Com qual deles você não gostaria de discutir problemas de discriminação racial (e por que?)

Thomas Sowell?

Ou o Fernando?

Walter Williams?

Talvez seja melhor um pouco de estudos empíricos. Bem, eu achei algo para se pensar, em termos de viés cognitivo, mas só para os EUA.

Infelizmente, no YouTube em língua portuguesa, só achei matérias bombásticas, superficiais, vídeos provocadores, mas nada sobre um debate sério, que fuja da discussão puramente ideológica, viesada, não-científica. Nada de evidências empíricas. Percebeu?

Mesmo assim, eu pergunto: com quem você prefere debater?

Momento R do Dia – Escravos e História Econômica

Cotas? Escravos? Racismo?

Estava com saudades, né? Pois é. Andei sem tempo – e até um pouco desestimulado – para fazer “Momentos R” aqui. Mas aí o Fernando Holiday fez um vídeo  que causou muita polêmica (assista com calma porque ele, propositalmente, exagera no discurso e fica bem pouco educado) e eu fiquei pensando se não poderia tirar algo de útil de tudo o que vi na internet. Assim…

Melhor aproveitarmos para aprender R (o que ajuda a diminuir a desigualdade…se você estudar, claro!)

…não deu outra: fui até a livraria e, por acaso (mesmo), encontrei o primeiro volume do História de Minas Gerais, organizado por Maria E. L. de Resente e Luiz C. Villalta. Parece que é produto de duas editoras: Autêntica e Companhia do Tempo. Livro de 2013, parece-me.

Há lá um capítulo de Douglas C. Libby, sobre escravos em Minas Gerais. Mas o melhor é que ele tem um levantamento de escravos por estados do Brasil. Na verdade, ele apenas o reproduz. Trata-se de uma tese de doutorado da USP (o nome do autor é Tarcísio R. Botelho).

O fato é que eu já tinha alguns dados de outro trabalho e pensei logo naquela história do Acemoglu e co-autores, de olhar o PIB atual com algum tipo de instrumento colonial. Mas a idéia não avançou muito por conta de meus rascunhos que, bem, são a base deste rápido Momento R do Dia.

Usando o comando “plot” 

Claro, eu sou muito devagar e lento. Logo, pesquiso muito para aprender. Numa destas, encontrei este site. Meu objetivo era simples: fazer gráficos dos PIBs per capita dos estados brasileiros em 2011 (a preços de 2010) contra a razão escravos/população total do estado para os anos de 1808, 1818, 1854 e 1872.

Sei que dá para fazer isto usando o ggplot2, mas eu queria algo rápido, básico. Então, após carregar os dados e alterar alguns nomes…

par(mfrow=c(2,2))
plot(proporcao_escravos_pop_estadual_1872,pib_capita_estadual_2011,ylim=c(0,40), pch=18, col="blue")
text(proporcao_escravos_pop_estadual_1872,pib_capita_estadual_2011,dados1$Sigla, 
     cex=0.6, pos=1,col="red")
plot(proporcao_escravos_pop_estadual_1854,pib_capita_estadual_2011,ylim=c(0,40), pch=18, col="blue")
text(proporcao_escravos_pop_estadual_1854,pib_capita_estadual_2011,dados1$Sigla, 
     cex=0.6, pos=1,col="red")
plot(proporcao_escravos_pop_estadual_1818,pib_capita_estadual_2011,ylim=c(0,40), pch=18, col="green")
text(proporcao_escravos_pop_estadual_1818,pib_capita_estadual_2011,dados1$Sigla, 
     cex=0.6,pos=1, col="red")
plot(proporcao_escravos_pop_estadual_1808,pib_capita_estadual_2011, ylim=c(0,40),pch=18, col="green")
text(proporcao_escravos_pop_estadual_1808,pib_capita_estadual_2011,dados1$Sigla, 
     cex=0.6, pos=1,col="red")

É, monótono, né? Mas se você quer entender o que eu fiz, basta olhar para a sequência de comandos sempre aos pares. Sim, exceto pela divisão da tela em uma matriz 2 x 2 (par(mfrow=c(2,2))), repare que os comandos vem em pares. Sempre peço o “plot” e depois insiro um texto com o “text”.

