Humor e Macroeconomia

Cheguei à equação de Euler. E agora? Como a maçã ou não?

Clues in our mitochondrial DNA tell biologists that we humans share a common ancestor called Eve who lived 200,00 years ago. All of macroeconomics too seems to have descended from a common source, Irving Fisher’s and Milton Friedman’s consumption Euler equation, the cornerstone of the permanent income theory of consumption. Modern macroeconomics records the fruit and frustration of a long love-hate affair with the permanent income mechanism. [Ljungqvist & Sargent (2010) Recursive Macroeconomic Theory, 3rd ed, p.3]

Taí um dos mais bem-humorados trechos da história da macroeconomia que eu já li.

Como ajudar os pobres? Dando-lhe mercados (da série: diga não à emporiofobia)

Eis um vídeo muito bom, curto e muito bem explicado. Antes de sair por aí acusando seu amigo economista de “ser maldoso” ou dizer que “mercados não eliminam pobreza”, vai lá ler seu livro-texto de desenvolvimento econômico.

Acho que pensar no que diz o prof. Powell é essencial (pensar, meu amigo, não rosnar, ok?). Este vídeo poupa horas e horas de leitura…

Alunos querem fazer trabalhos interessantes, aplicados, desde que………………..tenham que decorar tudo

Eu sei que o título é provocador mas todos nós que, um dia, tentamos atividades aplicadas com alunos enfrentamos o mesmo problema que esta professora. Leia lá o texto dela. Veja a atividade que ela propôs. Fosse eu um aluno de Economia, iria correndo tentar fazer a melhor análise possível.

Entretanto, parece que o padrão “quero-perder-para-chineses-produtivos” prevalece e não apenas os alunos dela, mas muitos alunos que passaram (ou não) por mim apresentam este comportamento.

O curioso é o cara se gabar de aprender sozinho a usar o instagram (que, convenhamos, não exige muito da inteligência, né?), dizer que é um cara moderno, mas, ao mesmo tempo, dizer que tem medo e angústia quando se lhe cai ao colo um gráfico de uma variável econômica e um pedido para fazer um relatório minimamente decente.

Não tem muito mistério, gente: aprender dói e, no pain, no gain. Acabou. Pergunte para sua avó (ou bisavó). Ela dirá o mesmo.

Índice de Liberdade Econômica Estadual (EUA)

Eis a nova edição aqui. Há, sim, uma anterior, mas acho que era feita por outra ONG. Aí você me pergunta: por que não temos este índice no Brasil? É culpa da presidente? Não. É culpa dos empreiteiros e banqueiros e da Petrobrás? Talvez, já que ao invés de financiar um projeto como este saía mais barato comprar uns “trabalhadores” do partido dos supostos trabalhadores.

É culpa dos economistas? Bem, os que acreditam que econometria ou estatística podem ser úteis podem até ter tido a idéia, mas não vi. Claro, a turminha da panfletagem, que diz que econometria deve ser tratada como lixo e seus usuários deveriam ser imolados no altar (ou que “medir a liberdade econômica é uma mera questão acadêmica”) carregam parte da culpa por criarem uma cultura obscurantista quanto à econometria.

Mas a gente precisa de um indicador como este? Olha, eu tenhoa sempre várias restrições a indicadores assim, mas entre ter algum indicador e não ter nenhum, eu prefiro ter algum. Sou destes que acredita que alguma medida ainda é o começo de uma discussão menos fanática, menos non-sense.

A discussão sobre se existe algum impacto institucional começa aí. Olhe uma pergunta simples: qual o impacto de se investir tanto em movimentos liberais se a liberdade econômica não muda? Bem, não sabemos se muda porque…não temos o índice. Isso atrapalha a decisão dos gestores que desejam investir em organizações liberais porque eles não enxergam claramente o retorno e arcam com os custos.

Ou você poderia se preocupar com o crescimento econômico regional controlando pela liberdade econômica. Este seria um outro trabalho interessante. Enfim, possibilidades existem, várias. Quem sabe um dia, né?

Por que a assistência técnica da sua TV/geladeira/fogão é tão ruim? Algumas reflexões irresponsáveis

Eu me lembro que, nos anos 90, o CADE – e a política de defesa da concorrência – viraram heróis entre os brasileiros. Havia uma sensação de que, naquele momento, o consumidor seria mais respeitado. Neste aspecto, até funcionários públicos passaram a abusar menos dos cidadãos. Houve um certo recuo na arrogância de oligopolistas e funcionários públicos.

