Grécia e Restrição Orçamentária Não-Rígida

O Leo Monasterio nos lembra que, para entender a questão da Grécia, você tem que entender um pouco do conceito de Market Preserving Federalism, ou melhor, de soft budget constraint.

O Boueri chama-a de restrição orçamentária maleável, embora eu – e outros – prefiramos restrição orçamentária frouxa (ou não-rígida). Talvez Boueri possa ver um exemplo de reflexão sobre a realidade brasileira usando estes conceitos em um trabalho escrito alguns anos antes do ótimo livro citado pelo Leo, aqui (o segundo colocado tem um trabalho sobre isto, aplicado a Minas Gerais).

Continuo insistindo que Janos Kornai merece um Nobel pela introdução deste belíssimo conceito (restrição orçamentária não-rígida) juntamente com o Barry Weingast (já que Ronald McKinnon faleceu). É uma aposta remota para um Nobel, eu sei, mas com os problemas da Grécia vemos, novamente, que o problema da rigidez da restrição orçamentária é muito atual.

Sim, seria um prazer imenso voltar ao tema e ver novos trabalhos tentando medir, empiricamente, o grau de rigidez de restrições orçamentárias municipais, estaduais, nacionais…ou, melhor ainda, estudando a questão de seus determinantes. Eis aí um tema de monografia que não deveria ser desprezado.

DEA em R?

O Leo Monasterio deu a dica. Aliás, que dica excepcional! Faz tempo que larguei mão de mexer com DEA. Bateu aquela vontade de trabalhar de novo com isto. ^_^

Por que eu cansei? É que começou uma onda de alunos que só queriam decorar comandos e fazer monografias de 10 (dez) páginas sem a menor preocupação com a interpretação dos resultados e disposição zero de estudar.

Aí eu cansei. Mas antes disto, co-autores alguns bons trabalhos com, por exemplo, Daniela (que foi orientada pelo Ari) e o Rodrigo (precisa criar o perfil para o acesso gratuito). Ambas renderam artigos (outros artigos meus estão aqui).

Redução da Maioridade Penal – subsídios

Primeiro, o problema da estatística. Ah sim, não apenas o da existência dos dados, mas também o segundo problema: gente que não quer acreditar nas evidências empíricas de maneira patológica (esta última dica veio daqui).

Por último, não, gente, quando o sujeito diz: “sua abordagem é muito simples porque considera que o criminoso só faz conta de custo-benefício e desconsidera o meio em que ele vive”, este mesmo sujeito mostra que não entendeu nada da análise.

Para começo de conversa, a crítica infeliz é ao modelo econômico do comportamento criminoso, devido a Gary Becker. O cálculo de custo-benefício, obviamente, pode, sem muita dificuldade, ser feito sob restrições bem especificadas (aliás, não pode ser feito de outra forma). Ora bolas, não preciso ir muito longe no argumento. Basta observar a quantidade de estudos mostrando testes de hipóteses deste modelo com relação aos ciclos econômicos (exemplos aqui e aqui).

Eu? Eu acho que criminoso tem que ser punido. Mas acredito que a lei tem custos e benefícios e devemos considerá-los na análise. Falei disto outro dia aqui. Ah sim, é importante você também ler este texto, mais técnico.

A discussão, para mim, não é só de filosofia e ética. Sem dados, não serve. Não serve para a Academia e nem para nós, o povo.

Crítica às instituições: elas importam mesmo?

Leo Monasterio aponta críticas de um pesquisador. A meta-piada é que, se não importassem, pessoas não ficariam lendo sobre elas. ^_^

Agora, sério, a crítica sobre as variáveis utilizadas (como as do Polity IV) na parte 1, não me parecem tão poderosas assim. Em dois aspectos: (a) esta crítica não é exclusiva para a abordagem institucional (isto não a desmerece, mas torna-a mais geral) e, (b) se a questão é a escala de medida da variável, o ponto importante é usar o método estatístico mais adequado.

Quanto à parte 2, achei ótimo o autor lembrar do injustiçado Albouy, que fez uma crítica correta ao problema dos dados de mortalidade dos colonizadores (e foi criticado de forma exagerada por Acemoglu na réplica).

Acho promissor pensar em uma abordagem mais data-driven para medir o impacto de instituições sobre o crescimento econômico. Mais ainda, acho que o crescimento econômico é apenas um dos aspectos. Há a qualidade dos governos, por exemplo, que é uma variável para lá de importante.

Mas uma crítica mais séria, creio, é que precisamos definir melhor o que entendemos por instituições. Sério. Esta literatura tem se tornado um bocado extensa e algo confusa em algumas ocasiões. Claro, é difícil definir instituições, mas os artigos nem sempre deixam isto claro (acho que consegui dizer algo sobre isto aqui).

Ficou tão bom que reproduzo

O problema de ler pouco

 
O ex-ministro do Trabalho Antônio Magri disse que só tinha lido dois livros na vida . “Ler muito confunde as ideias”, teria dito. Ele estava certo. A leitura realmente deixa o cara confuso. Só que isso é bom, porque nos faz menos cheio de certezas e prontos para julgar melhor.
Tomemos o caso de quem só leu “Formação Econômica do Brasil” do Furtado  e “A Economia Brasileira em Marcha Forçada” do Barros de Castro. Ainda mais se o cara fez uma leitura rasteira, ele sai seguro que crises são oportunidades [bip! bip! Alerta de clichê] e que, via gasto público, é moleza garantir a demanda agregada ou superar o gargalo externo “levando a economia brasileira para outro patamar” (seja lá o que isso queira dizer).
Contudo, quem também leu Suzigan, Peláez, Bonelli, Malan, Fishlow – só para ficar na geração que produziu sobre tais temas nos anos 70 e 80 – aprende que tudo é bem mais complicado do que contam as histórias reconfortantes da bibliografia básica das disciplinas de Economia Brasileira.

Não vou dizer mais nada.

O fiscal do fiscal e outros trabalhos de Sanson (e um breve comentário)

Meu – sumido – amigo Sanson em alguns bons momentos. Primeiramente, o curto ensaio sobre a fiscalização no setor público. Em segundo lugar, dois textos de fôlego que mostram a riqueza da nova economia institucional na análise do crescimento econômico. Este aqui e este. Creio que Sanson – e seus orientandos – tanto quanto Leo Monasterio – idem – são fontes de leitura cada vez mais obrigatória nesta época em que economia regional não é mais aquela dos anos 50, mas sim algo perfeitamente integrado com a teoria econômica (ver Krugman e seu Nobel) ou a prática (ora, ora, veja a econometria espacial).