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Allah, meu bom Allah, mande água pra IaIá…

Da coluna Gente Boa:

Depois da confusão provocada pelas charges dinamarquesas, ficou perigoso brincar com essas coisas, mas a marchinha “A burka”, de Sergio Amado, finalista do concurso da Fundição Progresso, no domingo, não está nem aí. Trecho da letra: “Vestindo a burka/ Fico maluca/ Fumando ópio neste narguilé/ Virando turca/ Tirando a burka/ Eu vou cantar só pro Osama ver/ Tira a mão da minha burka/ Você não é Talibã/ Eu só dou a minha burka / Quando for no Ramadan.

A propósito, na minha cabeça:
Rolo das Charges + Aquecimento Global= Ouça aqui.

Leo (Mas se você é um muçulmano anti-carnavalesco que quer aplicar uma fatwa no autor do post, pode falar com o Claudio que ele está aí para isso mesmo).

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Calor

Minha posição sobre o aquecimento global é semelhante a do Consenso de Copenhagen: OK, talvez a temperatura da Terra tenha se tornado não estacionária. Talvez parte da culpa seja do Homem. Talvez dê para fazer alguma coisa. Mesmo assim, existem outras prioridades.

Martin Brauch, meu aluno e bolsista, tem um blog sobre aquecimento global. Eu falei, falei, falei mas não adianta: ele adora pesquisar o assunto e é um ativista da área. Sabem como é, gustibus non est…

Mesmo assim, eu realmente recomendo a leitura do blog. Os posts são muitíssimo bem escritos, rigorosos, comedidos e inteligentes. Se mais ecologistas fossem como o Martin até daria para eu estudar o assunto. Na verdade, a presença dele na Ecologia traz mais benefícios do que se ele ficasse nas áreas tradicionais, aonde retornos marginais por pesquisador sério são bem menores.

Leo.

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Academia

Teorias econômicas da criação do Estado

Bons pontos sobre o tema. A crítica é sempre: “tem de existir Estado porque há economias de escala no mercado de serviços de defesa”.

Primeiro, há o que disse David Friedman.

If there are only two or three agencies in the entire area now covered by the United States, a conspiracy among them may be practical. If there are 10,000, then when any group of them start acting like a government, their customers will hire someone else to protect them against their protectors.

…My own guess is that the number will be nearer 10,000 than 3. If the performance of present-day police forces is any indication, a protection agency protecting as many as one million people is far above optimum size.

E há o que diz Caplan.

But there is a simple rejoinder to Friedman, which one of my best students hit upon: If scale economies are really this weak, why have states emerged and remained stable for thousands of years?

It’s an awkward question, but I’ve got an answer:

Thousands of years ago, demand for defense services was very small relative to scale economies. In any locality, the market only had room for one defense firm. The result was just what the skeptics would predict: Private monopolies quickly turned into governments.

As economic growth progressed, of course, the market for defense services got bigger, making room for more and more firms. The problem, however, is that if you’ve got government in an area, it has the power and the incentive to prevent new entry by competing defense firms. Thus, if market conditions initially favor monopoly, monopoly can easily endure due to “lock-in,” or “path-dependence.”

This remains true even if current conditions are totally different from the initial conditions. Initially, there was room for one firm; now, for 10,000 firms. But the one firm that got on top isn’t going to let the market respond to changing conditions. It’s going to use its advantageous starting point to terrify potential entrants away.

Thus, my answer to the student’s challenge is that scale economies are weak now, but things used to be very different. States emerged at a time when markets were too small to sustain more firms. Over time, the economic rationale for monopoly has grown weaker and weaker. Competition could work now, if you gave it a chance. But the state doesn’t care about economic rationales. As long as it can credibly threaten to put new entrants in jail, its monopoly endures.

Bom para pensar em horas de relaxamento…

Claudio

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Na pele

No ótimo Escape from Hunger, tem um gráfico que mostra que a maior parte do gasto total em saúde é incorrido no último ano de nossas vidas. Solução do economista sem coração: dane-se o último ano (geralmente com uma péssima qualidade de vida para o paciente) e pronto. Os gastos caem e a perda de bem-estar será minúscula.
Bem, eu acreditava nisso. Ontem, deixei o RJ com a minha avó de 92 anos, no CTI, traqueostomizada e ligada em um respirador digital de último tipo.
Contudo, ela estava animadíssima e pediu – por gestos – que seu apartamento fosse pintado enquanto ela está no hospital.
Nessas horas, dane-se a lógica econômica míope. E daí se os gastos são altos nos últimos anos de vida? Quando é com a nossa avó, nada parece mais racional. Além disso, o desempenho recente mostra que ela ainda viverá por muitos anos.

Leo.

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Lei de Goodhart, nice to meet you

Deve ser um diploma de ignorância minha, mas eu nunca tinha ouvido falar da Lei de Goodhart. Ela diz que a partir do momento que uma variável seja escolhida como controle para uma política, ela deixa de representar o que deveria. Essa é uma daquelas idéias que todo mundo já sabia, mas nunca havia sido explicitada.
A idéia surgiu na economia monetária, mas acho que pode ser aplicada a outras áreas. Por exemplo, se o governo escolhe o IDH como alvo de política de desenvolvimento, os indicadores de matrículas na educação básica serão inflados. Dessa forma, a relação entre IDH e desenvolvimento colapsa.
Aprendi isso no Culture and Prosperity : The Truth About Markets – Why Some Nations Are Rich but Most Remain Poor . É mais um ótimo livro de Economia para as massas. Quer saber as credenciais do autor? John Kay é apenas o patrão do Tim Hartford no Financial Times.

Leo.

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