A face dos exploradores dos EUA


Fonte: esta.

Não acredita? Então leia esta notícia. Pois é, 90% das lojas de donuts da California são de….cambojanos. Agradecemos a Pol Pot por gerar tanto medo e fuga e ao governo dos EUA por – na época – ser tão generoso com os imigrantes.

A dica, claro, foi do livro da Virginia Postrel, já citado.

Claudio
p.s. a foto é de outra cambojana, de Seattle, mas mostra o que a terrível globalização fez: excluiu. Excluiu gente dos campos do Khmer Vermelho e as levou para os EUA, onde abriram suas lojas e trabalharam.

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Importando idéias

Você, leitor(a) deste blog, provavelmente adoraria ler “The Future and its Enemies” de Virginia Postrel. Após anos de indecisão, resolvi, finalmente, comprar o livro. Li apenas o primeiro capítulo, mas acho que é uma excelente leitura complementar para disciplinas relacionadas ao “Desenvolvimento” em cursos de Economia.

Como sempre, minha leitura incorpora alguns dos temas que mais me perseguem – não por minha culpa – no dia-a-dia. Um deles é ouvir o argumento mais rasteiro contra, digamos, o modelo IS-LM (poderia ser a teoria do consumidor). Eu o chamo de argumento bolivariano em homenagem ao xenófobo mais famoso da era MTV: Chàvez.

Em resumo – e ignorando 10 anos de produção profícua de artigos da economia neo-institucional – o argumento bolivariano diz o seguinte: não podemos importar teorias estrangeiras para analisar a realidade brasileira.

Por que? Não sei. Nunca entendi. Só explico isto como um protecionismo que favorece o poder de quem detém o monopólio da explicação, se é que isto se sustenta por muito tempo, em ciência (*).

Volto à Virginia.

Em seu primeiro capítulo, a autora discute o que poderíamos chamar de mentalidades pró e contra o desenvolvimento. É uma péssima definição, eu sei, porque não é simples resumir este capítulo tão bem escrito de maneira rápida, mas vamos lá, qualquer coisa você (compra e)lê o livro.

Lá pela página 21, você fica sabendo de um tal Port Huron Statement, da “Nova Esquerda”. Em Economia, muitos que abraçam alegremente o argumento bolivariano estão nesta canoa ideológica. O que dizia esta declaração?

“…demanded that ‘decision-making of basic social consequence be carried on by public groupings’ and, more specifically, declared ‘that the economy itself is of such social importance that its major resources and means of production should be open to democratic participation and subject to democratic social regulation’.

E aí, a autora, contrastando a posição da “New Left” com a visão tecnocrática, diz:

“Both positions flatly reject the idea that social or economic evolution should proceed through decentralized trial and error. Both demand central control. Unlike traditional technocracy, however, they locate that control in vaguely defined ‘public groupings’ and ‘democratic participation’ rather than in agencies and experts”.

O primeiro parágrafo reproduzido acima bem poderia ter sido escrito por um dos defensores do chamado “Orçamento Participativo”, mantra repetido ad nauseam por militantes da esquerda brasileira.

Aí é que vem a ironia: como fica o argumento bolivariano no caso da proposta da esquerda? Como a idéia foi “importada”, também deveria ser rejeitada. O aspecto maquiavélico do argumento bolivariano é que ele só rejeita a troca de idéias para o outro, não para si mesmo. Assim, economistas não deveriam ter acesso aos artigos publicados na fronteira do conhecimento – o que os empobrece no debate – mas os bolivarianos, eles mesmos, podem ter acesso à literatura estrangeira.

É o bom e velho jogo sujo que alguns adoram usar em debates…

Ok, não é preciso ser um gênio para perceber que existem argumentos e falácias, e que muita gente usa mais um do que o outro para tentar ganhar uma discussão. Mas o livro da Virginia Postrel vale a leitura. Ela não é economista mas tem um bom senso da lógica que usamos para analisar trocas.

Sua leitura não serve apenas para mostrar a mesquinharia dos intelectuais. É muito útil para se pensar problemas mais gerais do desenvolvimento, incluindo a análise da regulação, aspecto que o governo atual não valoriza muito e cujo modelo necessita, constantemente, de reformas e novas reflexões.

Afinal, é na regulação de aspectos de sua vida que os caras ganham dinheiro. Não acha que vale a pena conhecer bem as consequências das ações deles sobre sua vida?

