstrinhos” (em média).

Você, leitor(a), que é aluno ou professor, o que pensa sobre i e ii? Preferências mudaram ou foi a restrição que foi deslocada?

Claudio

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Por que preços idênticos?

Tyler Cowen pergunta algo que já tinha me encafifado: por que o Itunes cobra o mesmo preço pelas músicas? As respostas são boas, mas não sei se explicam tudo.
No mesmo sentido, não seria interessante se os músicos pudessem reduzir os seus direitos autorais para buscar uma maior popularidade. Ué, mas isso já aconteceu! Os garotos Artic Monkeys colocaram suas músicas de graça na Internet, fizeram uma baita sucesso e bateram o recorde de velocidade de vendas dos Beatles.

Leo.

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Privatizar as nuvens?

Vejam no que dá ouvir a bbc: descobri que existe uma associação de apreciadores de nuvens. As fotos são sensacionais.

Mais do que isso, aprendi que a discussão dos direitos de propriedades das nuvens é algo muito sério. A razão é o cloud seeding, a técnica de provocar chuva bombardeando as nuvens com produtos químicos. E se o estado/país vizinho faz com que toda chuva caia antes das nuvens chegarem no espaço sobre as suas terras? Uma discussão legal do caso está aqui.
Fico imaginando que rolo seria uma barganha coaseana.

Leo

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