microeconomia

Pessoas respondem a incentivos

Ok, após uns 10 anos lecionando, acho que muitos dos meus alunos já conseguem entender que pessoas respondem a incentivos. Entretanto, como aponta Sen – em recente resenha de um livro de Easterly – isto não é suficiente.

O blogueiro merece ser citado:

Though I greatly admired The Elusive Quest for Growth, one of the less satisfying parts of it was the repetition of the mantra “people respond to incentives.” Well, yes, but it isn’t always easy knowing how they will respond to incentives until you’ve seen them respond (its an economic fundamental, after all, that we deal in revealed preferences…). Sen suggests that there might be the same problem with Easterly’s planners/searchers model –you only know which they are after you see how what they did turned out.

Ou seja, ok, incentivos importam. Agora, como é que as pessoas respondem a incentivos? A descoberta dos efeitos dos incentivos ainda é o grande problema para os economistas. Por isto temos modelos microeconomicamente fundamentados e cada vez mais sofisticados. Claro, outra linha de pensamento é a austríaca, de corte hayekiano, que diz algo como: “dê liberdade com responsabilidade às pessoas e deixem-nas descobrir que incentivos são melhores”.

O aluno de Economia, no primeiro mês de aula, já percebe que pessoas respondem a incentivos. O que ele nem sempre percebe é que o restante de seu curso é justamente destinado a ensiná-lo a entender como os incentivos funcionam. Até aqueles professores que trabalham contra o curso (sempre há um, que em sua sala, longe dos pares, diz que “economia não funciona”), ironicamente, servem de exemplo de como o mecanismo de incentivos funciona.

Claudio

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The New Public Finance

Eis um livro com autores estelares.

Olha o índice aí embaixo. Ah, veja também este excelente resumo de bases de dados que você pode usar para aporrinhar seu colega que acaba de fazer um artigo econométrico (“Ah, você não usou a variável XX, por isso há um problema de especificação sério”).

Foreword
Mark Malloch Brown

Prologue
Joseph E. Stiglitz

Acknowledgments

Contributors

OVERVIEW

WHY REVISIT PUBLIC FINANCE TODAY?
WHAT THIS BOOK IS ABOUT
Inge Kaul and Pedro Conceição

THE CHANGES UNDERWAY
FINANCING GLOBAL CHALLENGES THROUGH INTERNATIONAL COOPERATION
BEHIND AND BEYOND BORDERS
Inge Kaul and Pedro Conceição

1. THE NEW NATIONAL PUBLIC FINANCE
TAKING THE OUTSIDE WORLD INTO ACCOUNT

BLENDING EXTERNAL AND DOMESTIC POLICY DEMANDS
THE RISE OF THE INTERMEDIARY STATE
Inge Kaul

MAKING POLICY UNDER EFFICIENCY PRESSURES
GLOBALIZATION, PUBLIC SPENDING, AND SOCIALWELFARE
Vito Tanzi

INTERNALIZING CROSS-BORDER SPILLOVERS
POLICY OPTIONS FOR ADDRESSING LONG-TERM FISCAL CHALLENGES
Peter S. Heller

MANAGING RISKS TO NATIONAL ECONOMIES
THE ROLE OF MACRO MARKETS
Robert J. Shiller

COMBINING FISCAL SOVEREIGNTY AND COORDINATION
NATIONAL TAXATION IN A GLOBALIZINGWORLD
Peggy B. Musgrave

RECOGNIZING THE LIMITS TO COOPERATION BEHIND NATIONAL BORDERS
FINANCING THE CONTROL OF TRANSNATIONAL TERRORISM
Todd Sandler

2. THE NEW INTERNATIONAL PUBLIC FINANCE
RELYING ON PUBLIC-PRIVATE COOPERATION AND COMPETITION

EXPLORING THE POLICY SPACE BETWEEN MARKETS AND STATES
GLOBAL PUBLIC-PRIVATE PARTNERSHIPS
Inge Kaul

ACCOMMODATING NEW ACTORS AND NEW PURPOSES IN INTERNATIONAL COOPERATION
THE GROWING DIVERSIFICATION OF FINANCING MECHANISMS
Pedro Conceição

