A Teoria Econômica do Empreendedorismo

Olha eu de novo na minha resenha bibliográfica. Mas, desta vez, o texto é puramente teórico e eu queria deixar a referência aqui apenas para lembrá-los de que meu candidato eterno ao Nobel é William Baumol.

Journal of Institutional Economics (2011), 7: 1, 47–75

The interaction of entrepreneurship and institutions
Magnus Henrekson & Tino Sanandaji
Abstract: Previous research, notably Baumol (1990), has highlighted the role of institutions in channeling entrepreneurial supply into productive, unproductive,
or destructive activities. However, entrepreneurship is not only influenced by institutions – entrepreneurs often help shape institutions themselves. The bilateral causal relation between entrepreneurs and institutions is examined in this paper. Entrepreneurs affect institutions in at least three ways. Entrepreneurship ‘abiding’ by existing institutions is occasionally disruptive enough to challenge the foundations of prevailing institutions. Entrepreneurs sometimes have the opportunity to ‘evade’ institutions, which tends to undermine the effectiveness of the institutions, or cause institutions to change for the better. Lastly,entrepreneurs can directly ‘alter’ institutions through innovative political entrepreneurship. Like business entrepreneurship, innovative political activity may be productive or unproductive, depending on the incentives facing entrepreneurs.

Legal, né? Por isso é que eu acho que Baumol merece o Nobel. Não apenas por este papo de empreendedorismo, mas pelo conjunto da obra: mercados contestáveis, doença do custo, etc, sem falar no livro mais didático de equações diferenciais para graduação que já vi (e nunca achei para comprar). Estudei com aquele livro por vários semestres…

Empreendedorismo: duas histórias

A gente acorda no sábado e encontra o jornal na porta de casa. No caso, o Utiná Press, jornal dos descendentes da província de Okinawa (a mais poderosa, eu diria, no Brasil). Aí eu vejo duas histórias de empreendedorismo.

O trabalho liberta!

Primeiro, a notícia de que a pequena Melissa Kuniyoshi está a caminho de lançar seu primeiro CD no Japão. Tendo começado no programa de Raul Gil (que sempre erra a pronúncia do nome dela, não?), a menina foi para o Japão e, como diria o pessoal da “centro-periferia”, deve começar a explorar os trabalhadores dos países centrais com seu talento musical (mais um exemplo de que esta teoria não explica muita coisa mesmo…). Confira o talento dela, por exemplo, aqui, com o grande sucesso de Rumiko Koyanagi lá dos 70-80, Seto no Hanayome e também aqui, já um pouco maior, com Hanamizuki, um sucesso mais recente da cantora taiwanesa, Hitotoyo.

Eu sei, eu sei, você também acha que o Ministério Público deveria intervir impedindo esta “exploração do trabalho infantil” porque você não consegue pensar em diferentes instituições que possam permitir que o talento individual floresça em crianças que deveriam, isto sim, estar estudando filosofia e sociologia para se tornarem cidadãs. Bem, você está errado, ponto.

O trabalho no Japão não é fácil, mas a família deu um passo arriscado e, espero, que fará de Melissa um sucesso.

“A emissora de TV do Japão Nihon Terebi veio até o Brasil para fazer uma matéria com ela”, conta Milton. No ano seguinte, foi a vez da TV Fuji manifestar interesse e Melissa percorreu o caminho inverso para participar de um programa musical exibido pela emissora japonesa.

A repercussão no YouTube foi o “cartão de visitas” de Melissa para Suzuki Jun.“Ele disse que gostaria de tê-la como aluna”, lembra Milton, afirmando que o convite feito pelo compositor é raro até mesmo para os próprios japoneses. “Nessa faixa etária da Melissa é muito difícil encontrar alguém com seu talento”, garante o pai.


A decisão, no entanto, não foi das mais fáceis para a família. Afinal, se tratava de uma mudança radical, que poderia colocar em jogo não só o futuro de Melissa como também mexeria com toda a família.

Uma trajetória de sucesso? Só esperando o CD para ver. Mas dá para perceber que talento a menina tem.