Sindicatos, outrora poderosos extratores de renda, perderam um pouco de apelo porque o público passou a enxergar a dinâmica econômica de forma mais civilizada. Emblemático talvez seja o fato de todos que foram “fiscais do Sarney” terem mudado de opinião: ninguém mais culpava empresário pela inflação.

Aí mudou o governo e o sr. da Silva resolveu que marco regulatório desagradava os seus amigos do partido. Para não ser deposto pelo voto popular, abraçou, meio sem fé, o tripé macroeconômico. Parece que sentia o mesmo prazer de um homossexual enrustido ao beijar a Gisele Bundchen na boca.

Assim, devagar, mas de forma perseverante, nosso marco regulatório foi sendo esfacelado, nomeações políticas feitas com gente do segundo escalão do time (para derrubar a meritocracia, comum a todos os países civilizados), ainda que se acusasse uns políticos de serem “do baixo clero”.

Hipocrisias à parte, pensemos nos eleitores-pagadores-de-impostos. Estes começaram a viajar para fora do país. Viram a civilização e voltaram. Tanto consumidores como empreendedores passaram a imaginar um país diferente. A economia mundial não atrapalhava: ajudava. Crescimento econômico mundial, clima ajudando (e olha que já se falava de “aquecimento global”, etc, mas não vi apagão depois de 2001), etc.

Mas aí é que, em algum momento, alguns fundamentos microeconômicos esfacelados cobraram seu preço. O consumidor, que viveu alguns anos como um cidadão de primeira classe, sendo bem tratado em repartições públicas e no mercado, lentamente voltou a “saber com quem estava falando”. Sindicatos de funcionários públicos se sentiam o próprio Eike Batista e a concorrência e a meritocracia deram lugar ao discurso do “BNDES que escolhe campeões”. Voltou-se à era Geisel, por assim dizer.

Claro que não podemos nos esquecer dos pobres. E os pobres? Ué, os pobres ganharam bolsa e alguns melhoraram de vida com o crescimento econômico. Entretanto, encontraram um sistema educacional enrijecido no qual não importa muito saber matemática e português (porque isto é coisa de “burguês”). Sem falar nas tentativas de se destruir a meritocracia.

Resultado? Uma força de trabalho ansiosa para viajar para Miami nas férias e louca para ganhar uns trocados. Ao mesmo tempo, infelizmente, uma mão-de-obra pouco preparada.

Obviamente, as coisas não acontecem de forma homogênea e com a mesma velocidade. Mudanças tecnológicas atenuaram alguns destes efeitos e resultados de reformas feitas nos governos anteriores apareceram (ainda que sob intenso fogo inimigo). Por bem ou por mal, o país caminhou, mas nunca em seu potencial e olha que nem incluí aqui as reformas que não foram feitas, embora todos os bons economistas alertassem por 12 anos em artigos, blogs, conversas de boteco e seminários de pesquisa (mas não na TV, porque, afinal, a concessão pública tem um preço…).

Falta de competição somada a um marco regulatório quebrado (e pisoteado pela política de “escolha dos vencedores” ou, alternativa e talvez mais correta, “escolha dos perdedores”) e uma força de trabalho que não escreve direito, não faz contas algébricas simples, embora saiba fazer o upload de um vídeo na internet (ainda que não saiba fazê-lo se você chamar de upload) são os elementos que, para mim, explicam a má qualidade dos serviços no Brasil contemporâneo.

Obviamente, o buraco é mais embaixo e explicar estas relações envolve um pouco mais de rigor na investigação das relações causais envolvidas aqui (ou em bons contra-argumentos). Não fui atrás de dados que pudessem ser usados de forma cautelosa para investigar os efeitos quantitativos que a teoria (que também não elaborei rigorosamente) prevê. Mas acho que é por aí.

Não afirmo que este texto seja inédito, original ou profundo. Apenas uma coleção de insights. Uma coleção surgida de sucessivas decepções.

Qual é o sentido da vida? Onde ele está?

Uma das respostas mais sensacionais para uma criança de quase 7 anos. O truque, aqui, é lembrar que esta criança de 7 anos pode ser você.

