Humor

Cadeias, prisões e correntes

Um colega meu, um dia, contou-me de uma tradução antiga que estava no (temível) livro de cálculo do Piskunov. Chain rule, para o tradutor, era regra da prisão.

Revisitando o meu Fundamentos da Análise Econômica, de Paul Samuelson, encontrei esta outra, genial, que é, de certa forma, o oposto: corrente de Markov ao invés de cadeia de Markov.

Claudio

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A hospedagem profunda

Quer diminuir a quantidade de moradores de rua? Então pare de fazer cara feia para os cinemas pornô 24 horasw. Essa reportagem do O Globo mostra que tais salas são utilizadas por pessoas que não têm casa ou moram longe do trabalho, que pagam 4 a 6 reais para dormir e, as vezes, ainda ganham um drink de cortesia. Que beleza!

E por que eles não vão para os albergues públicos? Porque eles os consideram os cinemas pornô mais aconchegantes e seguros que o lar doce lar oferecido pelo Estado. Imagine você, pornógrafo leitor, como é o albergue público…

Mas por que será que não existem albergues privados por preço semelhante( e sem filme)? Imagino que deve haver alguma regulamentação na abertura de albergues. O jeito é, então, dormir ouvindo a performance das atrizes…

Leo.

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Tecnologia

“Por que eu não pensei nisso antes?”

Essa foi a minha reação quando eu assisti uma apresentação do Michael Kremer sobre incentivos “pull” para a criação de vacinas. O negócio é o seguinte: a maior parte dos incentivos para a inovação tecnológica são do tipo “push”, ou seja, subsidia-se os recursos necessários para a pesquisa. O problema é que não dá para controlar o uso dos recursos. Por exemplo, o sujeito ganha o dinheiro da OMS para uma pesquisa básica sobre malária (doença de pobre), mas, na verdade, desenvolve algo para a diabetes (doença de rico) e se enche de dinheiro. Parece que esse tipo de distorção é bastante comum.
A sugestão Michael Kremer inverte a lógica. Se o laboratório conseguir criar uma vacina com características tal e tal, a OMS se compromete a pagar US$XX ou a comprar XX milhões de unidades. Esses são os tais incentivos do tipo “pull”. Os fins são remunerados e não os meios.
Lembrei disso quando li essa notícia que uma firma de segurança paga prêmios para os hackers que descobrem bugs em seus sistemas.

(A propósito, Michael Kremer é um gênio. Publicou dois papers sensacionais no Quarterly Journal of Economics quando ainda fazia a graduação em Economia.)

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Política monetária

Unanimidade nas decisões de política monetária “é coisa nossa”?

O banco central japonês (BOJ) deve comemorar ou não a deflação? Segundo a profa Noriko Hama, não.

Tal como o FED, o pessoal do BOJ faz reuniões parecidas com a do nosso COPOM. O que me intriga é que tanto nas reuniões do FED quanto nas do BOJ, há sempre a votação individual dos responsáveis pela política monetária. No Brasil, nunca se publica isto, exceto uma vaga referência do tipo: “o resultado foi unânime” (ou “o resultado foi de x contra x-2”).

Alguns afirmam que isto é consequência da falta de independência do Banco Central brasileiro. Em outras palavras, dizer que a decisão é unânime é uma forma de de reforçar a posição de um banco sob cuja independência não paira muita certeza.

Será?

Claudio

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