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Programa de Comanche

Cumpri o clichê do turista. Passei o Ano Novo em Times Square. Quero dizer, tentei passar. A polícia daqui tem um procedimento – deveras estranho – de bloquear a passagem das pessoas por quarteirão. A galera vai se acumulando, se acumulando, e , as vezes, eles liberam a passagem umas dezenas. O resultado: você vai avançando de pouquinho em pouquinho, mas sempre no aperto e no empurra-empurra. Um saco.
E transmitem tudo por um telão sensacional. Mas sem som. Tudo isso na aprazível temperatura de -3 graus.

E vale lembrar que durante todas as 3 horas que estive por lá, ninguém resvistou minha mochila, nem de ninguém. Prato cheio para os Al-Qaeda boys.

Caramba, nunca pensei que ia dizer isso, mas deu saudades da polícia carioca. Eles só fazem lambança nos outros 364 dias, mas no Réveillon aplicam técnicas melhores do que a NYPD. Ou seja, não fazem nada e deixam as pessoas decidirem para onde ir. A polícia americana tenta controlar tudo, mas estraga a festa. Viva a incapacidade da Polícia Carioca! 🙂

Leo.

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Qual a melhor cidade do mundo?

O Tyler Cowen está doido por Buenos Aires. Penso cá com os botões do meu notebook, não será que ele está se deixando levar pelo câmbio?
Ok, Buenos Aires é uma baita cidade, mas eu não a colocaria como a minha predileta. O câmbio desvalorizado vai com que ela seja uma das metrópoles mais baratas do mundo.
Quando estive no Peru-Bolívia, em 1997, eu adorei. Afinal, lá eu era rico e podia comer nos melhores restaurantes e não me preocupar com os preços. Aqui nos EUA – contudo – eu como a comida mais barata que houver e faz 3 meses que não vou ao cinema.
O meu ponto é o seguinte: os julgamentos sobre os quais são as melhores ou piores cidades deveriam lembrar que as diferenças de bem-estar decorrem apenas de afastamentos do câmbio PPC.

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Desenvolvimento econômico

Ucrânia, Putin e a Doença Holandesa

Esqueça a gripe aviária, leitor. O negócio é o futuro do seu carro flex-power com motor a gás. Eu, graças a Deus, não tenho carro assim e, se depender do Putin, continuarei não cogitando em comprar um destes por alguns anos. O problema já ficou tão sério que o governo alemão já se queixou:

A Alemanha alertou à Rússia nesta segunda-feira que a decisão unilateral de reduzir o fornecimento de gás para a Ucrânia pode afetar as relações econômicas de Moscou com o Ocidente.

O gás natural é abundante na região da ex-URSS, o que levaria o Leo, meu amigo e co-blogeiro a invocar um de seus mantras favoritos: a doença holandesa. Mas talvez o argumento mais adequado seja o de Lam & Wantchekon que, em Dictatorship as a Political Dutch Disease, desenvolveram um modelo no qual

We present a model to explain why natural resource windfalls tend not only to lead to slower economic growth but to generate and reinforce authoritarian tendencies in Third World political regimes. In the model, the political elite’s power over the populace is derived both from its own wealth and its control over the process of rent distribution among members of the populace (distributive influence). We show that resource windfalls enhance the elite’s distributive influence. An increase in the elite’s distributive influence generates hegemonic political regimes and exacerbates the decline of the economy. We present wide-ranging empirical evidence to support our theoretical insights. [Fonte: aqui]

Putin tem sido criticado pelo seu autoritarismo e por tentativas de minar a competição política. Além disso, a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) que substituiu a URSS não me parece uma região com direitos de propriedade bem definidos em termos dos recursos naturais. Basta lembrar dos separatistas da Chechênia e os conflitos entre algumas das ex-repúblicas em torno de questões que sempre envolvem realocações territoriais (veja também este link).

Não parece uma típica doença holandesa política?

