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Uma proposta modesta

Eis algo que o Instituto Liberal, o Instituto Liberdade ou mesmo o Instituto Federalista (ou qualquer outro instituto comprometido com a preservação da liberdade) deveria fazer no Brasil: vigiar os gastos do governo criando uma base de dados para que todos pudessem ter uma noção do que é desperdiçado em más políticas públicas.

Melhor do que apenas esbravejar contra o mau desempenho do governo é vigiá-lo e fiscalizá-lo.

Claudio

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Economia Brasileira

Primeiro Emprego? Conta outra…

Em ano de eleições, notícias como esta deveriam nos fazer pensar bem.

Um contrato de R$ 9,2 milhões implodiu uma das mais cativantes promessas eleitorais do candidato Luiz Inácio Lula da Silva e um dos principais projetos sociais do governo Lula. O documento assinado em setembro de 2004 estipula que o Ministério do Trabalho pagaria a dinheirama à Cobra Tecnologia – uma subsidiária do Banco do Brasil – para que fosse criado um software de gerenciamento do programa Primeiro Emprego, a começar pelo cadastramento dos jovens desempregados. Para justificar a escolha da Cobra, foram juntadas propostas de mais três empresas. Todas montadas: por trás delas, havia uma mesma pessoa, Patrícia Klavdianos, funcionária do Ministério do Trabalho.

De setembro de 2004 até agora, a Cobra já recebeu R$ 8,8 milhões, repassou parte dos recursos para a Compnet – empresa de Mato Grosso do Sul conhecida por servir ao governo de Zeca do PT –, mas ninguém sabe dizer onde está o software. O dinheiro foi desviado e o gerenciamento planejado não saiu, o que comprometeu as metas do programa.

O pagamento por um serviço jamais entregue foi descoberto após uma investigação deflagrada pelo próprio gabinete do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Por causa dessas apurações, na terça-feira 31, o secretário executivo do Ministério do Trabalho, Alencar Ferreira, bancário ligado ao presidente nacional do PT e ex-ministro da Pasta Ricardo Berzoini, foi exonerado.

Os envolvidos: i. o governo, ii. o Banco do Brasil, iii. ministros e governadores de um mesmo partido. Em outras palavras, a disputa interna de um partido já gera seus resultados práticos. É a boa e velha competição eleitoral gerando notícias.

Claudio

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Academia

Milton Friedman sobre o McCartismo e o livre mercado

Em 1962, escreveu Friedman:

Entirely aside from the substantive issues involved [in McCarthyism], and the merits of the charges made, what protection did individuals, and in particular government employees, have against irresponsible accusations and probings into matters that it went against their conscience to reveal? Thei appeal to the Fifth Amendment would have been a hollow mockery without an alternative to government employment.

Their fundamental protection was the existence of a private-market economy in which they could earn a living. Here again, the protection was not absolute.

(…)

It is of interest to note that a disproportionately large fraction of the people involved apparently went into the most competitive sectors of the economy – small business, trade, farming – where the market approaches most closely the ideal free market. (…) This illustrates how an impersonal market separates economic activties from political views and protect men from being discriminated against in their economic activities for reasons that are irrelevant to their productivity – whether these reasons are associated with their views or their colors. [Capitalism and Freedom, p.21]

E tem gente que faz discursos contra o mercado e por um governo mais forte. Quem costuma ser esquecido nestes discursos, claro, é o cidadão comum, o tal eleitor.

Claudio

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Academia

Análise de regressão, na prática

Interessante esta do Mahalanobis (um dos links fixos ao lado).


During World War II, in investigating aiming errors made during bomber flights over Europe, one of the research organizations developed a regression equation with several carriers (explanatories). Among its nine or so carriers were altitude, type of aircraft, speed of the bombing group, size of group, and the amount of fighter opposition. On physical grounds, one might expect higher altitudes and higher speeds to produce larger aiming errors. It would not be surprising if different aircraft differed in performance. What the effect of size of group might be can be argued either way. But few people will believe that additional fighter opposition would help a pilot and bombardier do a better job. Nevertheless, amount of fighter opposition appeared as a strong term in the regression equation—the more opposition, the smaller the aiming error. The effect is generally regarded as a proxy phenomenon, arising because the equation had no variable for amount of cloud cover. If clouds obscured the target, the fighters usually did not come up and the aiming errors were ordinarily very large.