MAKING THE RIGHT MONEY AVAILABLE AT THE RIGHT TIME FOR INTERNATIONAL COOPERATION
NEW FINANCING TECHNOLOGIES
Pedro Conceição, Hari Rajan, and Rajiv Shah

TAKING SELF-INTEREST INTO ACCOUNT
A PUBLIC CHOICE ANALYSIS OF INTERNATIONAL COOPERATION
Philip Jones

3. THE NEW INTERNATIONAL PUBLIC FINANCE
INVESTING IN GLOBAL PUBLIC GOODS PROVISION ABROAD

IDENTIFYING HIGH-RETURN INVESTMENTS
A METHODOLOGY FOR ASSESSINGWHEN INTERNATIONAL COOPERATION PAYS–AND FOR WHOM
Pedro Conceição and Ronald U. Mendoza

MAKING INTERNATIONAL COOPERATION PAY
FINANCING AS A STRATEGIC INCENTIVE
Scott Barrett

COMPENSATING COUNTRIES FOR THE PROVISION OF GLOBAL PUBLIC SERVICES
THE TOOL OF INCREMENTAL COSTS
Kenneth King

CREATING NEW MARKETS
THE CHICAGO CLIMATE EXCHANGE
Richard L. Sandor

USING MARKETS MORE EFFECTIVELY
DEVELOPING COUNTRY ACCESS TO COMMODITY FUTURES MARKETS
C. Wyn Morgan

ASSESSING CONTRACTUAL AND STATUTORY APPROACHES
POLICY PROPOSALS FOR RESTRUCTURING UNSUSTAINABLE SOVEREIGN DEBT
Barry Eichengreen

PLACING THE EMPHASIS ON REGULATION
LESSONS FROM PUBLIC FINANCE IN THE EUROPEAN UNION
Brigid Laffan

4. THE NEW INTERNATIONAL PUBLIC FINANCE
ENHANCING AID EFFICIENCY

USING AID INSTRUMENTS MORE COHERENTLY
GRANTS AND LOANS
Paul Collier

RECTIFYING CAPITAL MARKET IMPERFECTIONS
THE CONTINUING RATIONALES FOR MULTILATERAL LENDING
Yilmaz Akyüz

PULLING NOT PUSHING REFORMS
DELIVERING AID THROUGH CHALLENGE GRANTS
Steve Radelet

OVERCOMING COORDINATION AND ATTRIBUTION PROBLEMS
MEETING THE CHALLENGE OF UNDERFUNDED REGIONALISM
Nancy Birdsall

REDUCING THE COSTS OF HOLDING RESERVES
A NEW PERSPECTIVE ON SPECIAL DRAWING RIGHTS
Jacques J. Polak and Peter B. Clark

CREATING INCENTIVES FOR PRIVATE SECTOR INVOLVEMENT IN POVERTY REDUCTION
PURCHASE COMMITMENTS FOR AGRICULTURAL INNOVATION
Michael Kremer and Alix Peterson Zwane

MITIGATING THE RISKS OF INVESTING IN DEVELOPING COUNTRIES
CURRENCY-RELATED GUARANTEE INSTRUMENTS FOR INFRASTRUCTURE PROJECTS
Stephany Griffith-Jones and Ana Teresa Fuzzo de Lima

ANNEXES
FURTHER READING
GLOSSARY
ABOUT THE CONTRIBUTORS
INDEX

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Mercados

Muita gente não entende o que é o mercado. Mercado é um processo. Por exemplo, alguém diz o seguinte: “- O mercado é uma droga. Se não fosse pelo meu protesto, o gerente jamais teria melhorado o atendimento”.

Ora bolas, o ajuste do mercado está justamente aí. O fato de o gerente ouvir o protesto de forma não-agressiva (fisicamente) e melhorar o atendimento (possivelmente por causa de um ou mais protestos similares)é exatamente a essência do mercado.

Todo mundo gostaria de viver num lugar onde não fosse preciso reclamar. Infelizmente, não é assim. Nem nos experimentos socialistas isto foi conseguido. A diferença, claro, é que no mundo não-socialista (em Cuba, “outro mundo é possível” tem um significado bem diferente do que aqui), você não pode reclamar. Não é que não pode, é simplesmente que isto gera retaliações dos chefões contra você e sua família.

