Expectativas quanto ao futuro importam?

Alunos vivem reclamando de expectativas racionais, que consumidor não é racional, que isso e aquilo. Bom, a maior prova de que o homo economicus está vivo e forte está no processo das eleições. Basta olhar para o Bovespa e pensar um pouco.

Preciso dizer mais? Mas eu vou dizer.

Coloque o Bovespa junto com o ‘q’ de Tobin e você terá algo sobre o investimento agregado. Junte com o restante da demanda agregada e você terá a IS. Faça o resto.

Não gostou do meu modelo? Sem problemas. Ele é apenas para explicar quem nunca leu nada muito avançado. Vai lá, pega o livro do Carl Walsh (o de doutorado, não o de graduação) e olha o papel das expectativas. Achou complicado? Pois é. Então voltemos ao básico: olhe para o Bovespa. Olhe para os agregados macroeconômicos. Olhe para os indicadores antecedentes, coincidentes, etc.

Então cento e sessenta e quatro professores de economia resolveram parar de tergiversar e…

Mapa

O resultado é este Manifesto. Sim, tem tudo que é professor de tudo que é departamento de economia do país (UPDATE: e também fora dele): Insper, UFOP, Unicamp, Ibmec MG, PUC-RJ, CAEN, Fucape, UFPel, UFPE, USP, UCB, UnB, UFRGS, enfim…deixa eu citar os números, conforme os organizadores do manifesto:

Algumas estatísticas básicas do 164 signatários: 75 de instituições públicas no Brasil; 49  de instituições privadas no Brasil; 40 de instituições no Exterior.

Pois é. Não são só os economistas malvados desta ou daquela instituição. Passem os olhos pelos nomes e instituições. Eis o trecho final do manifesto:

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá-los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto. Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

Agora você já sabe. Não sou só eu que estou cansado deste papo de contabilidade ‘criativa’ ou de ‘troque carne por ovos’. Nunca, em uma campanha presidencial, economistas tão distintos estiveram tão próximos e, infelizmente, é porque o governo atual estimulou um falso debate econômico.

Bem, a gente se cansa, né? Fique à vontade para divulgar este manifesto para seus professores de economia, amigos, alunos, etc.

Nobel para Tirole – Mais uma observação

O uso de políticas pró-competição para beneficiar a sociedade como um todo, levando a preços mais baixos nas tarifas de serviços de infraestrutura sob regulação, como telefonia e energia elétrica, é a principal lição, para o Brasil, da teoria do economista francês Jean Tirole, laureado ontem com o Prêmio Nobel de Economia 2014, pela Academia Real Sueca de Ciências.

A avaliação é do economista e estatístico Aloisio Araujo, pesquisador eprofessor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada(Impa) e da Escola Brasileia de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), amigo de Tirole. (Estado de São Paulo, 14/10/2014, p.B4)

Para quem não entendeu ainda o significado do prêmio, eis outra ótima manifestação. Aliás, se você curte estudar parcerias público-privadas, então é impossível escapar desta discussão, ou seja, você tem que ler o Tirole, sob pena de ficar para trás na conversa.

Quem não acredita em Microeconomia (sic, sic e, quiçá, sick) pode ir chorar no cantinho da sala…

Não, não é o José Wilker.

Votos (1o turno) e IDH (2010) e um desafio

idh_votos

O problema das correlações, eu sei, é que são apenas correlações. A base de dados me foi gentilmente cedida pelo Cinelli do Análise Real (não se assuste: não tem lista do Elon para resolver…). Veja, por exemplo, o exemplo dos gráficos acima. Desta vez, IDH e votos.

Eu tenderia a imaginar cenários nos quais a variação do IDH afeta a votação de um candidato. Entretanto, o que temos ali é o nível do IDH. Ok, pode ser que o IDH não varie tanto assim de 2009 para 2010, mas eu não estou pensando em um período de tempo tão curto.

Seria legal ver um exercício de algum aluno que pegasse o IDH para um período anterior, digamos, FHC ou da Silva e fizesse a variação do IDH e, depois, criasse as correlações com os votos do 1o turno. Taí. Este exercício valeria pontos extras (com script, dados fidedignos, planilha organizada, feito em R…). Desafio para quem fizesse isso na minha presença, em 30 minutos (e tem que se virar para achar os dados).

Aposto que outros blogueiros, claro, já fizeram este exercício. Ou estão fazendo. Ou seja, meu desafio pode não valer nada porque, como diz um veículo de comunicação: tudo pode mudar em 20 minutos

O preço da civilização são os impostos?

