Sabe aquela aula de Economia, lá no início do curso?

Claro que você se lembra. Havia um capítulo bacana sobre a diferença entre a incidência legal e a incidência efetiva de um imposto. Não importa o que a lei diga, o fato é que o mercado é, em última instância, com toda sua complexidade, quem determinará a carga efetiva do imposto.

O exemplo tradicional é aquele em que uma curva de demanda é bastante inelástica, em todos os seus pontos, relativamente à curva de oferta de um bem. Neste caso, o imposto recai mais fortemente sobre o ________(preencha o espaço).

Pois é. Na prática, como é isto? Eis um estudo recente para os EUA, dica do Café Hayek.

A indústria do entretenimento precisa de SOPA? Ou vai bem?

Segundo este resumo, exagera-se o efeito da pirataria.

p.s. pode apostar, leitor. Após a leitura, um monte de gente que acha a Reason muito “dadireitaestadunidense” vai correr para divulgar a notícia e, quiçá, incluir o link da ótima revista nos seus “favoritos”.

Dois curtos textos bem didáticos

O Bank of Japan (BOJ, a autoridade monetária deles) tem dois pequenos textos bem didáticos sobre a mensuração do produto potencial e também sobre os efeitos do terremoto/tsunami no Japão.

Não é tão difícil um aluno de graduação fazer coisa similar, né?

Mercados unem, guerras…não

Durante a IIa Guerra Mundial, os japoneses tentaram obter recursos com base na versão estendida da Teoria da Dependência: se és dependente, deixe de sê-lo, nem que seja na base da porrada.

Agora, veja só, chineses e coreanos estão felicíssimos de vender para o Japão e, claro, o Japão está achando ótimo que o país possa ser reconstruído. O melhor de tudo é que não há guerra e, quem sabe, não vão fazer o contrário do modelo bolivariano-atrás-do-armário (vulgo “brasileiro”) e não cortam uns impostos?

O fim dos “heterodoxos da Nova Era”

O trecho abaixo me faz pensar em ler o livro citado por Caplan (mas não posso gastar mais com livros…tenho que ler o meu estoque atual):

The authors go on to ridicule irrelevant brain scan rhetoric, myths about subliminal persuasion, and claims that you can improve your general mental ability withspecific mental exercises.  Instead, they argue that recent experimental psych confirms the century-long literature on Transfer of Learning.  Contrary to popular belief and desperate teachers of irrelevant subjects, learning is highly specific.  The way to get good at X is to extensively practice doing X.

A correlação entre pterodoxia e estes “pensadores” heterodoxos da New Age com suas exóticas (e, agora, comprovadamente estúpidas) teorias sobre como alguém pode ser mais inteligente com pouco esforço sempre foi alta. Dado o debate econômico atual, este livro deveria ser traduzido e forçado goela abaixo de muitos supostos economistas…

A crise e os cursos de economia

John Taylor acha que chegou a hora de abandonarmos a divisão entre macro e micro – tradição criada por Paul Samuelson – para uma visão mais integrada.

Difícil discordar dele, no nível de graduação, onde, honestamente, as coisas não são tão difíceis. Entretanto, é uma tarefa espinhosa pois exige não apenas uma mudança na grade curricular de um curso em alguns casos, mas também que se reveja aulas em ambos os cursos (macro e micro). Difícil, mas não menos interessante.

Economia, preços de alimentos, obesidade…

Art Carden tem um artigo sobre capitalismo aqui e um mais científico – e interessante – que cito a seguir.

The Skinny on Big Box Retailing: Wal-Mart, Warehouse Clubs, and Obesity

Charles Courtemanche
University of North Carolina at Greensboro

Art Carden
Rhodes College

Abstract:
We estimate the impacts of county-level Walmart Discount Store, Walmart Supercenter, and warehouse club presence on individual body weight, obesity status, food consumption, and exercise. Contrary to the conventional wisdom that cheap food causes weight gain, we find no evidence that any of these stores increase weight or lead to less healthy eating habits. Warehouse club entry is actually associated with reductions in weight, obesity, junk food intake, and eating at restaurants as well as increases in fruit and vegetable consumption. These results suggest that bulk buying is a more important determinant of body weight than food prices, at least in this context. Buying groceries in bulk may lead to healthier eating by allowing individuals to counteract self-control problems by constraining future choices.