Como um japonês enriqueceu fabricando cocadas

Em segundo lugar, a história de um imigrante que começou como tantos, no interior de São Paulo, na lavoura e terminou empresário. É a história de Tokujin Higa – fundador do Higa Atacados – cuja família saiu de Okinawa e veio parar neste maravilhoso país das oportunidades que faz justiça a todas as raças (eu sei, soa nazista, mas o governo brasileiro tem promovido o termo, então, por favor, seja mais solidário e aceite o nazismo oficial em seu coração…).

Voltando ao que interessa, o jornal conta a trajetória do empreendedor. Após passar pela lavoura, virou aprendiz numa fábrica de cocadas. Obviamente, passou a vender cocadas nas ruas, em Campinas. Quando o dono da fábrica se retirou, ele assumiu. Passou a fabricar e a vender cocadas. Nada mais bonito do que ler:

Os utensílios utilizados desde esta época foram guardados com carinho por Tokujin, desde as ferramentas utilizadas para quebrar as cascas do coco, as colheres de medidas para fazer as cocadas, o primeiro tacho utilizado na fabricação dos doces e a cesta de bambu que utilizava para fazer as vendas. Tudo guardado, datado e catalogado. (Utiná Press, Mar/2014, p.22)

A expansão do negócio fez com que ele trouxesse os irmãos para a empresa. A reportagem prossegue contando como evoluiu o negócio de Higa com a construção de uma fábrica e a incorporação de novos produtos (doces) ao catálogo da empresa. Após a era heterodoxa de “planos” para combater a inflação veio a crise dos anos 90 que fez com que a fábrica parasse. O fim da produção dos doces veio com a mudança da empresa que passou a trabalhar com atacado e varejo, comercializando produtos de terceiros.

Ah sim, existe um Museu Histórico “particular” (assim nos conta o jornal), com o registro da trajetória da empresa. Mais ainda, parece que exist um livro, lançado pela ocasião dos 50 anos da empresa (1964-2014).

Pois é…

Interessante esta tal de Economia, não? Japoneses que percebem as preferências dos consumidores e aprendem a fabricar cocadas (e não doces de feijão) ou crianças que cantam músicas que agradam consumidores do outro lado do mundo usam seu talento para melhorar suas vidas.

Quem poderia ser contra empreendedores? Só mesmo gente que não trabalha ou que não tem talento. Afinal, empreender faz parte do DNA humano, não é mesmo? Bom dia.

Novamente, a ética protestante…

Eu sempre volto ao tema aqui, mas hoje só vou citar e você pode ler e criticar, ok? O resumo está aí embaixo e os autores são Luca Nunziata e Lorenzo Rocco.

A Tale of Minorities: Evidence on Religious Ethics and
Entrepreneurship from Swiss Census Data*

Does Protestantism favour the market economy more than Catholicism does? We provide a novel quasi-experimental way to answer this question by comparing Protestant and Catholic minorities using Swiss census data from 1970 to 2000. Exploiting the strong adhesion of religious minorities to their confession’s ethical principles and the historical determination of the geographical distribution of confessions across Swiss cantons, we find that Protestantism is associated with a significantly higher propensity for entrepreneurship. The estimated difference ranges between 2.3 and 4.4 percentage points. Our findings are robust to a number of robustness checks, including a placebo test.

Caso você queira saber, já falei disto várias vezes aqui.

Na era da globalização (e graças a ela), o folclore nacional é que dá lucro – o caso da Galinha Pintadinha

Notável matéria no Estadão de hoje sobre o maior sucesso nacional, creio, desde Mônica e Cebolinha. Sim, estou falando da Galinha Pintadinha. Alguns ótimos pontos da matéria:

1. As produções “piratas” (ou caseiras) são não apenas bem-vindas, como ainda dão lucro para a dupla de criadores. Lição para muita gente que acha que “direito autoral” é igual a “cláusula (supostamente) pétrea”.

2. Os empreendedores souberam aproveitar o que eu chamaria de legado de Câmara Cascudo (nosso grande folclorista). O autor da matéria insinua – e eu concordo – que a fonte do sucesso (senão a principal fonte) são as músicas folclóricas nacionais, reinterpretadas pela turma da Galinha Pintadinha.

