Desenvolvimento econômico

Quem ganhou com o embargo da ONU no Iraque?

Um bocado de brasileiros. Talvez porque, segundo a propaganda oficial, “o melhor do Brasil é o brasileiro”, claro.

Trechos:

Quatro indústrias de São Paulo, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, um grupo político (o MR-8) ligado ao PMDB paulista, dois empresários e um diplomata foram os beneficiários no Brasil do esquema de corrupção do governo Saddam Hussein, durante o programa de ajuda humanitária ao Iraque, mantido pela ONU entre 1996 e 2003.

(…)

Durante dois anos, uma comissão de investigação chefiada pelo ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos Paul Volcker reuniu provas de pagamentos ilícitos que chegam a um total geral de comissões de US$ 1,8 bilhão em petróleo e US$ 1,5 bilhão em máquinas e equipamentos, realizados por 2,2 mil empresas ao governo iraquiano. O inquérito foi encerrado em outubro e os documentos apresentados aos países que integram as Nações Unidas. O governo brasileiro recebeu os papéis, via Itamaraty. Nada fez, até a denúncia da Transparência Internacional.

As indústrias brasileiras Weg S.A., Randon Implementos, Valtra S.A. e Motocana S.A. pagaram subornos para vender máquinas agrícolas, veículos, pneus, motores e equipamentos elétricos ao Iraque, segundo demonstram documentos obtidos pela ONU no Iraque e em bancos da Europa e dos EUA.

(…)

Descobriu-se, também, que Saddam Hussein presenteou o Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8) — uma facção do PMDB de São Paulo —- com comissões de até US$ 0,30 por barril sobre a venda de mais de 6,5 milhões de barris de petróleo contrabandeado.

Então o Itamaraty demorou para agir e o MR-8 recebeu grana de um ditador. Um movimento de “resistência” à ditadura (alheia) recebeu, anos depois, ajuda de um ditador.

Como já foi dito pelo Gabeira, nas eras do governo militar, era a luta entre gente querendo endurecer o regime e uma esquerda que desejava implantar uma ditadura. E os vencedores é que contam a história, claro. Basta dar uma olhada na falta de critérios para se indenizar pessoas envolvidas direta ou indiretamente com gente que praticava tortura ou terrorismo para saber quem venceu.

Claudio

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