Mudando de assunto, o nosso “Mahalanobis” tem uma excelente crítica sobre o radicalismo de alguns muçulmanos, na mesma linha da crítica de Postrel que citei abaixo. Estou aguardando pelas explosões e incêndios na porta da revista Rolling Stones…

Claudio

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Humor

Cowboy Gay: the original version :-)

Daqui a pouco vai ter brasileiro acusando Ang Lee de plágio.

Da coluna “Gente Boa”:

O ator José de Abreu, que faz o tonitroante Carlos Lacerda em “JK”, vem muy respeitosamente, em meio ao estardalhaço sobre o filme “O segredo de Brokeback Mountain”, requerer um título que julga lhe pertencer. Em 1980, dirigido por Carlos Hugo Christensen, filmou “A intrusa”, a história de dois caubóis gaúchos. Zé foi um deles. Com a desculpa da noite fria, os dois dormem juntos e acabam se beijando na boca. “Há 25 anos o Brasil já fazia filme de machão gay”, orgulha-se Zé, o primeiro de todos.

Eis o perfil do ator:

– Com quatorze anos muda-se para São Paulo e começa a trabalhar como assistente de laboratório e office-boy do Departamento Jurídico. Esse último cargo faz com que inicie, em 1967, a Faculdade de Direito na PUC.

– Freqüenta ensaios de Teatro no Tuca e se envolve com política estudantil, o que, com o AI-5, em 1968, força-o a ir para a Europa, só retornando em 1974, indo morar em Pelotas, RS.

– Nessa cidade, dá aulas de teatro na Universidade Federal local e colabora na montagem de várias peças teatrais. Já em Porto Alegre, produz shows de Rita Lee,Toquinho e Vinícius, entre outros.

– Estréia no cinema em 1968 no filme Anuska, Manequim e Mulher, mas é no filme A INTRUSA, de 1979, que ganha o prêmio de melhor ator em Gramado.

– Em seguida vai para a TV Globo e não mais sai, fazendo papéis memoráveis em novelas No cinema, faz quase vinte filmes, destacando-se Luz del Fuego (82), Luzia Homem (87) e O Cineasta da Selva (97).

Taí, na época da ditadura (opa), ironicamente focando a base natal de muitos presidentes fardados, muito antes de Ang Lee, nossos cineastas já ousavam. É, o melhor do Brasil é o brasileiro. 🙂

Claudio

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Desenvolvimento econômico

Quem ganhou com o embargo da ONU no Iraque?

Um bocado de brasileiros. Talvez porque, segundo a propaganda oficial, “o melhor do Brasil é o brasileiro”, claro.

Trechos:

Quatro indústrias de São Paulo, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, um grupo político (o MR-8) ligado ao PMDB paulista, dois empresários e um diplomata foram os beneficiários no Brasil do esquema de corrupção do governo Saddam Hussein, durante o programa de ajuda humanitária ao Iraque, mantido pela ONU entre 1996 e 2003.

(…)

Durante dois anos, uma comissão de investigação chefiada pelo ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos Paul Volcker reuniu provas de pagamentos ilícitos que chegam a um total geral de comissões de US$ 1,8 bilhão em petróleo e US$ 1,5 bilhão em máquinas e equipamentos, realizados por 2,2 mil empresas ao governo iraquiano. O inquérito foi encerrado em outubro e os documentos apresentados aos países que integram as Nações Unidas. O governo brasileiro recebeu os papéis, via Itamaraty. Nada fez, até a denúncia da Transparência Internacional.

As indústrias brasileiras Weg S.A., Randon Implementos, Valtra S.A. e Motocana S.A. pagaram subornos para vender máquinas agrícolas, veículos, pneus, motores e equipamentos elétricos ao Iraque, segundo demonstram documentos obtidos pela ONU no Iraque e em bancos da Europa e dos EUA.

(…)

Descobriu-se, também, que Saddam Hussein presenteou o Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8) — uma facção do PMDB de São Paulo —- com comissões de até US$ 0,30 por barril sobre a venda de mais de 6,5 milhões de barris de petróleo contrabandeado.

Então o Itamaraty demorou para agir e o MR-8 recebeu grana de um ditador. Um movimento de “resistência” à ditadura (alheia) recebeu, anos depois, ajuda de um ditador.

Como já foi dito pelo Gabeira, nas eras do governo militar, era a luta entre gente querendo endurecer o regime e uma esquerda que desejava implantar uma ditadura. E os vencedores é que contam a história, claro. Basta dar uma olhada na falta de critérios para se indenizar pessoas envolvidas direta ou indiretamente com gente que praticava tortura ou terrorismo para saber quem venceu.

Claudio

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