Olhe o link que mencionei para entender os parâmetros (por exemplo, por que “pos=1″?). As cores são auto-explicativas e acho que apenas o comando “cex” não está mencionado lá, mas pode ser entendido neste link do mesmo site.

O resultado?

painel_Escravos(clique na figura para ampliar)

Escravos, PIB…

Como se vê, os resultados não foram muito animadores (você tem que ter lidos os artigos do Acemoglu, Easterly e todo aquele pessoal de desenvolvimento para entender minha decepção) e eu resolvi parar o trabalho para ficar apenas com a peça didática para os leitores do blog que se iniciam no R.

Ok, para você não ficar no ar, eu dou uma pista. A evidência do Acemoglu e co-autores é a de que o logaritmo do PIB de 1995 tem uma correlação negativa estatisticamente significativa com a mortalidade dos colonizadores em 1500. É uma correlação espúria?

Acemoglu e co-autores – e outros – argumentam que não e o argumento é o de que mortalidade alta de colonizadores incentivaria a criação de uma sociedade extrativa, não uma sociedade de mercado.

Muito resumidamente, é este o argumento. De minha parte, eu quis ver se algo apareceria no Brasil, olhando para os estados. Será que haveria algum tipo de dependência histórica (aquilo que alguns chamam de path dependence) entre o PIB per capita estadual de hoje e o estoque de escravos em algum momento do passado? Não é exatamente a mesma coisa, mas, bem, se fosse, eu não teria motivos para escrever nada, não é?

Ok, não parece haver nem uma correlação (cálculos não reportados aqui) estatisticamente relevante. Mas o que importa mesmo é que tive a oportunidade de te mostrar um pouco mais de comandos básicos do R. Desta vez, o plot.

Pois é. Você não faz isto naquele programa bonitinho e colorido de econometria que, aliás, é pago (e é caro), né? Mas no R você faz. ^_^

O Teste de Causalidade de Granger, o Brasil (e o Rent-Seeking?)

Vitor Wilher faz um belo exemplo de aplicação econométrica: o teste de causalidade de Granger.

vitorwilher

A fonte é esta. O que eu não vi, no trabalho dele, é se ele trabalhou com as séries I(0). Ele deve ter feito isto (mas o slide não explicitou). De qualquer forma, caso ele tenha razão neste teste, então temos um governo com um comportamento bem maroto, não?

Uma coisa é você arrecadar para, então, gastar. Outra é gastar e depois buscar receita. Ora, se você é um trabalhador privado, o segundo caso é sinônimo de mais trabalho e/ou de endividamento (creio eu, temporários). Mas se você é o governo, isso significa que você irá em busca de mais arrecadação. Usará um papo moralista de que combate a sonegação, ou que vai multar para “educar” as pessoas, mas estará mesmo atrás do bom e velho tutano.

Mas há outras questões importantes aí. Ontem, por exemplo, vi uma jornalista tentar iniciar um escândalo no Roda Viva, em torno do termo “Estado Mínimo”. Pode-se falar em raças no Brasil (conceito que a genética já descartou…), mas “Estado Mínimo” parece gerar um alvoroço danado. O entrevistado, líder do VemPraRua, saiu-se muito bem na resposta. Ele usou o termo “Estado Eficiente”.

Pois é isso que buscamos todos, não é? Um “Estado Eficiente”. Ou você quer que seus impostos sejam usados de forma perdulária? Quer? Pois é. Aí até o Cantareira (ou a Cantareira, não sei…) seca.

O debate sobre o “Estado Eficiente” nos leva ao conceito de “nível ótimo do tamanho do Estado”, coisa que eu, Ari e Ronald falamos há uns 10 anos neste artigo. Sem a pretensão de que nossa estimativa seja a melhor coisa já produzida em econometria aplicada, lá naqueles tempos, dizíamos que, em termos da percentual de arrecadação tributária sobre o PIB, o tamanho ótimo estaria em torno de 32%. Mesmo este número nos parecia excessivo.

