Estado e Sociedade

Da Intervenção do Estado na Economia (itens para uma história dos campos de concentração)

Pérolas do comunismo soviético:

Da entrada de um dos lagpuntks, “pendia um arco-íris de compensado com uma faixa por cima, na qual se lia que ‘Na URSS, o trabalho é questão de honestidade, honra, bravura e heroísmo!'”. Numa colônia de de trabalho (…), Barbara Armonas foi acolhida com esta faixa: “Com trabalho honesto, saldarei meu débito para com a pátria”. Chegando em 1933 a Slovetsky (que se tornara prisão de segurança máxima), outro preso viu um aviso que dizia: “Com mão de ferro, conduziremos a humanidade à felicidade!” Yuri Chirkov, detido aos catorze anos, também deparou com um aviso em Solovetsky: “Por meio do trabalho, a liberdade!”, slogan que é tão contrangedoramente parecido quanto possível com o Arbeit macht frei (“O trabalho liberta”) que se via sobre os portões de Auschwitz. [Anne Applebaum, Gulag, Ediouro, p.221]

A tradição do marketing político vem de longe…

Ditaduras são indefensáveis, claro. Mas o (de)mérito dos campos é soviético. Nazistas decidiram por exterminar judeus em 1942. Contudo, segundo nos esclarece George Watson, em The Lost Literature of Socialism (1992, The Lutterworth Press), nazistas já conheciam o esquema soviético de trabalhos forçados em campos de concentração desde a época em que se aliaram (1939-41).

Azar mesmo teve Margarete Buber-Neumann, uma comunista alemã. Ela esteve em campos de concentração nazistas e soviéticos.

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Desenvolvimento econômico

Ainda a China

Recentemente, li James D. Hamilton fazer as seguintes perguntas (tradução livre): (1) como pôde a demanda chinesa por petróleo aumentar 17% em 2004 quando o preço do petróleo bruto aumentou 35%; (2) como foi possível esta demanda ser reduzida, subitamente, para 1.4% na primeira metade de 2005, quando o PIB chinês cresceu 9.5% (…)”.

As questões levantadas pelo grande econometrista são pertinentes. E elas têm tudo a ver com o post anterior do Leo, meu co-blogeiro, sobre a veracidade dos números oficiais da China. Afinal, a revisão dos números é brutal: a queda da demanda estimada é demasiada. Hamilton chama a atenção para uma análise que relaciona esta estranha mudança com a forte presença estatal na economia.

Não ajuda muito quando comunicados importantes são tão obscuros como este do presidente do Banco Central chinês.

Claro, sendo uma ditadura, não seria de se esperar outra coisa: analistas acham que o problema de mensuração é político.

Claudio

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