Este segundo ponto é importante porque há um discurso – idiota, mas sempre repetido, apesar das evidências empíricas em contrário – de que “a globalização malvada e feia destruiu a cultura nacional”. Mentira. A globalização é um fenômeno mais ou menos intenso e começou com a primeira migração de algum ancestral nosso (refiro-me aos macaquinhos, só para não ficar muito sem datação histórica). Digo mais, ninguém no BNDES criou uma política industrial para o “setor estratégico” de desenhos de galinhas pintadinhas. Graças a Deus! Assim os empreendedores criaram, cresceram e hoje lucram satisfazendo crianças aqui e lá fora (sim, isso mesmo).

Câmara Cascudo estaria contente se vivo estivesse (creio eu).

Jay-Z: o traficante que deu certo ou que deu errado?

Não conheço nada de hip-hop e afins, mas este artigo me fez pensar se o empreendedorismo do Jay-Z se desenvolveu a despeito de seu passado como traficante ou por causa dele. O que vocês acham?

No mínimo, é um destes cases que a patota deveria estudar em Administração (se é que já não o fazem). Muitas questões interessantes de microeconomia surgem da leitura deste texto. A diversificação dos negócios, o plano de negócios…

E tem gente que ainda pede “lei do governo” para fazer um show. É muita falta de criatividade o que, convenhamos, no mundo das artes, é um atestado de incompetência…

O que é empreendedorismo?

a) Ensinar ao sujeito que ele deve aprender a correr riscos sozinho e lucrar com o sucesso ou;

b) Ensinar ao sujeito que ele deve sempre procurar privilégios para ele, sem se preocupar com mais nada?

Na sua cabeça, qual é a resposta correta e qual é a resposta que alguns acham ser correta?

Discriminar e empreender

Entrepreneurship and the Taste for Discrimination

Christopher J. Coyne, Justin P. Isaacs and Jeremy T. Schwartz
Abstract
This paper analyzes the connection between discrimination and entrepreneurship. We contend that the entrepreneur is the central mechanism through which inefficiencies associated with discrimination are competed away. In addition to illuminating the mechanism through which existing discrimination tends to be eliminated, we also consider the more difficult case of consumer discrimination. The standard assumption is that consumer discrimination will not be competed away through market forces. In contrast, we find that entrepreneurs can correct the inefficiencies associated with this form of discrimination by influencing the costs and benefits associated with consumer discrimination. We empirically analyze the integration of black players in Major League Baseball to illustrate our theoretical arguments regarding entrepreneurship and consumer discrimination.

Artigo interessante, de Chris Coyne e co-autores, sobre o papel do empreendedorismo na diminuição da discriminação. A parte econométrica do artigo, contudo, não me parece suficiente para generalizações. De qualquer forma, leia-o.

Onde está o estímulo fiscal?

Em Taiwan, um professor de economia vai ao ponto: por que não reduzir a carga tributária? Há claros interesses por trás de propostas que clamam por mais gastos públicos e não preciso citá-los aqui. Mas, vem cá, honestamente, por que não reduzir a carga tributária, segurar o tamanho do governo (o nosso já é quase um socialismo, dado o tamanho do governo no PIB, sem falar das regulações…), incentivar a formalização dos informais e promover – de verdade – o empreendedorismo e os mercados?

É tão difícil assim sair do canto da sereia bolivariana? Fala a verdade: é?

Kirzner, o confuso…

Dan Klein sobre um dos mais famosos economistas austríacos, Israel Kirzner. Texto obrigatório para o próximo semestre (se é que você me entende). Excelente para quem gosta de História do Pensamento Econômico que, claro, não se limita ao final do século XIX (lembrete: estamos no século XXI).