Passe os olhos pelos jornais e olhe para este resultado do Vitor. Difícil não se revoltar, não? Enquanto isto, alguns criminosos se calam para não entregar seus chefes, sacrificando esposas e filhos no altar do crime. Em homenagem a eles, fica este trecho do clássico Harakiri (ou Seppuku, nome original, de idêntico significado).

O que nosso folclore pode nos ensinar sobre as instituições informais que (não) sustentam uma economia de mercado? O caso do “divino”.

Vejam só o que eu encontrei, por acaso, lendo o bom e velho folclorista:

87. “Trocar” a imagem – As imagens de Cristo, Nossa Senhora, Santas e Santos, não são vendidas mas trocadas. “Troquei o Crucifixo por cem cruzeiros”. É pecado empregar o verbo vender em cousas que não se vendem, como entidades do Reino do Céu. Serão permutadas por dinheiro. (…). [Cascudo, Luís da Câmara. Locuções Tradicionais no Brasil. Itatiaia/USP, 1986, p.78]

Quando eu falo do problema da emporiofobia, talvez não fique tão claro quanto neste interessante trecho. A idéia de “vender” e “comprar” está ligada, no achado do folclorista, a uma imagem negativa. Não se faz isto com imagens religiosas se você é um cidadão de bem. Talvez até alguém diga que indulgências eram “trocadas”, não vendidas. Pudores demais, não? Quem vende e troca é…sujo (lembrei até da briga de Mauá com Dom Pedro II no romance de Jorge Caldeira…).

Outro aspecto do trecho, que eu acho igualmente interessante, é a ênfase no fato de que a moeda é pouco importante nesta mentalidade. Quase posso ver alguém me dizendo que é uma economia de trocas sendo analisada (como nos livros de Microeconomia) e que moeda não é importante. De certa forma, é algo que me ocorre ao ler este trecho. Na tentativa de negar a “compra/venda”, transforma-se a moeda em uma mercadoria como outra qualquer.

Debate-se sobre…

Muitas vezes eu vejo pessoas debatendo (ou se debatendo…) com esta questão de se a religião católica é ou não é anti-capitalista. Meu pitaco é bem mais modesto: cuidado com a igreja católica. O catolicismo brasileiro não é igual ao catolicismo grego, ou é? Tenho minhas dúvidas. As evidências empíricas, por exemplo, acerca da tese de Max Weber são, no mínimo controversas e não é diferente para o catolicismo. Leia lá o Sacred Trust do Ekelund, Tollison e co-autores para ver um exemplo do quanto o debate é mais interessante.

Conclusão…

Pensando no leitor que conhece Economia, acho que o trecho do Cascudo nos lembra que a microfundamentação das instituições informais é mais importante do que uma simples dummy de religião em modelos econométricos. Melhor dizendo: análises macro e micro se complementam (o que não quer dizer que vão sempre nos dizer a mesma coisa, penso mais no avanço do conhecimento…).

Mas o mais legal, para mim, é a tentativa de não vender ou comprar o que, no final do dia, é uma mercadoria desejada, logo, trocada, seja qual for a moeda que você use. Olha, leitor, não sei não, mas acho que quando se tenta condenar o trabalho honesto de vendedores, com desculpas religiosas (ou outras), estimula-se a emporiofobia

Além disso, mas digo só de palpite, sem investigar evidências, mas apenas levantando a hipótese, acho que esta é uma forma de se estimular a prática do rent-seeking na sociedade. Afinal, já que o vendedor não passa de um animal, quem melhor para lhe “vender” honra e status do que um burocrata?

Pensando DENTRO da caixa

Disse meu amigo Sabino Porto Jr (lá, no “Livrodecaras”):

“Fuja de todo texto que usa a expressão “pensar fora da caixa”, normalmente vem acompanhado da expressão “Pensamento crítico”, fuja, corra em disparada…”(JG, mantra interno)

Para ele, dedico este parágrafo:

“Quem vale mais? Quem pensa fora da caixa ou quem percebe que tem que entender se está numa caixa ou não, antes?”