De certa forma, o físico não distoa da mensagem do grupo humorístico Monthy Phyton em seu clássico “The Meaning of Life” ou em outros filmes. Repare que há uma certa sabedoria perene, universal, que nos diz que o sentido da vida é, primeiramente, individual, gerado com liberdade (ou seja, sua “qualidade” pode variar conforme o grau de liberdade que você tem), podendo, claro, ser monitorado por adultos responsáveis (pais e mães que não são permissivos e nem idolatram os fihos, mas também não os sufocam).

Valores assim, acredito, são a base de sociedades prósperas. Repare que o grande desafio é fazer com que estes valores surjam e se mantenham em torno de um tecido social estável e, ao mesmo tempo, dinâmico. Soa familiar para quem já estudou um pouco de Hayek (e a famosa “ordem espontânea”), não?

Pois é. Esta é uma daquelas grandes questões que me fazem pensar, novamente, no conceito de emporiofobia, termo cunhado pelo prof. Paul Rubin em uma conferência na Southern Economic Association, há algum tempo (por que? Leia o texto lá para ter seus próprios insights).

São momentos como este que me fazem pensar na importância da pesquisa acadêmica em relação ao ensino de sala de aula. Ambas são tarefas nobres mas, honestamente, qual delas te motiva mais: a exposição da teoria em sala ou a possibilidade de se sentar com o professor e discutir como testar, criar ou pensar no problema de forma cientificamente organizada?

Repare bem: sou um defensor de ambas as atividades e vejo-as como complementares. Sua exploração, quando criança, do mundo, como diz o prof. Tyson, vai te ajudar a pensar o mundo lá na frente. Mas isso precisa ser feito sob alguma disciplina. Um sábio fonoaudiólogo, há alguns anos, ensinou-me que a espontaneidade surge da disciplina e isto não é tão paradoxal. Afinal, você pensará melhor cientificamente após aprender o método científico, o que exige, sim, disciplina.

A arte está em saber combinar estas coisas de forma a maximizar seu bem-estar a cada instante. Certamente não é fácil, mas é por isso que alguns cientistas – e aí posso falar dos economistas – como Hayek, North e tantos outros devem ser lidos: eles pensaram nestes problemas e em como resolvê-los. Como seres humanos imperfeitos (quem não o é?), não chegaram à pedra filosofal, mas abriram novos caminhos.

Quem quiser explorá-los, é bem-vindo.

p.s. Este seria um bom texto para um discurso de abertura de um grupo de estudos, heim?

Terroristas solitários: quais seriam os microfundamentos de suas ações?

Acho esta pergunta fascinante e acho este relatório um bom exemplo de como começar a entender o problema. Veja as conclusões da análise de dados:

•Lone actor terrorists, while representing a very small proportion (8%) of terrorists, have been responsible for one-fourth of the terrorism incidents in the United States.

•Lone actor terrorists are significantly better educated, more likely to be female, and less likely to be married than group participant terrorists.

•Lone actor terrorists engage in significantly fewer precursor activities than group participants.

•There is no difference in the length of the planning cycle for lone actor terrorists and group participants.

•Lone actor terrorists lived significantly farther from where they prepared for an incident and where the incident occurred than did group participants.

•Lone actor terrorists have a significantly longer “life cycle” than group participants.

Interessante, não? Nas fronteiras dos estudos sobre a racionalidade estão os terroristas solitários. Certamente um tema interessante para pesquisas. Repare que nem a sua vizinha casada escapa de suspeitas! ^_^

Por que será que mulheres casadas (norte-americanas) aparecem com tanta relevância nas ocorrências de terrorismo naquele país? Certamente um exemplo normativo que derruba a tese de que “mulheres são vítimas da sociedade e passivas”, mostrando que elas podem ser tão violentas quanto os homens.

Do lado positivo (lembre-se: refiro-me à dicotomia entre “positivo e normativo” da ciência, notadamente a econômica), minha curiosidade vai um pouco além: quais seriam os microfundamentos da ação dos terroristas? Por que será que terroristas individuais duram mais tempo? Claro, tem a ver com a dificuldade de se encontrar um sujeito ao invés de um grupo. Mas, o que será que leva, por exemplo, um sujeito a abandonar a idéia de entrar em um grupo para formar o seu próprio (sozinho)?

No caso das mulheres, caso eu não esteja enganado, há um nicho de mercado terrorista que é aquele de radicais que querem tratar animais de maneira mais humana do que seres humanos (afinal, praticam atos terroristas contra pessoas, não contra bodes, né?).

