Economia Política (RIDGE/LACEA)

Olha a chamada de trabalhos.

The Research Institute for Development, Growth and Economics (RIDGE) and LACEA Political Economy Group (PEG) are pleased to announce a call for papers for the RIDGE/LACEA-PEG Workshop on Political Economy to be held in Montevideo, Uruguay, on 26-27 March 2015. The deadline for submission is 15 December 2014.
The 2015 meeting will take place within the framework of the First RIDGE March Forum along with the following workshops:

• Economics of Crime, March 23-24
• Inequality and Poverty, March 24-25
• Comparative Studies of the Southern Hemisphere in Global Economic History and
Development, March 26-27.

Estamos conversados?

Vai de Coca ou vai de Pepsi?

cocapepsi

 

Sim, estava brincando com o pacote ‘egcm’, citado anteriormente. O pacote só faz cointegração entre duas séries (somente faz pela metodologia de Engle-Granger), mas tem uma vantagem que é ter mais alguns testes de raiz unitária.

Assim, recomendo. E vou tomar uma Coca Zero.

Expressões linguísticas: “sem-número”

Tenho um interesse inexplicável por línguas estrangeiras, notadamente no que diz respeito às coincidências. Por exemplo, uma expressão muito popular por aqui é “sem-número” ou, para os mais cultos, “miríade”.

Quantas vezes não li alguém que dizia: “…um sem-número de vezes…” e por aí vai. Aí eu, estudando japonês, deparo-me com: “無数” cuja leitura seria (“musuu”). Bom, 無 significa “nada”, “vazio” e 数 é o caractere para “número(s)”.

Não preciso dizer que vibrei e estou me deliciando com isto até agora, né? Tá até difícil voltar a ler o texto. ^_^

Juízes do STF são sempre pró-Executivo no Brasil? Adivinhe (ou leia o texto citado)!

How judges think in the Brazilian Supreme Court: Estimating ideal points and identifying dimensions 

Pedro Fernando Almeida Nery Ferreira, Bernardo Mueller
Abstract
We use NOMINATE (Nominal Three Step Estimation) (Poole and Rosenthal, 1983, 1997) to estimate ideal pointsfor all Supreme Court Justices in Brazil from 2002 to 2012. Based on these estimated preferences we identify the nature of the two main dimensions along which disagreements tend to occur in this Court. These estimates correctly predict over 95% of the votes on constitutional review cases in each of the compositions of the Court which we analyze. The main contribution of the paper is to identify that the main dimension along which preferences align in the Brazilian Supreme Court is for and against the economic interest of the Executive. This is significantly different than the conservative-liberal polarization of the US Supreme Court. Our estimates show that along this dimension the composition of the Court has been clearly favorable to the Executive’s economic interests, providing the setting in which the dramatic transformation in institutions and policies that the country has undergone in last two decades could take place.

Preciso dizer mais? Não, né? Então, dá uma olhada na figura abaixo e vá lá ler o texto que seu acesso não é pago.

mensalao

O multiplicador da política fiscal é de…0.4!

Pouco ou muito?

Government Spending Multipliers in Developing Countries: Evidence from Lending by Official Creditors

Article Citation

Kraay, Aart. 2014. “Government Spending Multipliers in Developing Countries: Evidence from Lending by Official Creditors.” American Economic Journal: Macroeconomics, 6(4): 170-208.

Abstract

I use a novel loan-level dataset covering lending by official creditors to developing country governments to construct an instrument for government spending. Loans from official creditors typically finance multiyear public spending projects, with disbursements linked to the stages of project implementation. The identification strategy exploits the long lags between approval and eventual disbursement of these loans to isolate a predetermined component of public spending associated with past loan approval decisions taken before the realization of contemporaneous shocks. In a large sample of 102 developing countries over the period 1970-2010, the one-year spending multiplier is reasonably-precisely estimated to be around 0.4.

Achei pequeno. Mas o legal é dar uma olhada no artigo. Olhe lá!

Guerra Civil e Controle Sintético

Quem gostou do papo sobre Copa do Mundo (lembra?) talvez goste também de Guerra Civil. Afinal, ambos os artigos usam controle sintético como metodologia para construir o contrafactual. É, no caso o link é para o segundo artigo.

Eis seu resumo:

There is a consensus that civil wars entail enormous economic costs, but we lack reliable estimates, due to the endogenous relationship between violence and socio-economic conditions. This paper measures the economic consequences of civil wars with the synthetic control method. This allows us to identify appropriate counterfactuals for assessing the national-level economic impact of civil war in a sample of 20 countries. We find that the average annual loss of GDP per capita is 17.5 percent.
Moreover, we use our estimates of annual losses to study the determinants of war destructiveness, focusing on the effects of ethnic heterogeneity. Building on an emerging literature on the relationships between ethnicity, trust, economic outcomes, and conflict, we argue that civil war erodes interethnic trust and highly fractionalized societies pay an especially high “price”, as they rely heavily on interethnic business relations. We find a consistent positive effect of ethnic fractionalization economic war-induced loss.

