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A cabeça do casal é o homem, mas o pescoço é a mulher

A gente já sabia, mas quando as próprias mulheres dizem isto num journal, a coisa fica mais séria. Não é um estudo novo, é de 1999, mas aí está um resumo da ópera.

Savings and investment decisions within private households: Spouses’dominance in decisions on various forms of investment

Katja Meier, Erich Kirchler, Angela-Christian Hubert

Abstract
The present study aims at describing spousesÕ relative dominance in decisions concerning di€erent forms of investment. As determinants of spouses’dominance, partnership characteristics, such as partnership role attitudes, marital satisfaction and individual expertise in relation to di€erent investments, were considered. A questionnaire on spouses’ dominance in making decisions on various investments, on the characteristics of particular investments and on partnership characteristics was completed by 142 Austrian couples. Basically, wives appeared to adapt to the dominance exerted by their husbands in savings and investment decisions. Wives’dominance was highest in egalitarian partnerships, where autonomic and wife-dominated decisions were reported more frequently than in traditional partnerships. Additionally, spouses’relative expertise in relation to the investments in question showed strong e€ects on dominance distribution: Spouses with higher expertise than their partners exerted more dominance in decision-making processes.

Journal of Economic Psychology 20 (1999) 499±519

Meu irmão, debochando, disse: “e se o casal for homossexual”? Eu pensei e logo lembrei que estes casais andam sempre muito bem vestidos. Vai entender… 🙂

Claudio

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Google e os consumidores

Muita gente não gostou desta história do Google de admitir auto-censura. Claro, uma coisa é censura do Estado e outra é auto-censura. A vantagem da última é que consumidores não vão para a cadeia por causa disto. Pelo contrário, podem protestar. É o caso deste site.

A matéria do TNYTimes publicada hoje no “Estadão” ainda nos dá outras opções:

IceRocket

Clusty

Se você quer mostrar sua insatisfação com o Google, os links acima são boas oportunidades.

Claudio

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Economia do Conflito

Jack Hirshleifer

Os leitores deste blog sabem que eu gosto muito do recém-falecido Jack Hirshleifer, notadamente por seus escritos em Economia do Conflito.

Eu não havia visto esta entrevista, mas vale a pena ler tudo. Eis um bom trecho.

W.P: Fine. I don’t know if this is a sensitive point for you or for Americans in general, but is there anything you would like to say regarding the recent terrorist attacks to the U.S.? How do you interpret that from your perspective?

J.H: Yes, that is quite interesting. I have a recent paper on appeasement in the American Economic Review . Sometimes we hear or we read in history that it never pays to appease an aggressor. Before World War II, at Munich, British Prime Minister Neville Chamberlain was trying to appease Hitler to say, “oh, I will give you this, I will give you that, then you’ll be satisfied, we hope, and we will not have a war”. Whereas, Winston Churchill, said, “no, no, it will not work”, and of course Churchill was absolutely right. Now the question is how general is that? Is it always true that you should never appease someone who is hostile to you? Or might it be the case that sometimes appeasing might make sense? This paper in the American Economic Review says, yes, there are circumstances where it might make sense. Nevertheless even though there are circumstances in which appeasement might make sense, they did not apply to Hitler. So Churchill was right, but that doesn’t mean that it’s absolutely always right, never, never to appease. Here is the key idea. Assume the other party is hostile. Even so, it might pay to appease him if, by making him richer, he becomes less hostile. The point is that as he gets wealthier, he will devote less effort to attacking you, then it might pay to buy him off. But, if, when he gets wealthier, he will devote more effort to attacking you, then it goes the other way. So, in the case of Hitler, Chamberlain thought: well, he’s really not a very nice man, but it could be that if we make him more powerful or wealthier, then he’ll realize that it makes sense not to go to war. Whereas Churchill thought that would be giving him the resources with which to buy weapons and attack us more. In my opinion that’s the situation here also. Let’s say we’re talking now about anti-American extremists or Islamic extremists, are they people who can be bought off? My own belief: no, they can’t. I don’t think this is a case where appeasement pays. Appeasement can sometimes pay, but I’d say no, not in this case. I don’t think these are people who can be bought off. So, going easy on them, giving them more resources, in my opinion, is not going to work.

