Cultura

Jabá, mais uma vez

Mais uns pitacos sobre o jabá motivado pelos comentários do post anterior:

– Rádios são concessões públicas e, por vezes, canais de distribuição ao mesmo tempo. Elas estão a serviço do interesse público? Como eu não sei direito o que é isso, eu creio que as pessoas revelam seus interesses quando escolhem ouvir uma rádio, mesmo que ela aceite jabá. (Se a rádio não é ouvida, as gravadoras estão jogando dinheiro fora. Se são ouvidas, é porque o público quer ouvir, não é?)
– Fornecedores pagam aos supermercados para terem posições destacadas nas gôndolas. Isso é jabá? A TV Globo produz programas e os transmite. A Sony produz músicas e a Transamérica transmite. Qual a diferença? Em um caso temos uma firma e no outro, apenas uma. Isso importa?
– Qual é a fronteira entre o jabá e a campanha promocional? Dar uma cueca cheia de dólares é proibido. Tudo bem. Mas e um monte de camisetas com o nome da banda e da rádio? E discos para serem sorteados? E pagar o tour de divulgação?
– Não dá para comparar as gravadoras à Microsoft. Esta consegue se manter com base em externalidades de rede que tornam difícil – mas não impossível- a entrada de competidores. Já no caso das gravadoras, não existe qualquer barreira à entrada. Aonde estas existem é nas rádios AM/FM. Na verdade, o jabá é uma quase-renda que as rádios extraem das gravadoras.
– Um argumento final: a Sony pagava para as rádios tocarem Franz Ferdinand. Baita banda.

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