Digo isto porque concordo com ele. Há uma proliferação, uma abundância (o que, então, nos diz que o valor é baixo…) de textos que buscam atender os mimos da geração Y: dizer-lhe (ao jovem) que é genial se relinchar, latir ou mesmo se falar em alguma língua usada por seres humanos.

Estes textos são um lixo. Desculpa, mas este é o termo. Por que? Porque a metáfora é “fofinha”, mas vazia. Primeiro, quem é que sabe se há alguma caixa? Será que estou dentro dela? Será que todos estão? Alguns? Há apenas uma caixa para cada um?

Ora, não menosprezem os gregos, os antigos, o ensino clássico com este modernismo superficial, que não resiste a uma década de drogas, sexo e rock and roll, minha gente! O mais árduo é pensar dentro da caixa, percebendo-a como tal. Ninguém transpõe um obstáculo intelectual sem saber que ele existe antes, sem tê-lo examinado com calma, com inteligência.

Pensar fora da caixa aumenta a auto-estima e, como tal, deve ser visto com desconfiança. Não adianta pensar fora da caixa enquanto seu amigo pensa “dentro da caixa” e faz o foguete ir à Lua enquanto você insiste que a ciência é “multicultural”, porque fora da caixa, e, logo, Tupã e os tambores também deveriam levar o foguete para a Lua.

Uma coisa é ter “insights”, outra é “pensar fora da caixa”. O mau uso de uma expressão pode inviabilizá-la. É o que acontece neste caso.

Dois vivas para o Bardo, o famoso Sabino.

A emporiofobia…e a insensibilidade

Os maiores amigos improváveis dos emporiofóbicos são os que param no tal axioma da não-agressão e saem por aí fazendo festa sobre o liberalismo. Em resumo, este é o ponto deste pequeno texto de Robert e Elizabeth Higgs.

Muitas boas idéias são abortadas pelo radicalismo de alguns falsos Joões Galts. Por que? Simples: porque como já disseram outros liberais (o grande Thomas Sowell, por exemplo), intelectuais gostam de possuir o monopólio das paixões públicas.

Muito libertário lê Sowell e se acha livre desta característica, desta vaidade mesquinha. Pensa que apenas autores marxistas (ou de esquerda em geral) são assim. Nada disto. Idéias liberais não nos tornam santos, apenas mais esclarecidos sobre os efeitos dos incentivos sobre as ações humanas e um simples incentivo é a criação de barreiras à entrada para evitar a competição pela sua platéia.

Tenho, de tempos em tempos, dito aqui que temos que combater a emporiofobia pelo bem de nossos filhos. Afinal, instituições que gerem prosperidade para todos não existirão em uma sociedade emporiofóbica. Mas não podemos parar nesta bela frase. Devemos nos perguntar sobre que valores são os mais úteis para a construção e manutenção de uma sociedade assim. Sei que não vamos defender a escravidão ou a repressão promovida por fanáticos do Boko Haram. Mas vamos aturar discursos desqualificadores vindos de gente que pensa ser liberal?

Eu sei. O texto dos dois Higgs é muito curtinho, muito pequeno e não é tão profundo assim. Mas eu lembro aos leitores deste blog que a compaixão ou o amor ao próximo não são incompatíveis com o liberalismo. Aliás, muita gente, maldosamente, cria uma falsa dicotomia entre estes conceitos e o que mais me preocupa é que muitos destes estão entre os que se dizem liberais. Será que são parte de uma grande família liberal ou apenas não-liberais sob pele de liberais?

A questão fica para a reflexão. Mas fico feliz em ver o texto dos dois Higgs. Um pequeno, mas importante texto.