Claudio

(*) Um amigo meu, hoje, lecionando no exterior, dizia que não entendia a crítica à Economia feita por alguns de seus pares. Em palavras mais ou menos dele, dizia: “Claudio, olha para qualquer capa da American Economic Review (a revista mais odiada pelos bolivarianos da Economia) e veja a diversidade de temas”! E ele tem razão. Lembre-se de Freakonomics…

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Federalistas

O Partido Federalista e seu braço de pesquisas, o Instituto Federalista, avançam, aos poucos, na realidade do brasileiro. Creio que pouca gente sabe o que é o federalismo e quais as propostas do PF.

Minha torcida é para que o PF consiga sucesso similar aos colegas da Costa Rica, mantendo um grau de não-corrupção distinto do restante dos partidos. Também torço para que o IF tenha uma área de pesquisas de alto nível, distinto do que se vê por aí.

Acompanho a trajetória deste pessoal há anos – acho que desde 1994 ou 1995 – e parece que, em breve, veremos candidatos federalistas em processos eleitorais.

Um dos articulistas do IF está divulgando a idéia do “Marketing Order”. Confira aqui. Aparentemente, esta proposta não é muito compatível com o liberalismo que muitos federalistas brasileiros abraçam. Por que? Eis um exemplo aqui.

Claudio

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Fidelidade importa (o processo evolutivo encontra as normas religiosas sobre o casamento)

Esta é boa para os evolucionistas lembrarem que nem tudo que vem da religião é isento…de aspectos evolucionários. Tudo bem, não sou o Batman, mas não duvido que haja efeito similar – a ser descoberto – nos seres humanos, a terceira raça mais inteligente da Terra, segundo Douglas Adams.

Machos trocam inteligência por maior potência sexual

RIO – A maior potência sexual dos machos pode ter um preço bastante salgado: um cérebro menor do que a média. Pelo menos é o que ocorre com morcegos, segundo estudo realizado pelo biólogo Scott Pitnick, da Universidade de Syracuse. O estudo revelou que entre as espécies em que as fêmeas são mais promíscuas, os machos têm testículos maiores e menores cérebros. Ao contrário, entre as espécies em que as fêmeas são fiéis, os machos apresentam testículos menores e cérebros maiores. Isso ocorre porque se a fêmea tem vários parceiros, leva vantagem evolutiva o macho que consegue ejacular a maior quantidade de esperma.

Em outras palavras, talvez tenhamos criado a fidelidade como uma resposta evolucionária a algum fenômeno similar ao que acontece com os morcegos (por outro lado, como o Batman nunca se casa e só anda com o Robin…:-) ).

Claudio

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Obesidade por vírus

Ainda bem que os distorcidos documentários do tipo “oversize me” não foram levados mais a sério do que deveriam. Senão, descobertas como esta não teriam sentido.

Este é o grande dilema dos reguladores: ao mesmo tempo em que desejam controlar, devem sempre se lembrar de que o futuro é incerto e pode sempre nos trazer novidades nem sempre favoráveis às nossas teses. Fica difícil até de justificar coisas como: “mas eu salvei X vidas hoje com o método Y, ao invés de ficar parado”. Afinal, basta uma descoberta de que o método Y mata N – X, onde N > X para tudo ir por água abaixo.

Moral da história? Bem, a regulação deve se pautar em métodos que permitam o processo de descoberta por erros e acertos dos indivíduos, dentro de normas gerais cujo “design” deve ser tal que o processo não nasça morto.

Difícil, certamente, mas necessário.

Claudio

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Papai e mamãe ainda são os mesmos

A tecnologia tem alterado os custos de oportunidade de muita gente. O microondas, por exemplo, livrou homens de escolherem parceiras sexuais apenas por questões de alimentação e também liberou mulheres de se ocuparem apenas de atividades relacionadas à cozinha.

Ok, acho que ninguém discorda disto. Mas, se assim o é, porque se verifica uma divisão de papéis entre pais e mães constante ao longo do tempo? Este artigo, de alguns psicólogos, usando análise fatorial, apenas arranha a questão. A amostra é limitada (100 famílias e apenas de Porto Alegre), e os autores não avançam muito além da análise de “cluster”.