Para os alunos de microeconomia:

Conventional wisdom suggests that Walmarts and warehouse clubs sell cheap food, so their entry
should cause people to eat more and gain weight. However, a more careful analysis reveals that
these stores could potentially impact weight through a number of mechanisms – including
substitution effects, income effects, bulk buying effects, and effects on exercise – and that the
direction of the net effect is unclear a priori.
Consider an individual with a fixed food budget who divides this budget between unhealthy
grocery food (such as processed snacks), healthy grocery food (such as fresh fruits and
vegetables), and restaurant food. Assume that Discount Stores, Supercenters, and warehouse
clubs all sell unhealthy food, while Supercenters and warehouse clubs also sell healthy food and
none of the stores sell restaurant food. Assume further that the foods sold at these stores are
cheaper than the same foods at conventional grocery stores.
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If the individual’s preferences are separable, then the conventional wisdom holds. The entry of a
nearby Walmart Discount Store would increase unhealthy food consumption while leaving
healthy food consumption and restaurant eating unchanged. The overall effect would be higher
caloric intake and weight gain. Supercenters and warehouse clubs would increase consumption
of both unhealthy and healthy foods while leaving restaurant eating unchanged, again leading to
higher caloric intake and weight gain.
However, in reality the three types of food are likely substitutes, in which case the net effects of
the discount retailers are more complex.

Conventional wisdom suggests that Walmarts and warehouse clubs sell cheap food, so their entry should cause people to eat more and gain weight. However, a more careful analysis reveals that these stores could potentially impact weight through a number of mechanisms – including substitution effects, income effects, bulk buying effects, and effects on exercise – and that the direction of the net effect is unclear a priori.

Consider an individual with a fixed food budget who divides this budget between unhealthy grocery food (such as processed snacks), healthy grocery food (such as fresh fruits and vegetables), and restaurant food. Assume that Discount Stores, Supercenters, and warehouse clubs all sell unhealthy food, while Supercenters and warehouse clubs also sell healthy food and none of the stores sell restaurant food. Assume further that the foods sold at these stores are cheaper than the same foods at conventional grocery stores.

If the individual’s preferences are separable, then the conventional wisdom holds. The entry of a nearby Walmart Discount Store would increase unhealthy food consumption while leaving healthy food consumption and restaurant eating unchanged. The overall effect would be higher caloric intake and weight gain. Supercenters and warehouse clubs would increase consumption of both unhealthy and healthy foods while leaving restaurant eating unchanged, again leading to higher caloric intake and weight gain.

However, in reality the three types of food are likely substitutes, in which case the net effects of the discount retailers are more complex.

Preferências separáveis? Efeitos-renda? Substitutos? Bem, acho que um bom aluno poderá fazer as conexões necessárias com alguns exercícios rapidamente…

Novo livro

Eis minha rápida compra deste mês: Troglodita é você. Falou em psicologia evolutiva ou biologia evolutiva – coisas sérias muito pouco estudadas por economistas brasileiros auto-denominados “pluralistas” – eu compro e leio.

Homens das cavernas

Eis uma discussão interessante (dica do Selva) sobre como evoluem nossas preferências e porque temos tanta gente primitiva entre nós (não pense que estou sendo irônico…não totalmente). O livro é este. Um trecho da resenha? Aí vai:

We see the face of the Virgin Mary staring up at us from a grilled cheese sandwich and sell the uneaten portion of our meal for $37,000 on eBay. We believe in ESP, ghosts, and angels over the scientific theory of evolution. While science offers a wealth of rational explanations for natural phenomena, we often prefer to embrace the fantasies that reassured our distant ancestors. And we’ll even go to war to protect our delusions against those who do not share them.

These are examples of what evolutionary psychologist Hank Davis calls “Caveman Logic.” Although some examples are funny, the condition itself is no laughing matter. In CAVEMAN LOGIC: THE PERSISTENCE OF PRIMITIVE THINKING IN A MODERN WORLD (Prometheus Books, $19.98), Davis encourages us to transcend the mental default settings and tribal loyalties that worked well for our ancestors back in the Pleistocene age. Davis laments a modern world in which more people believe in ESP, ghosts, and angels than in evolution. Superstition and religion get particularly critical treatment, although he argues that religion, itself, is not the problem but “an inevitable by-product of how our minds misperform.”

Eis uma discussão que dá muito pano para manga, polêmica e, certamente, brigas. Mas é uma discussão importante. Afinal, trata-se de estudar a formação das preferências. Isto deveria atrair os verdadeiros pluralistas da Ciência, não?

Aulas de economia

Aqueles que iniciam seu curso de Economia seriamente, certamente terão dificuldades para fazer abstrações. Scott Sumner apontou o problema e Mankiw reforçou. Mas nunca se esqueça que o mais difícil conceito, mesmo para economistas mais tarimbados, é o de custo de oportunidade e seu siamês, a vantagem comparativa.

Por que superstições persistem?

Does Fortune Favor Dragons?

John Nye, Noel D. Johnson

July 2, 2009

Why do seemingly irrational superstitions persist? This paper analyzes the widely held belief among Asians that children born in the Year of the Dragon are superior. It uses pooled cross section data from the U.S. Current Population Survey to show that Asian immigrants to the United States born in the 1976 year of the Dragon are more educated than comparable immigrants from non-Dragon years. In contrast, no such educational effect is noticeable for Dragon-year children in the general U.S. population. This paper also provides evidence that Asian mothers of Dragon year babies are more educated, richer, and slightly older than Asian mothers of non-Dragon year children. This suggests that belief in the greater superiority of Dragon-year children is self-fulfilling since the demographic characteristics associated with parents who are more able to adjust their birthing strategies to have Dragon children are also correlated with greater investment in their human capital.