Mesmo em certo nível, neste exemplo, existe competição. Por exemplo, as eleições seriam uma forma de competição – imperfeita – para o chefe do condomínio de Cuba.

Ok, muita tinta para o mercado. Mas boa parte dos leitores que caem aqui nem sempre tiveram um professor que lhes explicasse isto.

Agora, bem, não é apenas isto que é mal ensinado. Alguns – que não estudaram História Mundial – afirmam que a globalização destrói os valores locais. Algo bem conservador e que vai contra os escritos de gente tão díspar como Hayek e Marx. É óbvio que a globalização é uma espécie de mercado em larga escala.

Poderíamos falar mais sobre isto aqui, mas no calor que está fazendo, eu deixo o leitor com este excelente exemplo de como o mercado funciona, a despeito dos burocratas. Mesmo no Brasil. Delicioso, não?

Claudio

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Mais direitos de propriedade respeitados, mais desenvolvimento regional

Eis aqui um tema interessante para estudos. Vejamos um trecho (grifos meus):

Given the limited amount of resources that governments have for economic development, it is important to know which of these two approaches is most likely to foster entrepreneurship. A new study by economists Steven Kreft and Russell Sobel published in the Cato Journal provides some evidence on that question by examining the direction of causality between venture capital and entrepreneurship. It’s important for policy makers to know whether an increase in entrepreneurial activity attracts additional venture capital or whether increased availability of venture capital attracts more entrepreneurs.

Using the number of sole proprietorships and patent activity in a state as measures of entrepreneurship, Kreft and Sobel find that increased entrepreneurship causes more venture capital to automatically flow into the state. More importantly, they find that influxes of new venture capital do not then cause entrepreneurship to increase. Crowding out of private venture capital is one possible reason why state funded venture capital fails to increase entrepreneurship. This suggests that the trend of state-sponsored venture capital funds have the cart before the horse. Since entrepreneurial activity appears to be what attracts venture capital into a state, the best way to encourage entrepreneurship within a state is to focus on creating a policy environment where individuals are free to be innovative.

Há algo de hayekiano aqui, não há? O papel do Estado, no desenvolvimento econômico regional, pelo menos na amostra analisada, parece claro: deixe a iniciativa individual trabalhar, não atrapalhe, nem tente substituí-la.

Na economia regional do Brasil, com este Judiciário que temos, será que valem as mesmas relações fundamentais? Aposto que sim.

Claudio
p.s. Eis o artigo original.

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Deve o governo ter poder de controle sobre a “fuga dos cérebros”?

Fidel Castro acha que sim.

David Gonzalez Mejias and Marialys Darias Mesa are not lawbreakers. Their efforts to emigrate from Cuba with their families began legally when they entered the visa “lottery” that the U.S. holds for Cubans every year since President Clinton made the “wet foot-dry foot” deal with Castro. That policy says that the U.S. will send back Cuban migrants captured at sea (wet foot) but will also allow 20,000 visas a year to Cubans through a lottery system.

Not surprisingly, Fidel has not always kept his side of the bargain. Though the dentists had won U.S. visas in the lottery, he denied them exit visas in 2002 on grounds that their medical training made them too important to spare. The dentists sent their families on to the U.S. and obediently waited the three prescribed years.

When they reapplied in 2005, the Cuban government again refused to let them go. This time they were termed “indispensable” and given no certain date for when they might join their loved ones. (Meanwhile, Castro has sent thousands of Cuban medical professionals to Venezuela both to promote revolution and earn the hard currency that is so precious in Cuba’s Third World economy.) In desperation, the dentists joined a “fast boat” escape from Cuba at the end of last April.

A regulação do governo é sempre um problema. Mas o mais complicado é que, no caso acima, a discordância dos dois cubanos quanto à regulação de seu governo não pôde levá-los a um resultado melhor para suas vidas. Por que? Porque o governo cubano não quis. Simples assim.