Claudio

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Significância Estatística x Significância Econômica – Parte II

Excelente link do Leo em um post anterior falava sobre a bronca de McCloskey e Ziliak contra um procedimento cientificamente incorreto de pesquisadores sobre significância estatística.

Mas o que dizer quando os próprios autores são acusados de não fazerem bem seu dever de casa? O debate que se segue no post é bacana porque, inclusive, inclui o próprio Ziliak.

Leia a coisa toda.

Claudio
p.s. Eis outro bom resumo.

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Coisas para fazer, além do usual

Livros

1. Terminar de ler Gulag (de Anne Applebaum), An Anthropologist on Mars (de Oliver Sacks), The Future and its Enemies (de Virginia Postrel).

2. Começar a ler Até mais, e obrigado pelos peixes (de Douglas Adams).

Estudos

1. Continuar lendo, neuroticamente, textos científicos.

2. Pesquisar mais, este ano. Continuar publicando artigos cientificamente rigorosos e relevantes para meu entendimento da realidade.

Vida

1. Buscar sempre a sabedoria, o equilíbrio e a harmonia…após os chopps.

2. Refletir sobre a vida e o choque de civilizações…,assistindo pela e-nésima vez, os filmes de John Woo em início de carreira.

3. Não publicar muita bobagem aqui.

Claudio

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Gaspari é jornalista

Semana passada eu reproduzi aqui uma coluna do Gaspari que, honestamente, deixou a desejar. Nesta semana, contudo, eis que, como indicado pelo Leo, o jornalista está arguto.

Meu co-autor citou uma parte da coluna que vou reproduzir aqui. Ele gostou do aspecto ligado aos direitos de propriedade e às propostas de Hernando de Soto – a propósito, meu colega, o competente prof. Fábio Gomes, está orientando as leituras de alguns alunos em um grupo de estudos no qual se lê “O Mistério do Capital”. Aliás, Leo, descobri que temos três leitores do blog na Escola. Agora somos cinco ou seis frequentadores deste blog. 🙂

De minha parte, gostei mais de outro aspecto do mesmo trecho, mais ligado à Escolha Pública. Trata-se do famoso “discurso social”. Funciona assim: não posso dar ao pobre o direito de escolher escolas para seus filhos estudarem (uma política como a proposta por Milton Friedman) enquanto não existirem escolas “de qualidade”.

Dito isto, provavelmente o MEC tentará criar uma regulação gigantesca, em nível nacional – e comissões de estudo, claro – para julgar como o setor privado deve atingir a qualidade, avaliando, por exemplo, o desempenho de um aluno que já se formou há cinco anos, no mercado de trabalho (existe mesmo uma proposta simlar à esta, acredite, em circulação).

Como não existem escolas de qualidade (na visão dos burocratas), então não se cria um programa como o de “vouchers” de Friedman. E o burocrata ainda sai bem na fita como o cara que só vai te dar o prêmio quando todas as condições para seu usufruto – todas mesmo, possíveis, impossíveis, imagináveis ou não – estiverem devidamente garantidas. Fica tudo adiado para o futuro e a culpa, claro, é dos insensíveis “mercadores do ensino” que não se preocupam com o “social”, seja lá o que isso signifique.

Bonito, não?

Aí vai a coluna do Gaspari. Mas leia também sobre as indenizações da ditadura e também sobre as quotas, em críticas mais breves, lá.

A síndrome das reivindicações sucessivas

Lula criou um programa de estímulo à construção civil. Por falar nisso, cadê os resultados do Programa Papel Passado? Aquele que anunciava metas federais para regularizar a propriedade urbana dos sem-escritura. São 15 milhões de famílias que construíram suas casas em terrenos comercializados ilegalmente. Promessa de campanha de Lula, de governadores e prefeitos, a iniciativa corre o risco de ficar parecida com o Fome Zero e o Primeiro Emprego. Virou lorota federal, estadual e municipal. Funcionou, e bem, em Manaus.

A propriedade de um imóvel é o principal patrimônio dos brasileiros. Se o trabalhador tem a casa mas não tem escritura, sua vida fica mais difícil para obter crédito e abrir um negócio próprio. É empurrado para a economia informal.