Educação no Brasil

Household Income As A Determinant of Child Labor and School Enrollment in Brazil: Evidence From A Social Security Reform

Author/Editor: Carvalho Filho, Irineu E.
Authorized for Distribution: October 1, 2008

Summary: This paper studies the effects of household income on labor participation and school enrollment of children aged 10 to 14 in Brazil using a social security reform as a source of exogenous variation in household income. Estimates imply that the gap between actual and full school enrollment was reduced by 20 percent for girls living in the same household as an elderly benefiting from the reform. Girls’ labor participation rates reduced with increased benefit income, but only when benefits were received by a female elderly. Effects on boys’ enrollment rates and labor participation were in general smaller and statistically insignificant.

Bacana, né? Em um artigo bem menos técnico, outro tema de destaque: empreendedorismo.

Democracias menos liberais são também as mais falidas? – Paz e Liberdade Econômica

Nosso debate já segue há meses, não? Aqui outro índice – fortemente correlacionado com nosso conhecido failed states index – o de paz (global peace index) cuja edição saiu, se não me engano, esta semana. Não vou reforçar o que tenho dito, mas apenas deixar o gráfico para que os interessados reflitam sobre o tema.

Sociedades mais liberais (inclusive economicamnte) são as menos falidas (o Estado funciona), mais pacíficas (olha aí em cima), menos corruptas e as que mais crescem. Há uma questão metodológica importante sobre estes indicadores pois muitos destes “índices-síntese” englobam algumas variáveis importantes (endogenia) das análises tradicionais. Uma hora destas teremos que fazer uma síntese disto tudo, mas se você der uma olhada no livro do Adolfo Sachsida, terá boas pistas sobre as possíveis explicações para as correlações que tenho apresentado aqui.

Ah sim, por curiosidade, o empreendedorismo também tem uma relação positiva com a paz. Ou seja, sociedades mais empreendedoras também são as mais pacíficas. Fica faltando ver se esta paz e este empreendedorismo seguem incentivos que levam à estagnação (o Brasil é um país pacífico e cheio de empreendedores…mas com incentivos notoriamente a favor de atividades rent-seeking).

Mais pobreza, mais islamismo (e, depois, mais extremismo?)

Questão que surge ao se iniciar a leitura desta matéria sobre o crescimento do islamismo na Grande ABC. Pode a questão religiosa ser parte de um problema maior? A religião tem a ver com a ideologia que tem a ver com o desenvolvimento econômico (e com o empreeendedorismo ou com a falência de estados).

Há muita coisa interessante nesta discussão. Pena que poucos atentem para o fato, ainda.

Economia Informal

A coisa anda tão feia para o trabalhador que a economia informal vira uma solução. Espanta, apenas, a questão básica: por que não vamos todos para fora da lei e esquecemos o governo? O otimismo do autor do estudo, em parte, eu compartilho. Mas acho muito complicada esta história de “olha como é legal ter mercadorias ilegais à disposição”. O custo disto é rasgar valores sérios (tão sérios que foram codificados em forma de lei), algo que nem todo economista entende muito bem, embora diga que não existe almoço grátis.

Então, sim, o brasileiro é empreendedor mas, não, não é um círculo virtuoso.

Empreendedorismo

Em sequência ao nosso debate…deixo aqui para os incautos outra referência que me parece bem interessante. Uma curiosidade que tenho é a seguinte: alguém, em alguma faculdade de Administração da selva brasileira, já ouviu falar de Israel Kirzner? Baumol? Se sim, a segunda pergunta: já leu algo deles?

Gostaria de saber quem são os professores que fazem usam este tipo de literatura. Agradeço as dicas.

Democracias menos liberais são também as mais falidas? – A importância da religião

Ok, eu gosto de Max Weber. Mas também sei que esta questão religiosa é sempre complicada. O professor Delfim Netto, em seu capítulo no livro-texto de Economia Brasileira do Giambiagi e patota, diz que, na verdade, a ligação entre protestantismo e desenvolvimento se dá via capital humano.

Pois bem, se Delfim tem ou não um bom ponto, podemos ter uma pista no texto abaixo citado.