Novo blog: “Só 1 pessoa”

Ana Carolina é uma aluna que não foi minha aluna em momento algum. Conheci-a em um debate acalorado sobre educação pública quando ainda participava do grupo de estudos Liberalismo e Democracia. Nunca imaginei que escreveria um blog. Entretanto, eis que ela resolveu entrar neste mundo das letras virtual.

Faço votos que se divirta mais do que passe raiva e convido todos a passaram pelo blog dela. Só a justificativa do título já ficou ótima.

p.s. não, não é blog de Economia.

A palestra que fiz na UFOP…disponível para todos

Economia do Crime_Palestra_UFOP_19_março

Esta palestra é dedicada a todos os alunos que se interessaram pelo tema. Mas, ao invés de algo introdutório (o que seria magistralmente feito por Ari Francisco de Araujo Jr ou Pery Francisco Assis Shikida…ambos são chicos, vejam só…), fiz algo que eu pudesse usar como âncora para perturbar a mente dos espectadores: um resumo de alguns artigos que fizemos nos últimos anos, sobre o tema.

Agradeço aos organizadores do encontro, em especial ao prof. Ronaldo Nazaré, pelo convite. Foi um prazer enorme conhecer os colegas do Ronaldo, seus alunos e ex-alunos. Espero que os alunos do mestrado com os quais conversei submetam um artigo para o Congresso da AMDE ou para a Revista da AMDE (ambos, facilmente encontráveis aqui).

Fotos que você não pode deixar de ter em seu álbum de economista!

20150319_180858 20150319_180912Minha sugestão aos alunos de Ciências Econômicas – que se assustaram com minha palestra (acho que criei mais inimigos hoje, ou novos clientes para psicólogos…) – transmitida ao prof. Ronaldo Nazaré foi: as turmas de Economia deveriam criar a tradição de fazer fotos no mesmo local.

A cidade de Mariana é muito simpática, os professores que dividiram seu tempo conosco, idem. Os alunos, também. Ah sim, os dois ex-aliunos que estão no mestrado da UFV foram muito gentis (esqueci de pegar os endereços de email deles, mas fiquei curiosíssimo com a dissertação sobre a qual me falaram).

Foi um imenso prazer conhecer alguns professores, rever alguns ex-colegas e ouvir ex-alunos. Ouvir o Ronaldo fazendo perguntas pensando sempre nos alunos e o Helger fazer uma palestra muito sincera sobre as dificuldades do economista no mercado de trabalho, para quem é ex-professor dos dois, foi especialmente emocionante.

As palestras da Kenya e do Igor adicionaram um bocado ao ciclo de seminários, ora mostrando aos alunos que microeocomia e saúde são próximas (embora não pareça, na véspera das provas de micro…) e também que econometria e análise de conjuntura são uma combinação obrigatória para qualquer aluno.

Não pudemos ficar para o final porque a viagem de volta era longa, mas foi um dia extenuante e, ao mesmo tempo, muito revigorante.

p.s. É, eu sei, as fotos…mas eu não poderia ir embora desta vida sem fazer uma foto destas antes! Oportunidade única! Obrigado, Ronaldo, pelo convite!

Formatura: um momento de um ciclo ou “o” momento de um ciclo?

Ontem foi a cerimônia de colação de grau da faculdade. Comemorou-se a colação das turmas do segundo semestre de 2014. Por motivos alheios à minha vontade (mas não contra ela), fui escolhido como paraninfo da turma. O que é um paraninfo?

s.m. Indivíduo que foi escolhido, geralmente numa cerimônia de colação de grau, para ser homenageado pelos formandos; o título dessa pessoa.
Quem é capaz de defender ou apoiar uma ideia, uma tese, uma causa.
Antigo. Entre os gregos, o escolhido pelo noivo para buscar a noiva.
Ver também: patrono.
(Etm. do grego: paránumphos.us)

Bem, eu não fui buscar a noiva (e agora entendo o porquê do “ninfo”…) de ninguém. Existe esta coisa de ter uma trinca: o patrono, o paraninfo e o professor homenageado. Na nossa faculdade, por motivos que lamento, apenas o paraninfo pode discursar. Não é assim em todo lugar, mas é a restrição que enfrento a cada vez que me chamam para algumas destas cerimônias.