The tribute system, for all its injustice and cruelty, preserved something of the Arawaks’ old social arrangements: they retained their old leaders under control of the king’s viceroy, and royal directions to the viceroy might ultimately have worked some mitigation of their hardships. But the Spanish settlers of Española did not care for this centralized method of exploitation. They wanted a share of the land and its people, and when their demands were not met they revolted against the government of Columbus. In 1499 they forced him to abandon the system of obtaining tribute through the Arawak chieftains for a new one in which both land and people were turned over to individual Spaniards for exploitation as they saw fit. This was the beginning of the system of repartimientos or encomiendas later extended to other areas of Spanish occupation. With its inauguration, Columbus’ economic control of Española effectively ceased, and even his political authority was revoked later in the same year when the king appointed a new governor.

O restante do texto não entusiasma tanto, mas a descrição acima é um bom exemplo de como a criação de um sistema tributário está muito mais distante da visão romântica dos livros de Finanças Públicas e bem mais próxima da descrição dos escritos de Buchanan, Tullock ou Olson (Mancur Olson Jr.).

O preço da civilização só é igual à existência de tributos quando estes tributos não são vistos como uma forma inferior de exploração pelo governo. Foi só Colombo ficar um pouco mais poderoso e os colonos e a Coroa acabaram com sua festa. De quebra, acabaram com mais algumas vidas…

Pois é. Como entender a história econômica sem usar a teoria econômica e a compreensão do papel dos incentivos? Como fazer isso tudo sem hipóteses testáveis? Não tem jeito. Aliás, até tem, mas aí é questão de religião…

O último recurso e o brasileiro que inventou a máquina de fabricar água

Julian Simon chamava o “côco” de último recurso. Não, não me refiro ao côco do bem ou da água geladinha e sim ao cérebro. Pois é. Aí eu leio que um brasileiro inventou uma máquina que tranforma ar em água.

É de bater palmas, né? Pois é. Aí ele fala que boa parte dos componentes de sua máquina são importados (custos), a escala é pequena (“não tem linha de produção”) e a demanda aumentou. Já sabe para onde vai o preço de equilíbrio, não sabe? Para o alto (e avante). Basta brincar com as curvas de oferta e demanda que você aprendeu no curso.

Tivesse o governo feito o trabalho que lhe cabe de baratear a infra-estrutura e aumentar o grau de abertura da economia nestes últimos anos (vamos ser mais explícitos: nos últimos 12 anos), muito provavelmente (mesmo) o inventor conseguiria atender sua demanda a um custo menor.

No momento em que a água é um problema para o país não apenas por causa de um tempo seco, mas também porque uma conta de luz artificalmente barateada estimulou o consumo de energia elétrica e aumentou a demanda por uso de energia hidrelétrica, invenções como esta seriam uma ótima notícia.

Mas falta parar de demonizar o empreendedorismo nas escolas, olhar com seriedade para os problemas do chamado custo Brasil e também abrir mais a economia. Nada que passe perto da cabeça de gente que manda o povo comer ovo quando o preço sobe, eu sei, mas é o que eu esperaria…

IPCA – IBGE: eu teria mais cuidado antes de recomendar a “substituição” de carne por ovos…

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Na boa? Eu seria mais cuidadoso antes de recomendar a troca de carne por ovos. Olha aí o IPCA (IBGE, claro!). Variações mensais. Eu sei, eu sei, você vai me falar de dessazonalização e eu concordo…se você quiser analisar a inflação, não recomendar ovos para a tia Maricota porque ela não tem desconto “sazonal” na feira. Aliás, isso não facilita o argumento da equipe da Fazenda, né?

Eu até pensei em colocar o preço da paçoca aí, mas não achei (e minha esposa não recomenda a troca de carne por paçoca no almoço).

Mais Bolsa-Família e Votos…por Estados – Correlações e p-valores

Olhando para a correlação entre votos e bolsa-família para cada estado brasileiro (uma correlação de Pearson, só para dar uma olhada).

Olha, pode ser, claro, que existam variáveis omitidas e tudo o mais, mas é curioso como o caso da candidata governista se destaca dos demais. Bem, só para vocês verem os resultados (a correlação é o “tau.est”, a estatística de teste é “z”, o p-valor é o “pval” e o teste é bicaudal).