Qualifying Religion: The Role of Plural Identities for Educational Production*

This paper examines the role of religious denomination for human capital formation. We
employ a unique data set which covers, inter alia, information on numerous measures of
school inputs in 169 Swiss districts for the years 1871/72, 1881/82 and 1894/95, marks from
pedagogical examinations of conscripts (1875-1903), and results from political referenda to
capture conservative or progressive values in addition to the cultural characteristics language
and religion. Catholic districts show on average significantly lower educational performance
than Protestant districts. However, accounting for other sociocultural characteristics qualifies
the role of religion for educational production. The evidence suggests that Catholicism is
harmful only in a conservative milieu. We also exploit information on absenteeism of pupils
from school to separate provision of schooling from use of schooling.

Interessante, não? Creio que a discussão que tenho feito aqui sobre estados falidos e empreendedorismo só tem a ganhar com mais este ponto. A cada dia que passa esta discussão só melhora.

Aliás, tenho algo mais a dizer sobre o texto citado. Ele é uma pá de cal (uma das) nestes argumentos verborrágicos que vejo na blogosfera sobre religião e economia. Normalmente, o sujeito me vem com uma lorota de que a ética cristã (e tão somente ela) é que é a Gisele Bündchen do desenvolvimento. Não mostra um único dado, um único estudo sério. Nada. Só um tremendo wishful thinking. Normalmente, estes argumentos vêm da nossa Direita sem qualidade (a cara-metade da Esquerda Aneróbica), cujos economistas ocupam lugar de honra entre os pterodoxos brasileiros.

Trata-se de um desserviço ao ensino científico.

Por mais que não se goste de estatísticas, o fato é que há discussões cuja solução é basicamente empírica e, nestas horas, ganha quem sabe manipular (no sentido de extrair honestamente informações dos dados) melhor os dados. Não se trata de falsificar dados, mas de analisar as causalidades supostas com o que há de melhor em métodos quantitativos. Quando um verborrágico vê sua suposta autoridade ir pelo ralo pelo simples confronto de seus devaneios com os dados, normalmente xinga as pessoas sérias de “econometristas”, “estatísticos” até, digamos, “viciados em planilha”, termos que se tornam mais violentos quanto maior a intensidade dos desejos eróticos de seu criador em relação à mulher que ele perdeu (ou ao emprego que deixou de conquistar) porque não se deu bem com seu papo furado (mulheres, por favor, adaptem o exemplo para os casos em que se apliquem…).

Posto isto, não se diz aqui que matemática é tudo ou que a estatística é a vedete de Ipanema. Como eu disse – e se um verborrágico sabe ler tão bem quanto escreve, já percebeu – há discussões que só se resolvem empiricamente. Mas há também as outras que ou não têm solução, ou não têm solução relevante para sua vida (e.g. qual o sexo dos anjos?), ou não têm solução estatística (e.g. o que é uma paroxítona).

A relevância, para os economistas, normalmente está entre as respostas que, no final das contas, necessitam de algum teste empírico para alguma hipótese oriunda da leitura da história feita a partir de uma teoria logicamente coerente. Por isso não é fácil ser economista…

Empreendedorismo e Governo: há uma relação quadrática?

Eis aí mais evidências para nossas discussões sobre empreendedorismo.

Economic freedom and entrepreneurial activity: Some cross-country evidence

Christian Bjørnskov · Nicolai J. Foss

Abstract While much attention has been devoted to analyzing how the institutional framework and entrepreneurship impact growth, how economic policy and institutional design affect entrepreneurship appears to be much less analyzed. We try to explain cross-country differences in the level of entrepreneurship by differences in economic policy and institutional design. Specifically, we use the Economic Freedom Index from the Fraser Institute to ask which elements of economic policy making and the institutional framework are conducive to the supply of entrepreneurship, measured by data on entrepreneurship from the Global Entrepreneurship Monitor. We find that the size of government is negatively correlated and sound money is positively correlated with entrepreneurial activity. Other measures of economic freedom are not significantly correlated with entrepreneurship.

Aposto que o leitor esperto já se pergunta: “mas isto é compatível com o que dizem os novos policy makers da segunda administração da Silva, nosso presidente”? Pergunte ao seu professor: empreendedorismo e governo têm uma relação virtuosa ou viciosa?