Por exemplo, pode ser que mulheres e homens mantenham a tradicional divisão do trabalho por motivos que não foram captados pelos questionários aplicados. Veja-se, por exemplo, este trecho:

A amostra pesquisada de 100 casais apresentou características sócio-bio-demográficas que indicam um grupo de sujeitos, na sua maioria, católicos, de nível sócio-econômico-cultural médio da população brasileira. Nesse sentido, o fenômeno aqui investigado está circunscrito em um contexto definido por casais em que 90% dos homens e 69% das mulheres trabalham fora, sendo que os homens têm melhores ingressos -econômicos, maior nível de escolaridade e passam menos horas com seus filhos que as mulheres. A maioria dos casais entrevistados está de acordo que sua relação conjugal é satisfatória e tem grande importância no desempenho de suas tarefas educativas enquanto pai e mãe. Provavelmente, essa informação explica em alguma medida o fato de 60% dos entrevistados sentirem-se cúmplices na relação de coparentalidade.

Se 90% dos homens e 69% das mulheres da amostra trabalham fora, já é de se esperar que menos homens participem mais ativamente da educação dos filhos. Além disso, um bom controle seria o dos salários de cada um dos membros do casal. Pode ser que parte dos 90% dos homens ganhe menos que suas parceiras.

Enfim, várias variáveis podem alterar as conclusões do estudo. A pergunta dos autores é interessante, mas fiquei com a sensação de que talvez falte um pouco mais de psicometria no trabalho com os dados.

Claudio

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Mercados “everywhere”

Esta é boa: um site promove o flerte no trânsito.

50-67% of all motorists flirt in traffic.
Now you can meet them!!

Flirting in Traffic is kind of like internet dating in reverse! Rather than looking at photos and reading profiles, you already met the person out on the street somewhere! You see their bold maroon sticker, remember their “Flirting ID” and then come here to meet up! It’s that simple, and yes, it’s that cool!! Your “Flirting ID” sticker, put together with a profile and registered e-mail address are all you need to make flirting in traffic a lot more fun! Your “Flirting ID” sticker will arrive at the address you enter, within 5 days!

Eis aí um bom motivo para comprar um carro e também para se fazer um bom seguro. 🙂

Claudio

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Clipping matinal

* Economia do Conflito, na vida real: Warlords na Palestina.

* Nem sempre o bandido tem um final feliz.

* Iranianos na berlinda.

* Periferia espertinha explora centro capitalista.

* Jayson Blair, Lourival Sant’Anna e o mundo dos jornalistas mentirosos.

* Economia do Conflito na prática: o papel do Estado no tráfico de armas (não é à toa que queriam te desarmar….é o sonho do monopolista 🙂 ).

Claudio

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Pelo que morreram os estudantes mineiros no Peru?

Por isto: “socialismo ou morte”.

Cada um morre pelo que quer. Se bem que alguns morrem porque outros pensaram assim. E, claro, outros morrem acidentalmente.

Por outro lado, outro Fórum deve aparecer por aqui, mas eu espero mesmo é pelo Forum da Liberdade, do IEE, este ano.

Claudio

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Carta ao editor

Don Bodreaux e Andrew Morris começaram um blog interessante: Market Corrections. O conteúdo? Cartas que eles enviaram aos editores de jornais corrigindo erros nas matérias de Economia.

Que tal fazer algo similar aqui? Há certos jornalistas e articulistas que tentam te chantagear quando você os critica (é sério). Nossa imprensa é livre, mas há certos pretensos “estrelões” que se acham acima da lei e da ética.

De qualquer forma, gostei do blog.

Claudio

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Milícias estatal-privadas e criminosos

Esta o pessoal pró-desarmamento não nos contou na época da campanha. O interessante – e preocupante – é que policiais também são membros destas milícias, o que nos permite dizer que o sonho da interação público-privada acalentado por tantos é um pesadelo. ONGs, acordem: é melhor ajudarem a recuperar a polícia e pensar no mercado de segurança privada, ao invés de achar que a solução “emerge das comunidades”, claro, sob “suas idéias (das ONGs)”.

É hora de não ter medo de ser feliz e pensar em como funcionaria um verdadeiro mercado privado de segurança. Ele já existe, só que todo cheio de falhas geradas pelo governo (afinal, policiais são membros do governo…e possuem porte legal de armas de fogo). Regulamentá-lo não é apenas jogá-lo na ilegalidade ou achar que policiais benevolentes conhecem alguma função de bem-estar social. Menos normativismo, mais ciência. Por favor.

Claudio

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Fé versus ciência

Ok, então um ateu resolveu levar a existência de Jesus a um tribunal.