Então aqueles emocionados ali, por algum mecanismo de votação, fizeram-me digno de ser homenageado. Claro que é de emocionar. O momento, obviamente, pede um discurso à altura. Sempre tento, mas nem sempre consigo. Desta vez, a tentativa deu nisto.

Pois é. Eu não sou fã do discurso oficial, este burocrático e pomposo mas de conteúdo algo duvidoso que se lê por aqui. Pouca gente sabe, mas em outros países a prática não é igual à nossa. Há, sim, países em que os discursos são os mesmos (e padronizados) e há os que permitem maior liberdade de elaboração. Tendo a preferir os últimos.

A formatura é um momento de um ciclo? Ou é o mais importante de todos os momentos do ciclo? Meus alunos ainda poderiam acrescentar: é uma quebra estrutural e mudou o processo gerador dos dados? A resposta, claro, é que depende da percepção de cada um.

Fico feliz com a honra concedida. Alguma coisa de certo devo ter feito ao longo dos anos. Alguma coisa que marcou positivamente os meus alunos. Que bom! Ah, sim, a Yasmin me disse, antes de proferir o juramento oficial, que todos imprimiram meu juramento em seus respectivos corações. Sinal de que, ao contrário da burocracia, há espaço para novos juramentos lá na alma de cada um de nós.

p.s. vou ter que tomar duas garrafas de vinho… ^_^

formatura_2015

Alguns artigos meus (antigos) que estão por aí

1. Instituto Millenium

2. Ordem Livre

Há também um bocado de coisas em jornais. Recentemente encontrei os primeiros que escrevi para a imprensa (lá no longínquo 1997…daqui a pouco fazem 20 anos!). Qualquer hora eu faço uma seleção, crio uma coletânea temática e faço um livro.

Pensando bem…(claro, ninguém vai ler, mas não importa, o que importa é rever minhas opiniões, estilo, etc.)

O antigo Centro de Estudos de Finanças Públicas

cefip

Os anos 90 foram muito interessantes. Os ex-alunos mais antigos vão se lembrar do CEFIP (Centro de Estudos de Finanças Públicas) tocado a todo vapor por mim, Daniel, Carlos, Fabrício e Lízia, inicialmente. Depois, alguns nos deixaram e outros vieram.

Chegamos a ter seis sete textos para discussão (e alguns boletins). Os textos estão guardados comigo até hoje. Servirão de prova em julgamentos da História (e que histórias tínhamos…). O primeiro texto é de autoria de Lízia de Figueiredo (Tributação em Adam Smith) e ganhou a capa verde. O segundo texto é de Claudio Burian Wanderley (A Economia de Custos de Transação). O terceiro, de Carlos A. de Resende Jr e Larissa N. Fonseca foi sobre a estabilização da economia (O Plano Real). A seguir, Fabrício A. de Oliveira fazia a crítica ao governo federal (A Proposta de Reforma Tributária do Governo: alcance e limites). O quinto texto pertence a três autores: eu, Rodrigo Godinho e Roseli da Silva (A Influência da Taxa de Juros sobre a Demanda Agregada). O penúltimo texto é de Luiz F. O. de Araujo (Centralização e Descentralização das Negociações Coletivas – Um Estudo de Custos e Benefícios). Finalmente, o Emanuel A. R. Ornelas falava de modelos de equilíbrio geral computáveis (Análise da Sensibilidade do Rendimento dos Fatores em um Modelo 2×2 de Equilíbrio Geral).

Fui nomeado, na época, para cuidar das burocráticas normas que a faculdade exigia para os textos. As variações nas capas, cores, sim, tudo isso rendia horas e horas de reuniões com um simpático pró-reitor. Mas, por mais simpático que ele fosse, era sempre chocante enfrentar tanta burocracia para fazer os textos. Foram anos interessantes.