Claudio

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Humor

Tem gente que pensa, mas não muito (off-topic, mas é bom denunciar o ódio)

O que você diria se ouvisse esta letra de música?

Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa do Brasil
Eu fico puto/Eu fico louco/Eu fico logo mordido/Porque se fosse um latino-americano eu já não ia gostar/Mas o pior é o cara quando cisma de usar/Uma jaqueta ou uma camiseta com aquela estampa/D’aquela porra de bandeira verde amarela e branca!/Eu não suporto ver aquilo no peito de um estrangeiro/Me dá vontade de manchar tudo de vermelho
Vermelho sangue/Do sangue do otário/Que não soube escolher a roupinha certa no armário/E saiu de casa crente que tava abafando/Eu vô tentar me segurar mas eu não tô mais agüentando!!

Ok, é feia. É violenta, digo mais, incita a agressividade e a xenofobia contra nós. Alguém, no Haiti (ou na Argentina) poderia se sentir ofendido com esta letra (uns integralistas adorariam).

O mais triste é que não é esta a letra real, e sim esta:

Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos/Eu fico puto/Eu fico louco/Eu fico logo mordido/Porque se fosse um americano eu já não ia gostar/Mas o pior é brasileiro quando cisma de usar/Uma jaqueta ou uma camiseta com aquela estampa/D’aquela porra de bandeira azul vermelha e branca!/Eu não suporto ver aquilo no peito de um brasileiro/Me dá vontade de manchar tudo de vermelho/Vermelho sangue/Do sangue do otário/Que não soube escolher a roupinha certa no armário/E saiu de casa crente que tava abafando/Eu vô tentar me segurar mas eu não tô mais agüentando!!

Depois de descobrir isto, eu confesso: fiquei louco de vontade de comprar uma camisa com a bandeira dos EUA e mostrar ao mundo que neste país não tem apenas estes Le-Pen‘s latinos.

Claudio (e lembre-se: o pior do Brasil também é o brasileiro)

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Desenvolvimento econômico

Mais crescimento econômico, mais fé

Eis um argumento que fará SSoB e o Cristaldo ficarem nervosos, e alguns outros sorrirem…mas não pelos argumentos que normalmente usam, quase sempre calcados em algum valor moral ou discussão sobre darwinismo e “Design Inteligente”.

Trata-se deste texto para discussão de Michael McBride.

Basicamente, seu argumento é o de que as análises sobre o problema são restritas apenas ao lado da demanda.

“According to Bruce (2002), a secularization theory proponent, “The more pleasant this life, the harder it is to concentrate on the next. The more satisfying being human, the harder to be mindful of God” (25). Economists would phrase the same idea di􀁧erently: an increase in wages due to economic growth increases the marginal cost of religious participation, thereby leading individuals to switch from religious activities into private activities with higher economic returns [Iannaccone (1998)]. However, this demand side logic ignores other aspects of the religious market that counter this dynamic. For example, economic growth can decrease the cost of supplying religious services thereby increasing religious supply; a denomination, like other organizations, can change formal doctrines and policies, political stances, or behavioral codes to partially accommodate changes in demand [Clark (1956)];and, as denominations compete for “clientele” in the religious market, market forces may compel them to cater to various segments of the religious market, thus increasing religious pluralism [Finke and Stark (1992)]. Understanding the impact of economic growth on religion thus requires an examination of the various ways it affects both the demand and supply sides of the religious market.

Como o lado da oferta afeta o grau de secularização da economia?

Regulated markets will remain much more secularized, while open markets may retain high levels of religious pluralism.

Tenho alguns amigos bem religiosos (e outros que não conheço pessoalmente, mas apenas pela internet) e alguns deles são economistas. O que será que eles pensam deste artigo?

De qualquer forma, McBride tem um grande mérito: tornou a discussão menos normativa e muito mais interessante. Ou você acha que é “intuitivo” pensar na estrutura do mercado de religiões como determinante do grau de secularização (ou de seu oposto: religiosidade) numa sociedade?

Claudio

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