O papel do indivíduo e a diversidade da realidade frente aos planos governamentais

Entrevistado pela Nabuco, Antônio Risério tem uma resposta interessante a uma pergunta que, resumidamente, deseja saber do entrevistado se ele pensa que cidades planejadas por governos não estimulariam a população à passividade, no Brasil.

Diz ele (vou reproduzir trechos):

“Não acredito, a menos que a gente generalize isso para toda a humanidade. Em primeiro lugar, cidades ‘ideais’, cidades planejadas (…) pelo poder, existem no mundo inteiro (…), não é uma especificidade brasileira. Em segundo lugar, mesmo que fosse, eu não conseguiria nunca ter uma visão assim determinista. A esse respeito, sempre dou o exemplo do frevo: tínhamos bandas de músicas e capoeiristas no Rio de Janeiro e em Salvador, assim como no Recife. Mas por que só no Recife a capoeira e música se fundiram na configuração do frevo (…)? Sociologismo nenhum dá conta disso. Como sempre digo, condições sociais, econômicas, políticas e culturais não são por si mesmas suficientes (…). Em terceiro lugar, no caso das cidades citadas (Salvador, Rio, São Luís do Maranhão), o modelo estatal foi simplesmente abandonado, recusado até, pela população (…)”. [Nabuco, n.4, Maio/2015, p.42]

Ótimo, não? Bem, não sei nada sobre o frevo, mas o exemplo, supondo que o autor esteja correto, é interessante: os mesmos elementos básicos, em distintos territórios geográficos (será?) de um mesmo país dão origem a diferentes resultados. O leitor que me conhece sabe que já fico pensando em como instituições (micro-instituições, já que no mesmo país) e dotações geográficas poderiam nos ajudar a entender este problema, né?

Não dá mesmo para não pensar em história. Aliás, sobre isso, o mesmo autor é bem crítico. Digo, ele é bem crítico do que se faz na história brasileira, principalmente nas escolas. Para ele, a antiga história oficial foi substituída por outra, tão ruim quanto. Vou reproduzir, novamente, breves trechos:

“A velha história é a que cristalizou um discurso celebratório da colonização portuguesa. (…) Em seu lugar, impera hoje uma nova história oficial do Brasil – nova, mas igualmente oficial. (…) Tomou de assalto as salas de aula de colégios públicos e particulares, onde hoje professores se dedicam a contestar a idéia de um ‘descobrimento’ do Brasil, ao mesmo tempo em que capricham na retórica para denunciar um suposto ‘genocídio’ dos índios no Brasil, coisa que nunca aconteceu por aqui – as pessoas parecem se esquecer que guerras não são sinônimo de ‘genodício’, que significa extermínio étnico, coisa que a coroa portuguesa jamais aceitou nem praticou. (…) Para dizer de modo sintético, substituímos mentiras antigas por mentiras novas, tratando agora a história brasileira como um filme de bandido e mocinho que nada pode ter a ver com a complexidade do real histórico”. [idem, p.47-8]

Como se vê, estamos diante de alguém que não se curva a maniqueísmos. Parece-me que professores de História de colégio continuam praticando os mesmos erros do passado, o que é péssimo porque, ao chegarem à faculdade, os alunos têm um trabalho duplo. Afinal, não é só estudar o material que lhes passamos, mas também são obrigados a se livrarem dos preconceitos que aprenderam.

Parte disso é assim mesmo: nem todo professor de colégio faz um mestrado ou doutorado (ou um mestrado e um doutorado de qualidade, tanto faz, embora não exatamente). Mas poderiam pelo menos facilitar a vida dos colegas das universidades/faculdades que se esforçaram um pouco mais para entender a realidade antes de sair por aí falando sobre ela.

Para encerrar: este é um dos motivos pelos quais eu acho que você deveria assinar a Nabuco. ^_^

Numismática de Gibis

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Duas moedas comemorativas que vieram de brinde em alguma daquelas revistas de “Os Trapalhões” da Bloch Editores. Bons tempos (de inflação elevadíssima).

Graças à “Nova Matriz Econômica”, você, leitor, também terá a oportunidade de vivenciar a inflação dos anos 80. Afinal, quem disse que o dólar não iria chegar onde chegou foi o mesmo que nos prometeu que virar o manual de Economia de cabeça para baixo seria uma boa idéia.