Pode-se estimar que o andar de baixo do Terceiro Mundo e do Leste Europeu esteja sentado num ervanário de US$ 10 trilhões de patrimônio imobiliário marginalizado. Num cálculo grosseiro, as propriedades dos sem-escritura brasileiros podem estar na casa dos R$ 150 bilhões. Os programas de regularização dessas propriedades foram vitimados pela síndrome das reivindicações sucessivas.

Trata-se de um ardil do andar de cima. Consiste em reconhecer que uma coisa deve ser feita, condicionando astuciosamente a sua execução a outra medida, sempre razoável. Malandragem suprapartidária, a reivindicação sucessiva envenena iniciativas que pretendem melhorar a vida de quem precisa de atenção.

Um exemplo: na segunda metade do século XIX discutia-se a Lei do Ventre Livre, um remendo para postergar a abolição da escravatura. Foi combatida com o argumento de que não se poderia libertar as crianças sem antes dar-lhes escolas e um ofício. Seria uma desumanidade. Ou seja: enquanto não se fizer B, não se pode fazer A. Os fazendeiros não queriam escolas. O negócio deles era preservar a escravaria.

A síndrome das reivindicações sucessivas contamina também pessoas e governos que, sinceramente, desejam endireitar o torto. Ela entorpece inúmeros programas de regularização de lotes urbanos sustentando que não se deve dar escritura ao dono de uma casa enquanto sua rua não tiver coisas como asfalto, calçada e bueiros. O sujeito paga impostos e o Estado, que não lhe dá serviços, nega-lhe a escritura porque faltam-lhe os serviços negados. O truque permite ao magano defender todas as causas sem trabalhar em nenhuma. Enaltece a parolagem e disfarça o compromisso. Permite aos governantes o usufruto da publicidade dos projetos, resguardando-lhes o direito de justificar a inércia do plano que prometia A porque alguém (às vezes ele mesmo) não fez B.

Nas duas maiores cidades do país os programas de regularização de lotes apresentam resultados pífios. Em São Paulo, tire-se o chapéu para Paulo Maluf. Regularizou 34,3 mil lotes, contra 29 mil de Marta Suplicy e 4 mil de José Serra em um ano. No Rio o número de processos concluídos não chegou a mil. Em três anos, em todo o país, o programa Papel Passado ajudou a regularizar a situação de 40 mil famílias (8,9% da meta-companheira).

Felizmente, Lula, os governadores e os prefeitos interessados em passar à patuléia outro papel que não o de boba, podem olhar para Manaus. Lá a iniciativa de um prefeito e R$ 850 mil do Papel Passado fizeram sucesso. Em menos de um ano, Serafim Corrêa acertou a vida de oito mil famílias. Atende os donos de lotes com menos de 250 metros quadrados que comprovam cinco anos de residência no local. Enquanto o governo federal vai empregar 258 jornalistas na Transpetro, o prefeito Serafim Corrêa conseguiu esse resultado com o trabalho de trinta funcionários. Teve a ajuda do governo do Amazonas, do Poder Judiciário e da Associação dos Cartórios. Com a escritura na mão, 400 pessoas já conseguiram financiamentos para a compra de materiais de construção. Tudo isso antes do pacote-companheiro.

De acordo com a teoria das reivindicações sucessivas, Serafim Corrêa fez tudo errado: nenhum lote tem esgoto, metade não tem calçada, 20% não tem asfalto e 5%, nem luz ligada pela concessionária. A mudança foi só uma: oito mil famílias de brasileiros têm escritura da casa onde moram.

Claudio

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Academia

Sou obrigado a concordar com FHC: Verissimo não sabe Economia

Se até FHC, conforme mostra meu xará, já percebeu, quem sou eu para negar. Pelo contrário, eu já fiz minha crítica.

Quem escreve bem sobre o dia-a-dia não necessariamente é um profundo conhecedor de Química Orgânica. Ou de Direito. Ou de Economia. É o mesmo que que achar que fama é sinônimo de conhecimento. Não é. E o maior exemplo disto você ouve, todos os dias, em qualquer canal de televisão.

Claudio

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