E tem gente que é contra a mobilidade do trabalho e do capital. Paciência…

Claudio

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A ANATEL e nós

Do Elio Gaspari, hoje:

InterTunga, nova criação da Anatel

A Anatel candidatou-se a uma posição de relevo no bestiário da burocracia. Montou uma nova planilha de cálculo das tarifas de telefonia fixa baseada na contagem dos minutos das ligações. A mudança estará em todas as contas até o final de julho. Para quem freqüenta a internet por conexão discada (4,5 milhões de pessoas), os teletecas produziram a seguinte maluquice:

Um cidadão que trabalha meia hora por dia ligado à internet paga hoje R$ 30 mensais. Passará a pagar R$ 75. Sem mais nem menos, uma tunga de R$ 45 no bolso do andar de baixo.

Meia hora diária de conexão discada sairá pelo mesmo preço de uma assinatura de banda larga, que dá acesso ilimitado à rede. Pode-se pensar que basta migrar para a conexão mais veloz, onde já estão 12,2 milhões de usuários. Falso. Primeiro, porque muita gente não tem orçamento para se comprometer com uma assinatura que custa entre R$ 50 e R$ 80 mensais. Segundo, porque 30% dos terminais telefônicos estão em lugares onde não existe o serviço de banda larga. Mais da metade do mapa do Brasil (2.400 municípios) está fora do mapa de acesso a esse tipo de conexão.

Coisa de um Estado desconexo: pela mão do governo surgiu o programa PC Conectado, que vende computadores por R$ 60 mensais. Pela mão da Anatel, meia hora de internet custará R$ 75 .

(As operadoras oferecerão assinaturas para um serviço de acesso ilimitado, como o que a Telefonica vende em São Paulo por R$ 29,90. Poderão até baixar para R$ 19 mensais. Como as teles ainda não conseguiram botar de pé um serviço residencial de voz sobre IP, nem a assinatura especial para clientes do PC Popular, resta esperar e torcer.)

O que será que se passa pelas cabeças de nossos reguladores?

Claudio

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Lima Barrreto e a Economia da Informação

Na década de 20, Lima Barreto já ridicularizava como o título de Doutor era considerado na Bruzundanga. Era mais um título de nobreza, do que de conhecimento. Ele escreveu:

“A aristocracia doutoral é constituída pelos cidadãos formados nas escolas, chamadas superiores, que são as de medicina, as de direito e as de engenharia. Há de parecer que não existe aí nenhuma nobreza; que os cidadãos que obtêm títulos em tais escolas vão exercer uma profissão como outra qualquer. É um engano. Em outro qualquer país, isto pode se dar; na Bruzundanga, não.
Lá, o cidadão que se asma de um título em uma das escolas citadas, obtém privilégios especiais, alguns constantes das leis e outros consignados nos costumes. O povo mesmo aceita esse estado de cousas e tem um respeito religioso pela sua nobreza de doutores. Uma pessoa da plebe nunca dirá que essa espécie de brâmane tem carta, diploma; dirá: tem pergaminho. Entretanto, o tal pergaminho é de um medíocre papel de Holanda.
As moças ricas não podem compreender o casamento senão com o
doutor; e as pobres, quando alcançam um matrimônio dessa natureza, en
chem de orgulho a família toda, os colaterais, e os afins. Não é raro ouvir alguém dizer com todo o orgulho:
-Minha prima está casada com o doutor Bacabau.
Ele se julga também um pouco doutor. Joana d’Arc não enobreceu
os parentes?”

Lembrei disso quando li esse texto, linkado pelo Marginal Revolution. O trabalho mostra que quanto pior a faculdade e mais recente o título de doutor, maiores as chances do professor usar o título “Dr” no programa da disciplina ou na secretária eletrônica. A lógica é a seguinte: os abaixo da média têm incentivos para contar vantagem com algo que é comum entre os que já têm reconhecimento. Se você é professor de um baita curso, já é esperado que você tenha um doutorado. Além disso, pega muito mal sinalizar que seus interlocutores se impressionam com títulos de doutorado. A regra de bolso é: exigiu o tratamento “Dr”, é embromador.
Pensei se isso vale também para as cerimônias de formatura. As mais pomposas e caras (em relação a renda dos formandos) são as dos cursos e faculdades com menor status.
Isso me leva a Primeira Lei de Gustibus das Formaturas:
A seriedade da cerimônia é, ceteris paribus, inversamente proporcional a do curso

Sua Máxima Sapiência Dr. Leo

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