Marina Silva

Estado    z             pval                   tau.est            alt
1 AC -4.4491139 3.099254e-04 -0.723699989 two.sided
2 AL -2.7262562 7.887442e-03 -0.293243370 two.sided
3 AM -2.3292235 2.392808e-02 -0.312865167 two.sided
4 AP -1.7696941 1.021591e-01 -0.454938476 two.sided
5 BA -12.9155924 1.365660e-31 -0.563783334 two.sided
6 CE -8.7018683 2.150882e-15 -0.546302271 two.sided
7 ES -3.3150492 1.406227e-03 -0.355431923 two.sided
8 GO -5.3827358 1.860965e-07 -0.339772972 two.sided
9 MA -7.3461459 6.734349e-12 -0.479244534 two.sided
10 MG -15.3789517 6.979343e-47 -0.480003811 two.sided
11 MS -1.8014480 7.576165e-02 -0.206307697 two.sided
12 MT -0.7886029 4.318138e-01 -0.069806484 two.sided
13 PA -2.9638282 3.806089e-03 -0.285479761 two.sided
14 PB -7.3062152 6.679984e-12 -0.461734115 two.sided
15 PE -8.3135468 2.710302e-14 -0.535394835 two.sided
16 PI -3.5590672 4.729893e-04 -0.253144881 two.sided
17 PR -4.4079040 1.350252e-05 -0.217576896 two.sided
18 RJ -3.3451273 1.220468e-03 -0.339314276 two.sided
19 RN -5.6948006 6.196880e-08 -0.419335713 two.sided
20 RO -5.3354587 2.425570e-06 -0.606195987 two.sided
21 RR -2.4112029 3.284060e-02 -0.571286897 two.sided
22 RS 0.1141620 9.091565e-01 0.005178426 two.sided
23 SC -2.1679982 3.097770e-02 -0.126720652 two.sided
24 SE -4.6917343 1.255629e-05 -0.483883603 two.sided
25 SP -3.4271486 6.499277e-04 -0.135709199 two.sided
26 TO -4.6355931 8.820492e-06 -0.383003916 two.sided

Aécio Neves

Estado     z                 pval              tau.est      alt
1 AC 0.7912845 4.390810e-01 0.1833459 two.sided
2 AL -3.6129904 5.303607e-04 -0.3765704 two.sided
3 AM -3.4835671 1.038080e-03 -0.4419317 two.sided
4 AP -2.5847104 2.388958e-02 -0.5980190 two.sided
5 BA -6.4346748 3.972301e-10 -0.3219733 two.sided
6 CE -3.4009979 8.289671e-04 -0.2470161 two.sided
7 ES -4.6405569 1.422730e-05 -0.4698837 two.sided
8 GO -5.0430301 9.513113e-07 -0.3206000 two.sided
9 MA -8.7323740 1.633692e-15 -0.5444412 two.sided
10 MG -20.4178164 9.708190e-75 -0.5877274 two.sided
11 MS -3.4218534 1.022418e-03 -0.3717889 two.sided
12 MT -5.2209590 7.059956e-07 -0.4203643 two.sided
13 PA -4.8533619 4.530665e-06 -0.4384065 two.sided
14 PB -5.6666463 5.114201e-08 -0.3743719 two.sided
15 PE -2.8228729 5.320916e-03 -0.2104229 two.sided
16 PI -6.3820075 1.367721e-09 -0.4247786 two.sided
17 PR -9.2087089 2.037767e-18 -0.4221690 two.sided
18 RJ -1.5945248 1.144873e-01 -0.1694554 two.sided
19 RN -6.1878838 5.400395e-09 -0.4485742 two.sided
20 RO -2.7743780 7.805308e-03 -0.3684554 two.sided
21 RR -0.8607954 4.062215e-01 -0.2411564 two.sided
22 RS -16.0095603 1.226275e-46 -0.5876083 two.sided
23 SC -12.9975636 1.043927e-30 -0.6080425 two.sided
24 SE -3.6126487 5.575955e-04 -0.3917287 two.sided
25 SP -10.9702508 9.854043e-26 -0.4015562 two.sided
26 TO -5.8965083 3.242318e-08 -0.4664971 two.sided