Uau…17.5% do PIB?? Pois é. Divirta-se.

Obrigado a você, leitor. Espero que não precise trocar carne por ovo.

Não conhecço o Ellery pessoalmente. Mas ele escreveu um texto inspirador hoje. Fiquei com inveja. Queria ter tido a idéia de escrever algo assim aqui, mas não conseguiria. Até o final deste domingo, acho que o meu sentimento é o do menino da foto que coloquei aqui ontem.

20141025_114232No passado eu era um pouco mais norte-americano com meu voto: não o divulgava. Passei por uma experiência traumática em 1989 quando fui de Covas e, depois, de Lula, sendo derrotado por Collor (hoje, aliado de Lula apesar de ter sido caluniado pelo mesmo por anos, não sem uma dose, digamos, cristã, de merecimento).

Esta eleição começou como qualquer outra para mim. Há muitos anos eu anulava – com uma ou outra exceção – meu voto. Acredito que é um direito do cidadão se omitir de escolher, sim. Também acredito, entretanto, que o voto deveria ser voluntário. Claro, também acredito que deveríamos viver em um país melhor, etc. Mas a realidade é muito mais dura e sabemos que nenhum político é santo (nem o meu candidato, nem o seu). É, a política é feita por seres humanos.

Ellery fala do Aécio. Olha, não é o candidato dos meus sonhos? Não. Mas mostrou-se uma liderança bem mais forte e articulada do que eu imaginava. Ganhou pontos comigo. Ajudou a resgatar um discurso correto que o PSDB havia deixado de lado por injustificado temor, nas eleições anteriores.

Tentei pensar em um texto para deixar aqui, como o Ellery fez, mas não consigo. As palavras não saem. Ou saem, mas não se organizam. Ficarei devendo aos leitores do blog um texto sobre este dia. Mas, o mais importante, não passarei por ele sem tê-lo vivido. Ficamos assim. Em breve, voltamos à programação normal.

p.s. o preço do pãozinho na padaria estava decisivo para votar na mudança.

 

De como o governo é, sim, um dos culpados pelas pesquisas eleitorais com resultados estranhos…mas não pelo motivo que você está imaginando.

Pois é. Vou resumir: as pesquisas não são construídas de forma a apresentarem margens de erro. Entretanto, a lei (ou seja, o governo) exige que as pesquisas apresentem margens de erro no registro das mesmas no TSE. 

Logo…

Ouça o podcast.

Artigo novo (sobre instituições)

Estou trabalhando num texto didático (um grande fichamento, nem é texto original) sobre expectativas racionais para a graduação, mas tenho tentado me aventurar pela Nova Economia Institucional…já fazem uns 10 anos.

Obviamente, falta muito, mas eu tentei resumir um pouco sobre instituições em um texto mais organizado e ele acaba de ser publicado neste journal. Caso tenha interesse, dê uma olhada. Não tem uma única estimação. É apenas uma tentativa de entender melhor o conceito de instituição.

p.s. texto mal escrito. Eu queria dizer que estava eu, calmamente, a trabalhar em um resumo quando recebi a boa notícia de que…

Zoeira: o pai

Você acha que inventou a roda ao colocar aquelas legendas engraçadas no trecho de “A Queda” em que Hitler perde a paciência com a oposi…digo, com a iminente derrota? Pois é. Mas, na arte, nada se cria, nada se perde.

Lembremo-nos de Woody Allen. Outro dia eu me dei conta disto e perguntei a uns amigos porque vi este filme há anos…

20141023_075320 20141023_075343Pois é, gente. Woody Allen é o verdadeiro pai da zoeira. Quando fizerem legendas engraçadas em filmes, lembrem-se dele.

 

Marketing…na prática

Eu aconselharia, fortemente, aos que se interessam pelo tema (microeconomia + marketing + estatística) a compra e estudo deste livro. Na verdade, tem até ele em versão liberada no endereço citado.

Aliás…

Como é que o sujeito pode reclamar com o diretor que tem muita matéria, que tem que estudar, mas não que deveria fazer mais cursos interessantes, no qual houvesse a oportunidade de juntar as ferramentas aprendidas em diferentes matérias em uma mais interessante? Eu entendo os incentivos, mas também entendo que há um problema aí.

De qualquer forma, minha percepção é a de que os cursos de Economia que não se reinventarem com maior integração com a Estatística e a Computação, condenarão seus alunos a um futuro sombrio. A flexibilidade, no mercado de trabalho, é uma necessidade de cada um e, também, um fato.