O acusador Luigi Cascioli, um ateu, diz que a Igreja católica está enganando as pessoas há 2.000 anos com a fábula de que Jesus existiu e acusou o padre de violar duas leis ao transmitir a notícia.

Mas, espere, por que só a igreja católica? E os luteranos? Os anglicanos? Batistas?

A Economia da Religião é um ramo mais divertido. Ao invés de processr alguém pela existência de algo que cientificamente não pode ser testado, a gente tenta ver o impacto da religião no desenvolvimento econômico. Certamente mais tranquilo.

Claudio

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As perversões (sim, “perversões”, não “previsões”) de um economista japonês famoso

É sério. Leia a coisa toda.

Eis algo aqui:

Former Waseda University graduate school professor Kazuhide Uekusa, who has been convicted of using a mirror to look up the skirt of a high school girl, has been hired to teach at another university.

Officials at Nagoya University of Commerce and Business said on Wednesday that they would invite Uekusa to the school’s graduate school as a visiting professor.

Uekusa, 45, will lecture on “national economic strategy.”

Yeah! Que “Estratégia Nacional” ele ensina eu não sei, mas nada melhor para ilustrar o “modelo desenvolvimentista japonês”! 🙂

Claudio
p.s. Sim, japoneses são tarados desde 1820, pelo menos.
UPDATED p.s.2. Ele tinha até um livro de economia publicado.

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Um outro mundo é possível…só que cheio de baixinhos

Instituições importam? Vejamos o exemplo do socialismo real (AKA “comunismo”) comparativamente ao capitalismo real (AKA “economia com intervenção estatal e algum mercado”).

O estudo é do prof. Sunyoung Pak está na Economics and Human Biology, 2/2004, e o abstract diz…

Height data of North Korean escapees are analyzed to assess changes in their biological standard of living. In contrast to the population of South Korea, as well as to that of most of the rest of the world, North Koreans did not experience an increase in physical stature during the second half of the 20th century. The divergence between the height of North- and South-Koreans began among the birth cohorts of the late 1940s and became increasingly pronounced thereafter. This is an indication of the adverse socio-economic circumstances prevailing in the northern part of the Korean peninsula.

Curiosamente, quando a briga é entre pessoas sob instituições similares no que diz respeito ao mercado, temos, do prof. Kelly Olds (mesma revista, 2003/1):

This paper presents evidence on the biological standard of living in Taiwan from 1842 to 1931 using Taiwanese height and weight data collected by the Japanese authorities from 1921 to 1931. This study shows that in the late Ch’ing adult heights were not increasing over time, while the adult heights of those born after the Japanese takeover did begin to increase rapidly. Evidence from children’s heights confirms that this growth in height continued through the 1920s. The body mass index of Taiwanese, however, did not increase in the 1920s. By most measures, the biological standard of living was better in the north of the island. Comparison with modern data shows that heights have continued to increase.

Mostre ao seu professor de “Sistemas Econômicos Comparados”.

Referências

Kelly B. Olds, The biological standard of living in Taiwan under Japanese occupation. Economics and Human Biology 1 (2003) 187–206

Sunyoung Pak, The biological standard of living in the two Koreas. Economics and Human Biology 2 (2004) 511–521

Claudio

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Ficção ou não ficção?

Durante a minha temporada americana o James Frey era onipresente na mídia. Ele escreveu um livro contando seu drama como viciado e vendeu 3 milhões de exemplares. Depois descobriram que quase tudo era lorota. Ao que parece, vender ficção como memórias é muito comum. O sujeito tenta sucesso como ficcionista. Se não cola, ele vende o livro como uma autobiografia e vira um sucesso.

A minha pergunta é: por que preferimos não-ficção? Ou melhor, por que ficamos indignados quando sabemos que um suposto memorialista é – na verdade – um grande ficcionista. No fundo, não deveria fazer diferença, não é? Afinal, ficção ou não ficção não passam de letras impressas no papel que nossa fertil imaginação transforma em emoções.

Minha explicação para o fenômeno é darwinista. Quando chegava a noite e alguém do nossso bando contava como fugiu de uma onça perto da cachoeira, era muito importante saber se isso era verdade ou não. Afinal, nossa vida estava em jogo. Se ficasse claro que era apenas um causo, não tinha problema. Era preciso apenas que ficasse clara a distinção.

Hoje, isso não faz diferença, mas guardamos essa característica de abominar lorotas engarrafadas como Verdade.

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