O CEFIP não sobreviveu, mas guardo, até hoje, sua produção (completa) como lembrança (ou como prova, he, he, he…). Quem sabe, algum dia destes, eu não resolva entregar minhas memórias a algum editor? Muita gente vai tremer. Nem o Petrolão rendeu tanta polêmica… ^_^

Custou-me os olhos da cara! – Breve texto sobre o valor dos olhos

O famoso folclorista, Luís da Câmara Cascudo, em seu Locuções Tradicionais do Brasil (1986), na edição da USP/Itatiaia, lá na página 87, explica o significado desta famosa expressão popular. Vejamos o que nos diz o autor:

109. Custar os olhos da cara! – Objeto ou vitória de alto preço. (…) A interpretação comum é aludir ao suplício bárbaro de arrancar os olhos aos prisioneiros de guerra, soberanos depostos, príncipes e fidalgos perigosos à estabilidade do Reino. (…) Marcus Accius Plautus (250-184 antes de Cristo), que tão bem conhecia a velha Roma republicana, é abundante nesses registros populares: – meus oceluus, oceluss aureus, oculitus te amo, oculissimus, suficientemente expressivos para considerar os olhos como as jóias mais preciosas. Cousa com eles adquirida seria superior às demais, existentes no Mundo (…). [Cascudo, L. C. de (1986), p.87]

Surpreso? Eu sei, a expressão não é tão difícil de se entender. Afinal, imagine-se cego? O estudo da origem do termo nos dá mais informações sobre o porquê de os olhos serem tão valiosos na antiguidade. Repare que, na descrição de Cascudo, os olhos seriam utilizados para fins basicamente políticos: são os fidalgos, reis ou príncipes os principais alvos do bárbaro castigo. Eu não sou dos que assistem Game of Thrones, mas intrigas palacianas são sempre criadas ou alimentadas por conta da espionagem que, na época, usava apenas a tecnologia do olhar. Neste sentido, realmente é caro perder os olhos, certo?

Agora, isto não significa que os olhos sejam sempre a mesma coisa para todos em todos os lugares. Como aprendemos com Adam Smith, um copo de água não é a mesma coisa na sua casa ou no deserto após dias de viagem. Não, isto não é só teoria, leitor(a)! O exemplo acima sugeriu que os olhos são caros e eu lhe dei uma interpretação razoável do porquê disto. Agora, considere os olhos, os mesmíssimos olhos em outra atividade, a pirataria.

No blog do Freakonomics há a menção a um livro sobre pirataria que nos traz dados interessantes sobre contratos de seguro em navios piratas. Quanto valia um olho, relativamente a um braço ou uma perna em um destes navios?

The most extraordinary clauses in the [ship’s constitution] were the ones addressing the “recompense and reward each one ought to have that is either wounded or maimed in his body, suffering the loss of any limb, by that voyage.” Each eventuality was priced out:

Loss of a right arm: 600 pieces of eight
Left arm: 500
Right leg: 500
Left leg: 400
Eye: 100
Finger: 100

Some articles even awarded damages for the loss of a pegleg. Prostheses were so hard to come by in the West Indies that a good wooden leg was worth as much as a real one.

Claro, um olho vale menos na atividade de pirataria do que um braço ou uma perna. Olhos, no palácio, são muito úteis para intrigas, claro. Mas com um olho a menos você ainda tem dois braços para lutar na hora de invadir o barco inimigo.

Então, sim, os olhos são os mesmos, mas é seu valor de uso é que importa para pensar no seu preço. Pode ser que o valor seja alto, ou seja baixo: depende do mercado analisado.

P-Valores…novamente e uma breve reflexão sobre a importância de mais estatística no curso de Economia

Existe uma polêmica importante ocorrendo na Ciência, a do p-valor. Não é de hoje que o assunto reaparece aqui e acolá e, na minha opinião, é hora de professores de Estatística de graduação mesmo trazerem este assunto para a sala de aula.

Em Econometria, creio eu, a polêmica ainda não fez muito barulho onde precisa fazer. Existem aí alguns debates, mas a sala de aula continua “blindada” contra esta discussão. Um dos motivos é que a maior parte dos alunos não entende, sequer, o que seja um erro tipo I ou um erro tipo II, quanto mais o p-valor.

