Estado e Sociedade

O que acontece quando a política substitui a economia de mercado nas alocações de recursos escassos?

“Durante o lamentável episódio da caça ao boi-gordo, durante os momentos finais do Plano Cruzado, os jornais trouxeram uma foto de um dos indisciplinados pecuaristas acusados de sabotar o Plano Cruzado, e sujeitos à ‘busca e apreensão’ de seus bois, aparecendo ao fundo a delicada estampa de um computador Macintosh. Conta-se que o referido empresário teve mais dificuldade com as tropas da SEI, pois o Macintosh não tinha registro, que com as tropas da Sunab”. [Gustavo H. B. Franco, O Desafio Brasileiro, p.106, n.29]

Querem ouvir outra?

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Política monetária

O BC diz que segue a Regra de Taylor “A”, mas o mercado crê na Regra de Taylor “B”

Não adianta chorar. Credibilidade não surge do nada. No caso do Banco Central, a forma como ele se comunica com o mercado é vital. O pequeno artigo de Robson Rodrigues Pereira – baseado em sua dissertação de mestrado – aprofunda um pouco mais a questão. Não conheço o rapaz, mas devo parabenizá-lo: ao invés de ficar sentado, pensando no problema de que os dados não existiam, ele pôs-se a trabalhar e me saiu com um questionário para o mercado, sobre o Banco Central Brasileiro (BC ou BCB). Os resultados são interessantes e aí vão alguns deles (a média é de 6.92).

Acima da média

1. “tem comprometimento com a estabilidade de preços” (8.51)
2. “possui uma equipe com elevado grau de expertise” (8.23)
3. “é comprometido com transparência” (7.18)
4. “adotou as práticas mais modernas de gestão da política monetária” (6.92)

Abaixo da média

5. “tem autonomia em relação às esferas políticas de poder”(6.54)
6. “tem preocupações com a flutuação do nível de produto/atividade” (6.03)
7. “toma decisões coerentes com a sinalização previamente emitida aos mercados” (5.87).

Conclusão: se o BC segue alguma regra de Taylor, pode até fazê-lo com competência e dizer que o faz com pesos idênticos para a meta de inflação e de hiato do produto. Mas não está convencendo muito não…

A propósito, amanhã tem COPOM…

Nota: Os dados originais estão em um texto neste link.

Claudio

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Economia Brasileira

Superávits comerciais

Já notou o quanto parece contraditório que empresários se queixem do câmbio e, ao mesmo tempo, a balança comercial alcança saldos recordes sucessivos?

Evidentemente, há alguma verdade nisto. Superávits na balança comercial não são sinônimos de “coisa boa” e vice-versa. Se fossem tão bons assim, empresários não reclamariam, certo?

Um ponto é o de que a rentabilidade das exportações tem sido prejudicada pela taxa de câmbio valorizada. Mesmo assim, os saldos continuam dando largos – e mais altos – saltos.

Outros dizem que isto é apenas por causa da economia mundial. Ué, então isso é ruim? “Estamos a reboque da economia mundial”. Ok, tal como um empresário está a reboque da demanda por seu produto.

Bom, não vou ficar muito tempo tentando argumentar sobre isto. Mas acho que você concordará com alguém que diz que: “É muito perigoso quando as autoridades responsáveis pelo comércio exterior de um país elegem uma falácia como objetivo de governo. Perigoso porque pode implicar em encharcar os exportadores de benesses artificiais e caras para o contribuinte, e/ou em medidas protecionistas que machucam o consumidor”.

Quer saber quem escreveu isto? Então clique aqui.

Claudio

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Estado e Sociedade

Mais sobre o duopólio da coerção

Ontem eu coloquei um link sobre uma notícia que trazia uma informação interessante: traficantes do RJ (a parte, digamos, ilegal, do duopólio) estariam usando gente famosa como propaganda para vender mais drogas.

Eu explorei o lado informativo da notícia, para trazer ao leitor algum conhecimento sobre a quantas anda a teoria econômica atual.

Mas há outro ponto interessante sobre a notícia: o marketing. E aí é conveniente lembrar que é racional gastar uma nota em anúncios pois isto sinaliza aos consumidores que a provável firma “queimadora de grana” é tão eficiente que somente ela poderia “torrar” aquela quantidade em um comercial.

Bom, no caso dos traficantes não é diferente. Provavelmente passaram anos conquistando mercado entre a alta classe carioca e agora tentam trazê-los ao morro para promover a venda de suas drogas. Cientificamente falando (em economês: “positivamente falando”), não fazem nada diferente do que fazem os monopolistas legais da coerção (o governo): tentam fazer propaganda de seus produtos usando ícones da juventude.

Racional? Sim. Bom para todos? Não creio…

Claudio

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