Liberdade na América Latina

Um diálogo entre este que vos escreve e Paulo Roberto de Almeida resultou neste primeiro texto sobre o tema. Acho que teremos mais alguns artigos em breve, mas dê uma olhada no texto que, no momento atual, ele ajuda a entender um pouco sobre os problemas do avanço do autoritarismo na América Latina.

Boa e má economia

Luz no fim do túnel:

Saiu uma matéria péssima no caderno de fim de semana do valor entitulada “Por uma realidade plural”. O conteúdo era aquela eterna ladainha sobre e economia ortodoxa ter um pensamento único que ignora que o ser humano é mais do que uma funão utilidade, blá, blá, blá. Pior, os entrevistados dizem que a crise financeira PROVA que a economia ortodoxa está errada. Esse papo existe há décadas e a economia ortodoxa continua sendo ortodoxa. E vai continuar sendo, com ou sem crise.

Acho que os críticos e os criticados ganhariam muito se deixassem de lado essa separação ortodoxia/heterodoxia. Eu dou dois motivos. Primeiro, essa separação fica cada vez mais cinzenta, com vários pesquisadores que usam função utilidade e econometria boa chegando a resultados que classicamente são conseiderados “heterodoxos”. Segundo, muitas vezes é difícil saber se a crítica é direcionada ao projeto de pesquisa em si ou ao resultado. Isto é, sempre que se encontra um resultado que vai contra o que o crítico acredita, a faz-se uma crítica sobre o método, disfarçando o alvo verdadeiro, que, no caso, seria o resultado.

Rafael está correto. Os heterodoxos de quermesse – perdão, Alex, não resisti – adoram usar a estratégia da dupla face (duas caras) sempre que podem. Por um lado falam generalidades pseudo-filosóficas em jornais, entrevistas e blogs sobre o fim do mundo, da economia dita neoclássica e outros papos de boteco. Já, por outro lado, nas catacumbas dos encontros científicos, usam econometria (opa, opa, o mundo não é ergódico, tia Tereza!) e outros métodos que condenam em frente ao grande público como meio de se venderem como excelentes pesquisadores.

Exceções de praxe, este é o comportamento mediano da patota. Não pense que isto ocorre só aqui, no Brasil. Alguns economistas mimetizam seus colegas das Ciências Sociais (os de quermesse, entenda-se bem) e se acham doutrinadores, promovendo um discurso mal-educado, agressivo, no qual o insulto é a regra. E olha que nem estou falando dos pterodoxos de quermesse…

O desenvolvimento da economia no Brasil, eu já disse, é um fenômeno interessante e que deveria ser melhor estudado.

Academia

Gelman e Hanson são referências de leitura. Aqui, Gelman discorda ferozmente de Hanson. O “ferozmente” é por minha conta, claro. Mas veja que interessante este trecho:

Even setting aside teaching, advising, administration, etc., some other crucial qualities for academic research include working hard, having the “taste” to work on important problems, intellectual honesty, and caring enough about getting the right answer. I know some very smart and insightful people who have not made the contributions that they are capable of, because (I think) of gaps in some of these other important traits.

Não entendeu? Leia tudo lá.

Mais explicações para a crise mundial

Você, que chegou aqui procurando uma resposta pronta para seu trabalho de geografia, pode ir embora. Não vai achar nada. Já você, que chegou aqui em busca de mais hipóteses para entender e/ou explicar a crise atual, eis dois bons textos.

Lembre-se: este é um blog de pesquisadores. Não um blog de crianças (como as mal-educadas que vão parar na caixa de “spam”).

Dicas econômicas

Ou seriam dicas de economistas? Caplan fala sobre como manter relações sociais . Leo fala sobre consumo de drogas, salários dos garçons e a novidade final: o fim da exigência do diploma de jornalista.

Controle de remunerações

Está na moda falar de tentar controlar os “ganhos” dos CEO’s. Esta idéia comum não encontra paralelo no setor público – aquele explorado e abusado por políticos – no Brasil. Já Russ Roberts fez uma bela crítica a um político norte-americano aqui.

Aliás, esta é uma boa idéia: por que não discutimos melhor os incentivos sobre os gastos públicos? Continuo vendo muita pressa em culpar o mercado pela crise e pouco esforço intelectual em entender as incríveis falhas de governo envolvidas no início da crise. Sem falar na falta de discussão sobre os impactos de políticas econômicas sobre a economia e mesmo sobre a qualidade sofrível de muitos dados que o governo divulga (para fins de análise estatística, por exemplo).

De qualquer forma, Russ Roberts fez algo que poderíamos fazer com cada um destes políticos brasileiros. Basta analisar os dados da Transparência Brasil.