Crítica às instituições: elas importam mesmo?

Leo Monasterio aponta críticas de um pesquisador. A meta-piada é que, se não importassem, pessoas não ficariam lendo sobre elas. ^_^

Agora, sério, a crítica sobre as variáveis utilizadas (como as do Polity IV) na parte 1, não me parecem tão poderosas assim. Em dois aspectos: (a) esta crítica não é exclusiva para a abordagem institucional (isto não a desmerece, mas torna-a mais geral) e, (b) se a questão é a escala de medida da variável, o ponto importante é usar o método estatístico mais adequado.

Quanto à parte 2, achei ótimo o autor lembrar do injustiçado Albouy, que fez uma crítica correta ao problema dos dados de mortalidade dos colonizadores (e foi criticado de forma exagerada por Acemoglu na réplica).

Acho promissor pensar em uma abordagem mais data-driven para medir o impacto de instituições sobre o crescimento econômico. Mais ainda, acho que o crescimento econômico é apenas um dos aspectos. Há a qualidade dos governos, por exemplo, que é uma variável para lá de importante.

Mas uma crítica mais séria, creio, é que precisamos definir melhor o que entendemos por instituições. Sério. Esta literatura tem se tornado um bocado extensa e algo confusa em algumas ocasiões. Claro, é difícil definir instituições, mas os artigos nem sempre deixam isto claro (acho que consegui dizer algo sobre isto aqui).

Ficou tão bom que reproduzo

O problema de ler pouco

 
O ex-ministro do Trabalho Antônio Magri disse que só tinha lido dois livros na vida . “Ler muito confunde as ideias”, teria dito. Ele estava certo. A leitura realmente deixa o cara confuso. Só que isso é bom, porque nos faz menos cheio de certezas e prontos para julgar melhor.
Tomemos o caso de quem só leu “Formação Econômica do Brasil” do Furtado  e “A Economia Brasileira em Marcha Forçada” do Barros de Castro. Ainda mais se o cara fez uma leitura rasteira, ele sai seguro que crises são oportunidades [bip! bip! Alerta de clichê] e que, via gasto público, é moleza garantir a demanda agregada ou superar o gargalo externo “levando a economia brasileira para outro patamar” (seja lá o que isso queira dizer).
Contudo, quem também leu Suzigan, Peláez, Bonelli, Malan, Fishlow – só para ficar na geração que produziu sobre tais temas nos anos 70 e 80 – aprende que tudo é bem mais complicado do que contam as histórias reconfortantes da bibliografia básica das disciplinas de Economia Brasileira.

Não vou dizer mais nada.

O fiscal do fiscal e outros trabalhos de Sanson (e um breve comentário)

Meu – sumido – amigo Sanson em alguns bons momentos. Primeiramente, o curto ensaio sobre a fiscalização no setor público. Em segundo lugar, dois textos de fôlego que mostram a riqueza da nova economia institucional na análise do crescimento econômico. Este aqui e este. Creio que Sanson – e seus orientandos – tanto quanto Leo Monasterio – idem – são fontes de leitura cada vez mais obrigatória nesta época em que economia regional não é mais aquela dos anos 50, mas sim algo perfeitamente integrado com a teoria econômica (ver Krugman e seu Nobel) ou a prática (ora, ora, veja a econometria espacial).