Para te ajudar, pense na taxa de empreendorismo do GEM, em 2007 e no consumo do governo em 1990-2000 (média), ambos em escala logaritmica. Pensou? Aí está:

Se existe uma relação quadrática, já adianto, ela é positiva. Isto nos levaria a um estranho resultado de que o consumo do governo poderia gerar altas taxas de empreendedorismo. Uma possível explicação – até algo óbvia – para o aparente paradoxo é que após o ponto de mínimo, o crescimento do governo gera um empreendedorismo mais rent-seeking do que profit-seeking. Isto é compatível com o que tenho lido em alguns artigos que uma orientanda pretende usar em sua monografia.

Democracias menos liberais são também as mais falidas – A cultura

Leitores que acompanham a série de discussões que tenho feito aqui sobre os motivos da maior ou menor falência dos estados já sabem que toda esta conversar tem um pouco a ver com outro ponto (também explorado aqui): empreendedorismo.

Pois muito bem. Há um grande problema quando se discute “cultura”. Entretanto, os estudos de Claudia Williamson (que descobri graças aos bons economistas austríacos da SDAE) mostram como economistas encaram o tema. Meus orientandos de monografia (os que forem espertos) provavelmente já perceberam que, conforme os temas de seus trabalhos, devem tabular duas bases de dados que a boa autora disponibilizou em sua página. A mais ampla está em seu artigo “Institutional Arrangements and Economic Performance: The Relationship between Formal and Informal Institutions,” 2007. A outra está em: “Securing Private Property: The Relative Importance of Formal versus Informal Institutions”, 2007 .

Avançando um pouco, a profa. Williamson define instituições informais (nossa “cultura”) usando o World Values Survey, criando uma variável a partir dos seguintes componentes: trust, respect, self-determination e obedience. O texto original no qual se baseia é do Tabellini, sobre cultura e instituições na Europa. Grande parte dos valores pode ser pensada como o “estoque cultural” de cada país em 2000. Já falei um bocado sobre o problema de se discutir cultura – um conceito bastante dinâmico – desta forma, mas sigo a boa literatura mundial para que possamos iniciar o diálogo. Antes de prosseguir, e as instituições formais? Para esta, ela usa o famoso ICRG (International Country Risk Guide), comum nos estudos do ramo.

Bem, tentarei matar a curiosidade dos leitores que acompanham as duas discussões com as figuras abaixo.

A variável “formal_minus_informal” é a diferença entre as instituições formais e informais de um país. A profa. Williamson crê que instituições informais sejam mais importantes para o crescimento do que as formais. Nossa primeira figura (a da esquerda) mostra que a falência estatal está relacionada a sociedades mais “formalizadas” por assim dizer, o que é compatível com sua hipótese. Já na figura da direita nota-se uma relação curiosa entre a tal taxa de empreendedorismo do GEM e esta mesma variável. Há menos países na amostra e, como já disse antes, mais empreendedorismo não é, de forma alguma, sinônimo de mais crescimento econômico, per se. É necessário estudar melhor as relações causais entre instituições e empreendedorismo (falávamos de rent-seeking outro dia, não é?).

Para os que acompanham este debate, uma pergunta simples: o que acham do que temos até agora? Comentários? Particularmente, acho que toquei em diversos pontos fracos destes debates. Também acho que várias perguntas surgiram. Tenho vários alunos fazendo monografias em temas correlatos. Creio que, quanto mais gente pensando nestes temas, melhor.

p.s. Sim, o Brasil está em todas as amostras até agora. Tá curioso? Aguarde…

Simon Bolivar: um empresário vítima da insegurança jurídica

Os bolivarianos adoram citar Bolívar. Mas o que sabem de sua vida? Provavelmente nada. E o mais irônico: o texto faz a ligação entre nossa discussão sobre empreendedorismo e, claro, o bolivarianismo (só que o verdadeiro, não o falso). Aliás, parafraseando Hayek, a gente poderia começar aqui uma série de posts contra os revisionistas (estes que negam o genocídio e estes que chamam Bolívar de socialista) chamado: “Bolivarianism: true and false”.