Dá um certo receio imaginar como será o futuro da educação no agregado porque, claro, os alunos espertos vão se virar e farão cursos online, etc. Mas o restante…

Teoria do Consumidor…aplicada

Preferências do consumidor. Eis algo que a gente toma como dado e parte para a análise. Bom, isto é para facilitar a vida dos alunos porque, claro, nos dias de hoje – ao contrário de 30 anos atrás – obter dados sobre preferências é mais fácil.

Caso você queira ver como é que se estuda preferências, veja, por exemplo, este texto. Ah sim, sem aprender R, você fica menos capacitado para a brincadeira. Mas, claro, você sabe como alocar seu tempo para melhorar suas chances de arrumar um bom emprego, né?

Ah se eu tivesse tempo para me dedicar a tudo o que é interessante…aproveita que você não precisa trabalhar e manda ver, filho(a)!

p.s. em assunto não relacionado…livro novo do Pastore (a droga é que não achei como já fazer encomenda do mesmo…).

Citação do Dia – Regra da Maioria

Now, majority is a precious, sacred thing worth dying for. But – like other precious, sacred things, such as the home and the family – it’s not only worth dying for, it can make you wish you were dead. Imagine if all life were determined by majority rule. Every meal would be a pizza. Every pair of pants, even those in a Brooks Brothers suit, would be stone-washed denim. Celebrity diet and exercise books would be the only thing on the shelves at the library. And – since women are a majority of the population – we’d all be married to Mel Gibson. (O’Rourke, 1991, p.5 apud Munger, M. C. “Analyzing Policy – Choices, Conflicts, and Practices, 2000, p.166)

Não resisti, pessoal. Tive que citar.

Expectativas quanto ao futuro importam?

Alunos vivem reclamando de expectativas racionais, que consumidor não é racional, que isso e aquilo. Bom, a maior prova de que o homo economicus está vivo e forte está no processo das eleições. Basta olhar para o Bovespa e pensar um pouco.

Preciso dizer mais? Mas eu vou dizer.

Coloque o Bovespa junto com o ‘q’ de Tobin e você terá algo sobre o investimento agregado. Junte com o restante da demanda agregada e você terá a IS. Faça o resto.

Não gostou do meu modelo? Sem problemas. Ele é apenas para explicar quem nunca leu nada muito avançado. Vai lá, pega o livro do Carl Walsh (o de doutorado, não o de graduação) e olha o papel das expectativas. Achou complicado? Pois é. Então voltemos ao básico: olhe para o Bovespa. Olhe para os agregados macroeconômicos. Olhe para os indicadores antecedentes, coincidentes, etc.

Então cento e sessenta e quatro professores de economia resolveram parar de tergiversar e…

Mapa

O resultado é este Manifesto. Sim, tem tudo que é professor de tudo que é departamento de economia do país (UPDATE: e também fora dele): Insper, UFOP, Unicamp, Ibmec MG, PUC-RJ, CAEN, Fucape, UFPel, UFPE, USP, UCB, UnB, UFRGS, enfim…deixa eu citar os números, conforme os organizadores do manifesto:

Algumas estatísticas básicas do 164 signatários: 75 de instituições públicas no Brasil; 49  de instituições privadas no Brasil; 40 de instituições no Exterior.

Pois é. Não são só os economistas malvados desta ou daquela instituição. Passem os olhos pelos nomes e instituições. Eis o trecho final do manifesto:

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá-los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto. Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

Agora você já sabe. Não sou só eu que estou cansado deste papo de contabilidade ‘criativa’ ou de ‘troque carne por ovos’. Nunca, em uma campanha presidencial, economistas tão distintos estiveram tão próximos e, infelizmente, é porque o governo atual estimulou um falso debate econômico.

Bem, a gente se cansa, né? Fique à vontade para divulgar este manifesto para seus professores de economia, amigos, alunos, etc.

Nobel para Tirole – Mais uma observação

O uso de políticas pró-competição para beneficiar a sociedade como um todo, levando a preços mais baixos nas tarifas de serviços de infraestrutura sob regulação, como telefonia e energia elétrica, é a principal lição, para o Brasil, da teoria do economista francês Jean Tirole, laureado ontem com o Prêmio Nobel de Economia 2014, pela Academia Real Sueca de Ciências.

A avaliação é do economista e estatístico Aloisio Araujo, pesquisador eprofessor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada(Impa) e da Escola Brasileia de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), amigo de Tirole. (Estado de São Paulo, 14/10/2014, p.B4)

Para quem não entendeu ainda o significado do prêmio, eis outra ótima manifestação. Aliás, se você curte estudar parcerias público-privadas, então é impossível escapar desta discussão, ou seja, você tem que ler o Tirole, sob pena de ficar para trás na conversa.

Quem não acredita em Microeconomia (sic, sic e, quiçá, sick) pode ir chorar no cantinho da sala…

Não, não é o José Wilker.