É, terrorismo, como campo de pesquisas, também é muito interessante e não tem como escapar do ferramental teórico: terroristas são racionais também. O problema, ou o conceito, que parece ser chave é o radicalismo que nem sempre leva a atos violentos. Veja, por exemplo, este relatório.

No Brasil, eu diria, há grupos que namoram com o terrorismo, já que não abandonam suas idéias radicais e violentas. Podem não chegar a ele, mas estão perto. Basta que o Estado os ignore (ou mesmo os suporte, para fins próprios) que chegaremos lá. Tomara que não, né?

Para mais economia do terrorismo, ver os artigos (sobre o tema, porque ele escreve sobre vários temas) de João R. Faria.

Desestimulando o empreendedorismo

Bruno Salama bate um papo, em seu último podcast, sobre o tema. Sim, é sobre o seu último livro. Para conhecer as instituições, veja bem, você precisa estudar um pouco de sua história. Assim…bom, deixa o Salama falar.

Corrupção e empresas estatais: uma nota de Anne Krueger

Dizia Anne Krueger, em um livro sobre o capitalismo de compadrio, mais antigo do que alguns leitores mais novos supõem:

(…) suppose that, instead of investing in SOEs [State Owned Enterprises, ou, simplesmente, estatais] at negative real rates of return, the government were to use resources to provide for palaces, airplanes, luxury automobiles, and other luxuries for the ruling group, or elite. Suppose that a fraction of savings, equal to that allocated to SOE investments in the situation outlined above, was diverted to these purposes through taxation or through deficit financing (including possibly even borrowing from abroad). [Krueger, A. “Why Crony Capitalism is Bad for Economic Growth” in Haber, S. (ed) “Crony Capitalism and Economic Growth in Latin America”, 2002]

Diz a autora: se estes gastos forem registrados como investimentos, a taxa de retorno será igual a zero e, caso registrados como consumo, observa-se uma queda na taxa de poupança doméstica. Há mais o que falar, mas deixo ao leitor o trabalho de comprar este livro (que é bem barato, menos de U$ 15.00) e ler o capítulo (e os outros capítulos também!).

Preciso dizer que é uma boa oportunidade de dar uma olhada nos dados do Brasil nos últimos anos (digamos, desde o início da mensuração das Contas Nacionais) para começar um estudo mais profundo sobre o tema nesta selva?

Lá vamos nós de novo submeter artigos?

Como Diretor Científico da AMDE, não posso deixar de divulgar:

Chamada para submissões

O VII Congresso da Associação Mineira de Direito e Economia ocorrerá nos dias 25 e 26 de maio de 2015, na Faculdade Arnaldo, em Belo Horizonte, MG.

Os interessados estão convidados a enviar trabalhos para apreciação pelo comitê científico. Solicita-se o encaminhamento por via eletrônica do texto final ou de resumo, neste caso, com o máximo de 500 palavras até o dia 31 de março de 2015.

O processo de submissão deverá ser feito única e exclusivamente por meio do portal de Congressos da AMDE (www.congresso.amde.org.br/). O autor deverá se cadastrar no portal para realizar sua submissão.

Serão admitidos trabalhos em português, inglês e espanhol.

Os trabalhos devem também incluir um resumo em inglês; termos do assunto (palavras chaves); Classificação JEL; dados pessoas para contato, incluindo nome completo do autor, email, telefone, endereço e posição acadêmica ou profissional.

Áreas:

Behavior Law and Economics
Direito Administrativo
Direito Contratual
Direito do Trabalho
Direito e Economia Geral
Direito Concursal e Falimentar
Direito Internacional
Direito Penal
Direito Processual Civil e Arbitragem
Direito Societário e Mercado de Valores Mobiliários
Direito Tributário
Direitos de Propriedade
Legislação Antitruste
Meio Ambiente, Saúde, Segurança e Lei
Responsabilidade Civil

Demais informações sobre o evento poderão ser encontradas no site www.congresso.amde.org.br.

Substitutos perfeitos, complementares perfeitos, Cobb-Douglas….ou é tudo CES mesmo?

2015-02-05 14.18.39Caso você nunca tenha entendido o que é o custo de oportunidade ou nunca tenha pensado sobre as suas diversas manifestações, na Teoria do Consumidor (que nada mais é do que uma teoria da decisão), eis uma imagem que, se não vale mil palavras, não deixa de ser muito eloquente.