Dilma Rousseff

Estado    z              pval                tau.est     alt
1 AC 3.836699 1.208408e-03 0.6707325 two.sided
2 AL 3.546011 6.610359e-04 0.3705557 two.sided
3 AM 4.065355 1.696383e-04 0.4984242 two.sided
4 AP 3.020456 1.065389e-02 0.6571933 two.sided
5 BA 13.007781 0.000000e+00 0.5665191 two.sided
6 CE 7.308599 8.774315e-12 0.4804385 two.sided
7 ES 8.104959 6.930900e-12 0.6808958 two.sided
8 GO 8.085466 3.996803e-14 0.4769587 two.sided
9 MA 10.909305 0.000000e+00 0.6298354 two.sided
10 MG 28.516473 0.000000e+00 0.7122024 two.sided
11 MS 4.966258 4.344176e-06 0.5025307 two.sided
12 MT 6.606409 9.763674e-10 0.5057305 two.sided
13 PA 7.019877 2.815330e-10 0.5764878 two.sided
14 PB 8.549719 3.552714e-15 0.5202252 two.sided
15 PE 8.605537 4.662937e-15 0.5486074 two.sided
16 PI 7.015881 4.177236e-11 0.4584245 two.sided
17 PR 10.801899 0.000000e+00 0.4794073 two.sided
18 RJ 4.767404 7.533819e-06 0.4572050 two.sided
19 RN 7.629096 2.407852e-12 0.5262032 two.sided
20 RO 5.232703 3.466584e-06 0.5987326 two.sided
21 RR 2.081985 5.941354e-02 0.5151368 two.sided
22 RS 15.977526 0.000000e+00 0.5868377 two.sided
23 SC 12.500017 0.000000e+00 0.5930573 two.sided
24 SE 7.553398 1.042568e-10 0.6649009 two.sided
25 SP 15.690953 0.000000e+00 0.5313000 two.sided
26 TO 8.513184 4.485301e-14 0.6058104 two.sided

A discussão sobre estes resultados fica para vocês. Ah sim, eu fiz em R. Usei as dicas do pessoal daqui. Ficou legal, né? Digo, não é só olhar a correlação, mas a significância da mesma. Aí as perguntas que o Cinelli deixou no ar ganham mais uma informação para o debate: a significância das correlações estimadas (clique na imagem para ampliar).

bonitinho

Obrigado, Cinelli, pelo código!

Momento R do Dia – Matriz de Correlações e Significância

Vou direto ao ponto.

library(Hmisc)
rcorr(as.matrix(corr), type="pearson") 
z<-rcorr(as.matrix(corr), type="pearson") 
print(z$P, digits = 5)
print(z$r, digits=4)

Claro, vocês já notaram que eu tenho um data frame chamado “corr” que li como uma matriz e calculei a correlação para ela. Os dois últimos comandos nos dão os p-valores das correlações (P) e as ditas cujas (r) com um número de dígitos mais civilizado (ou nem tanto).

É, estou fazendo estas brincadeiras por aqui.

Mais dicas? Bem, vejam isto.

Bolsa-Família e Votos em Alguns Estados…

Ainda brincando com os dados e pensando no segundo turno, resolvi dar uma olhada em alguns estados: SP, BA, PE e MG. Escolhi pensando no sucesso do PSDB em São Paulo na eleição para governador e presidente. Também pensei no sucesso do partido da presidente em MG para governador (e, acho, presidente). A BA e o PE são dois estados cuja votação não foi favorável ao candidato do PSDB no 1o turno, mas apresentaram padrão distinto (e eu diria que o falecido candidato do PSB tinha mais em comum com o candidato do PSDB do que com a candidata do partido do governo).

Enfim, apenas para fazer passar o tempo, mais um pouco de correlações. Novamente, estou somente repetindo a análise do Cinelli, apenas com uma curiosidade pela existência de aglomerações nos diagramas de dispersão. Seria bom ver as correlações (e sua significância), mas fica para outro dia. Talvez eu volte a pesquisar o tema com mais cuidado após as eleições e, aí sim, tratarei destes dados com mais calma.

Tem algo aí que valeria a pena estudar? Sim. Acho que os eternos estudiosos do federalismo fiscal deveriam olhar para estes gráficos com mais carinho do que de costume. Mas é só um palpite.

Imagino que um bom candidato tenha uma assessoria técnica que saiba, realmente, fazer marketing, analisando dados como estes. Como nunca vi, no Brasil, um profissional da área de marketing me convencer de que sabia estatística (e, mais ainda, valorizava o uso da ferramenta), permaneço olhando muito desconfiado para esta galera mas, claro, posso estar enganado.

