microeconomia

A hipótese Levitt do aborto: mais uma evidência

Quem leu Freakonomics deve se lembrar do capítulo “Onde foram parar todos os criminosos?”. Nele, os autores levantam uma – inusitada? – causa para a queda da criminalidade nos EUA dos anos 90: o aborto.

No início dos anos 90, precisamente quando a primeira leva de crianças nascidas após o caso Roe x Wade chegava à adolescência – época em que os jovens do sexo masculino atingem seu auge criminoso – , o índice de criminalidade começou a cair. O que faltava nessa leva, é claro, eram as crianças mais propensas a se tornarem criminosas. [Freakonomics, p.141-2]

Hoje resolvi retomar a leitura do livro “Gulag”, que mostra o quanto eu – e muitos de meus amigos – fomos ingênuos (e deveríamos agradecer a Gorbatchov, pelo menos pela boa vontade) quanto à tal URSS.

Na detalhada descrição dos campos de prisioneiros soviéticos, diz Anne Applebaum sobre os mafiosos nos mesmos:

Esse universo criminoso tinha raízes profundas na bandidagem da Rússia czarista, nas corporações de larápios e mendigos que, naquele tempo, controlavam os crimes de pouca monta. No entanto, essa cultura se disseminou muitíssimo mais durante as primeiras décadas do regime soviético, graças às centenas de milhares de órfãos – vítimas diretas da Revolução, da Guerra Civil e da coletivização – que haviam sobrevivido primeiro como crianças de rua e depois como bandidos.[Gulag, p.332]

Este exemplo não aparece no livro de Levitt e Dubner, mas é exatamente o que eles intuiram. Genial, não?

Aliás, os campos de concentração nazistas são filhotes destes campos soviéticos e, como todo filho, não é uma cópia exata do pai, mas apresentam, ambos características semelhantes.

The Nazis had known that programme [de campos de trabalho] in 1939-41 as Soviet allies, if not earlier, and after their attack on the Soviet Union in June 1941 they grew more impressed than ever by the sheer scale of its camp system, in evidence gathered mainly from escapes: so much so that Nazi camp commandants were sent detailed reports, [Rudolf] Hoess recalled, admiring above all the Soviet readiness to destroy whole categories of people through forced labour… [George Watson, The Lost Literature of Socialism, p.84]

Governos podem intervir na vida de todos quando todos permitem isto. Mas esta intromissão pode ter medonhos formatos, similares, mesmo sob idiomas distintos. É a tal necessidade histórica que um parente meu dizia justificar o grande salto maoísta.

Claudio

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Blogs de economia

Blogoseira endógena

Hoje eu postei um link para a manifestação do pessoal do “Capitalist Solutions in Hong Kong” neste blog. Agora, a parte interessante: alguém enviou a eles o link do nosso blog (desconfio de meu amgio português do Pura Economia) e eles fizeram um outro post sobre isto, chamado: “a verdadeira rede mundial” (Truly a World Wide Web).

Bem, aqui estou eu agradecendo e criando novo link. 🙂

Só para constar, o meu co-blogeiro, o Leo (que não deve ser confundido com meu irmão, também Leo), eu o conheci pela internet, há anos. Graças a ele, arrumei estadia provisória em Porto Alegre quando precisei me mudar para lá, até alugar um apartamento.

Sim, é uma verdadeira rede esta da internet.

Claudio

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Desenvolvimento econômico

O eixo do neo-nazismo?

Por esta eu não esperava. Tá bom que ele adora adular iranianos linha-dura, mas isto não é, definitivamente, bonito.

ON CHRISTMAS EVE, Venezuela’s President Hugo Chávez’s Christian-socialist cant drifted into anti-Semitism. “The world is for all of us,” he said, “then, but it so happens that a minority, the descendents of the same ones that crucified Christ, the descendents of the same ones that kicked Bolivar out of here and also crucified him in their own way over there in Santa Marta, in Colombia. A minority has taken possession all of the wealth of the world . . . “

Logo o admirado líder bolivariano…que coisa feia…

Claudio

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Mundo estranho

Deu em O Globo:

Chapinha pubiana

Um salão de beleza de Botafogo está oferecendo às suas clientes o serviço da chapinha pubiana. Trata-se do alisamento capilar, que já é notório na parte de cima, agora aplicado abaixo da linha do Equador. Tem sido um sucesso.

(Cara leitora, aí vai um conselho: não faça. Se fizer, avise seu parceiro de antemão. De outra forma, ele terá um acesso de riso incontrolável)

Leo

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Uncategorized

Você se lembra…

…daquelas conversas de que, ao contrário dos brasileiros, os americanos eram safados porque as empresas que mais teriam financiado Bush teriam ganho mais contratos de obras no Iraque? Nunca se provou nada e, provavelmente, nada será provado no Brasil, na operação Tapa-Buracos.

E não sou eu quem diz. É o SSoB, conhecido bastião da esquerda aeróbica.

Quem diria… (li em algum lugar, sem ironias, que o antigo chefão da Casa Civil se elegeu com contribuições de empreiteiras, embora nada conste aqui)

Nunca a Escolha Pública mereceu tantos aplausos. 🙂

Claudio

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microeconomia

Como os incentivos afetam a poluição e sua privacidade

Então você acha que este negócio de ficar um dia sem dirigir pode ajudar a diminuir a poluição em sua cidade. Ao mesmo tempo, você acha que um aumento no preço da gasolina seria um incentivo melhor. E aí?

Aí você pensa em outras soluções, para complicar a vida do leitor deste blog. Se você for um sul-coreano de Seul, você pensará no seguinte: benefícios tributários para os motoristas que participarem, semanalmente, do “No Driving Day” (este é o nome na cidade de Seul). Como é que isto funcionaria? Você teria de instalar uma espécie de GPS no automóvel. E o incentivo? Veja:

From Jan. 19, the city government will grant the participants a 5 percent discount in automobile taxes and a 2.7 percent discount in auto insurance fees, under an insurance program provided by Meritz Fire & Marine Insurance.

To receive the financial benefits, drivers will be required to attach a sticker embedded with an electronic tag, which will be distributed by ward offices, on the front window of their cars.

The electronic tags, enabled with radio-frequency identification (RFID) technology, will broadcast information from the cars to readers the authorities have installed at major traffic points in the city.

If a driver is caught using his car more than twice a year on days he shouldn’t have, the city government and Mertiz Insurance will retract all financial benefits.

Interessante, não? Obviamente, a preocupação dos sul-coreanos é com a sua privacidade, o que é uma boa evidência de liberdade é um valor universal, embora muita gente (que foi, ironicamente, vigiada, perseguida e presa durante o governo militar) diga que não.

Gosto da idéia porque ela nos força a pensar em um outro tipo de incentivo que não o simples dilema entre aumento de impostos e o “No Driving Day”, além de tornar inevitável a endogeneização da vida privada das pessoas nas considerações de política pública: burocratas adoram criar medidas que “quebram o sigilo” de qualquer pessoa, sem se preocupar com a liberdade individual. A política proposta pelo governo de Seul mostra que não é tão simples assim.

Palpites?

Claudio
p.s. A proposta me faz lembrar o sistema de incentivos em Cingapura. Além disso, o aluno de Economia já deve ter visto que estradas – privadas ou públicas – e – congestionadas ou não – podem ou não caracterizar bens públicos.

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