A leitura do texto citado no link acima certamente é recomendável, neste aspecto. Aliás, o fato de o artigo usar o R para simulações afim de demonstrar o argumento traz-nos outra lembrança: a de que o R em sala de aula é imprescindível. Não tem mesmo como o aluno não se sentir confortável em estar equipado com um programa destes.

Sobre o R, aliás, eu diria mais: todo curso de graduação de Economia deveria abandonar uma destas matérias inúteis que realmente não o preparam para o mercado de trabalho e substitui-la por um curso básico de R ou de qualquer outra linguagem que venha ancorada em programas abertos e gratuitos como o R, já que isto estimula, a um custo baixo, o auto-estudo e o aumento da produtividade do próprio aluno.

A partir daí, cursos de Estatística ou Econometria (ou Psicometria, Biometria, etc) ficam mais bem fundamentados e o aprendizado facilitado.

Acho que esta é uma idéia que não deveria ser desprezada. As faculdades públicas ou privadas desta selva bem poderiam romper a barreira do corporativismo sindical e do preconceito contra a inovação e brigar por uma liberdade curricular maior neste sentido. Seria ótimo ver alunos mais satisfeitos e identificados com um curso que lhes fornece, realmente, um meio de se sobressair em sala e no mercado.

Muitas vezes falamos de alunos brasileiros que não são pró-ativos relativamente aos que vemos nos EUA, por exemplo. É verdade. Mas o ambiente é distinto. Aqui, no caso do curso de Ciências Econômicas, vamos falar a verdade, existe um “exército” de supostos professores que passam metade do tempo falando mal de métodos quantitativos e barram matérias quantitativas embora façam discursos poéticos sobre a interdisciplinaridade.

Aí, meus caros, não dá. O aluno já é preguiçoso, já veio mimado de casa, encontra uma faculdade com 90% de discussão sobre como a Ciência Econômica é malvada, feia e cruel com os trabalhadores. Como não se transformar em um ser apático?

Momentos em que percebo que ajudei, sim, um pouco o meu país

Ok, você já conhece o vídeo. Mas foi muito gratificante ler este comentário do Emerson Silva (que não conheço pessoalmente).

obrigadoemerson

Engraçado. Eu falei isto há anos e, por mais que eu tenha testado diversos métodos de ensino e estudo com alunos, continuo achando que o caderno é o que há. Concedo que um tablet talvez possa ajudar, como afirmam alguns brilhantes ex-alunos que tenho, como a amiga Áurea. Mas o caderno, para mim, ainda é a fonte básica (confesso que comecei a me entusiasmar com o Evernote, que ainda uso, mas não o acho tão eficaz ainda).

A bem da verdade, acho que foi o Pedro Sette-Câmara que me disse, dia destes, que o segredo está em não ter gagdets que incentivem o multi-tasking (o famoso “multi-tarefa”). Vou refletir sobre isto um dia destes (não prometerei nada, vá acompanhando o blog…quem sabe?).

Terrível como sempre me esqueço de carregar um caderno comigo para, virtualmente, todo lugar que vou. Não me entenda mal. Não sou um poço de idéias. Sou bem pouco criativo e pobre de boas idéias mas, de vez em quando, sou agraciado por alguma boa intuição e é sempre nestes momentos que o caderno faz aquela falta…

Bom saber que o Emerson poderá ter dado um salto tecnológico (por incrível que pareça, para mim o caderno é um choque tecnológico positivo em relação ao computador, neste caso) por minha conta. Ou não. ^_^

Não é que existem trabalhos interessantes divulgados em bons artigos de jornais?

Pois é. Eu não acho que o racismo seja algo simples assim – e acho que há muita manipulação do conceito para fins bem…racistas – mas estou e sempre estive aberto a analisar evidências empíricas cientificamente sérias.

Veja, por exemplo, este belo artigo, que resume um bocado de estudos aparentemente interessantes.