Seguem os gráficos e palpites e comentários são bem-vindos.

aespdilmsp marinsp marinba dilba aeba marinpe dilpe aepe marinmg dilmmg aemg

Mais Bolsa-Família e Votos: o que nos mostram as correlações? (um debate sem fim)

Hoje, mais cedo, comecei a olhar para os dados do Bolsa-Família e Votos no 1o turno nos três candidatos (cortesia do Carlos Cinelli). Em seu ótimo post, ele concluiu:

(…) será que a correlação se mantém dentro de cada UF? Por exemplo, Aécio ganhou em SP, SC e MT. Nesses estados, também houve correlação negativa do BF para o candidato tucano?

Aparentemente, sim, conforme pode ser visto no gráfico abaixo. E a separação por estado também indica que a correlação do BF com votos para Marina foi negativa em grande parte das UF’s. Um estado que chama a atenção é Minas Gerais, em que estas relações se parecem bem acentuadas.

Resolvi olhar melhor a dispersão dos dados, mesmo sem dividir por estados. Entretanto, vou usar estes diagramas de dispersão que nos fornecem uma informação adicional que é a concentração de pontos na dispersão.

A seguir, os gráficos para Marina, Dilma e Aécio, respectivamente.

marinabfvotos

 

 

dilmabfvotosaeciobfvotos

Só eu suspeito que existe um padrão interessante no caso do diagrama de dispersão do candidato Aécio Neves e no de Rousseff? Parecem duas distribuições bimodais? No caso do Aécio Neves, parece mais ainda do que no caso de Rousseff? Dá esta impressão, mas falo apenas por um simples exercício de eyeballmetrics.

Mais interessante é que, no caso de Marina Silva, não parece haver qualquer conexão clara entre bolsa-família e votos, no agregado. O que será que estamos observando aí nestes gráficos? Palpites?

Bolsa-Família e Votos

Apenas brincando com os dados que o Cinelli disponibilizoubolsafam

Falei no livro de caras sobre o artigo que fiz com o prof. Nakabashi, o prof. Felipe e a doutoranda Ana (aceito para publicação na Análise Econômica sobre o papel do Bolsa-Família na eleição da presidente Rousseff, em 2010, e ele pode ser lido aqui).

Agora, com esta eleição, temos mais dados para estudar. Espero que mais gente se interesse em estudar o tema…

Outra dica R do dia

Este belo livro de introdução de R para o povo da epidemiologia tem uma virtude: ensina a trabalhar com os dados de forma simples. Como assim? Eu me refiro ao feijão com arroz mesmo: criar subconjuntos dos dados, tabelas, usar fatores (ao invés de dummies), etc. Coisa que nem sempre sabemos fazer bem porque ainda somos muito dependentes de planilhas (não apenas o Excel, mas qualquer uma).

Gostei e, claro, o autor, propositalmente, deixa o livro aberto para quem quiser.

Dica de R: dplyr

Acho que já dei esta dica antes, mas vou de novo: dplyr. Fico imaginando um curso de Métodos Quantitativos em R com alguns pacotes super-úteis…e fico me imaginando apenas rodeado de alunos com forte interesse no tema, discutindo como resolver um determinado problema usando, claro, o R.

Infelizmente, a realidade é que a maior parte dos alunos não quer ter o trabalho necessário para entender e resolver um problema e prefere o caminho mais fácil – aparentemente mais fácil, seria melhor… – de apertar uns botões e depois fazer uma encenação indigna do Oscar para mim, tentando fingir que entendeu e resolveu o problema.

Mas para os que estão fora desta armadilha da ignorância, fica a dica: é um belo pacote. Vou estudá-lo com calma assim que tiver condições melhores de trabalho.

A Abenomics está indo para o brejo?

Título propositalmente inflado, mas não de todo errado. A situação da economia japonesa não é tão boa quanto se esperava. Eis um dos últimos indicadores, a confiança do consumidor.

Não é exatamente o resultado que eu esperaria encontrar após meses e meses de políticas, digamos, expansionistas. Hoje, em alguns veículos de comunicação, li que há um certo temor do que o BoJ, novamente, tente uma política monetária ativa, expansionista.

Há quem esteja otimista, mas eu não sei não. Veja, por exemplo, o apanhado de notícias sobre a Abenomics no WSJ.

Os leitores deste blog sabem que comecei o ano mais disposto a acompanhar a economia japonesa mais de perto, mas a verdade é que tenho tido muito trabalho e pouco retorno sobre o tema de forma que meus comentários sobre o tema foram sendo reduzidos ao longo do ano. Meu otimismo, adicionalmente, também deu uma esfriada.

Voltarei ao tema um dia destes.