Mas os Trapalhões são inesquecíveis. Pelo menos eles nos faziam rir. Hoje, os humoristas foram derrotados pelo mau humor, pelo politicamente correto e, com exceção de alguns, vários foram comprados com verbas públicas (que bem poderiam ser redirecionadas para creches, hospitais, universidades, segurança…).

O grau de abertura econômica: medida empírica

20150730_161537No Brasil da economia fechada (na fase pré-anos 90 e pré-Lula), as crianças tinham brinquedos e eram felizes.

Mas quando chegava algum japonês, com sua família, para trabalhar no Brasil, a gente ficava feliz porque ia brincar na casa dele e descobria, na própria pele (ainda que fôssemos crianças) os efeitos que uma economia fechada tem sobre sua vida: simplesmente os brinquedos deles eram muito mais legais.

Este aí é uma relíquia da infância. Eu e meu irmão já fizemos muitas batalhas com ele. Sequer sei o nome (supondo que seja baseado em algum anime) do robô. O charme é que suas peças são encaixadas por imãs e, assim, a gente podia desmontar e fazer aquela bagunça.

Pois é. Economia fechada é assim. Hoje, algumas pessoas entram em lojas de brinquedos e acham estranho que vários produtos sejam produzidos na China. Em nossa época, você tinha alguns brinquedos, mas quase nenhum importado.

Minha impressão é que havia menos diversidade naquela época para nós, crianças. Sem falar na inflação e em outros sub-produtos da política econômica heterodoxa da época, muito exaltada por alguns nos últimos anos. Os mesmos “alguns” que andam bem calados ultimamente…

A inflação…

Abaixo, um resgate da inflação em minha infância.

Foram publicados ao longo do período 1975-1976 (perceba que não eram publicações baratas, eram praticamente livros). Como não foram publicados com uma periodicidade fixa, não tenho uma base de comparação muito precisa, mas, de um ano para outro, o preço saiu de Cr$ 20,00 para Cr$ 35,00. Dá para ver o tamanho do golpe, né?20150730_162235

A relevância da ordem espontânea é muito maior do que você pode imaginar?

Art Diamond mostra, nesta citação de um outro comentário, que Hayek é mais atual do que nunca. O livro comentado, claro, é do Prêmio Nobel Alvin Roth e o trecho mais legal do comentário citado (que é do Alex Tabarrok) é este:

Mr. Roth’s approach contrasts with standard debates over free markets versus government regulation. We want markets to be thick, quick, timely and trustworthy, but without careful design markets can become thin, slow, ill-timed and dangerous for the honest. The solution to these problems is unlikely to be regulation legislated from on high. Instead what Mr. Roth practices is nuanced market design created mostly by market participants. Mr. Roth found, for example, that even though the problems in the market for gastroenterologists and law clerks looked the same (hiring started years before schooling ended), the solutions had to be subtly different because of differences in culture, history and norms.

Ou seja, meus amigos, como sempre digo (e Douglass North já frisou isto há algum tempo), o estudo das instituições, no século XXI, passa por uma abordagem muito mais sofisticada e rica que engloba uma necessária discussão sobre áreas na fronteira da nossa querida Ciência com as demais.

Repare que não se trata de uma simples dicotomia entre “estado malvadão versus empresários angelicais” ou mesmo entre “estado versus mercado”. A questão é muito mais rica e interessante porque o ponto central é a raiz da Ciência Econômica. É uma questão de incentivos. Afinal, diante da escassez, como alinhar os incentivos da melhor forma possível?

Poderíamos partir para uma “engenharia social”, mas Hayek já apontou, em seu Individualism and Economic Order, capítulo primeiro, vários problemas nesta abordagem. Talvez o caminho tomado por Roth tenha sido o de tentar verificar se Hayek estava certo nesta desconfiança. Ou então, incidentalmente, ele chegou neste ponto em sua pesquisa, vai saber.

De qualquer jeito, o que ele faz lembra muito o que Elinor Ostrom, nossa falecida Prêmio Nobel (que muitos economistas não conheciam e até lhe torciam o nariz porque, claro, ela não era economista…) ao tratar dos incentivos aplicados a problemas reais.

Ah sim, um ponto importante neste debate é o conceito hayekiano de ordem espontânea. Para sua sorte, existe um periódico (aberto) online somente sobre isto. Vá lá que as discussões por lá sejam um pouco estranhas de vez em quando, mas você não precisa gostar de todos os artigos escritos sobre um tema para fazer pesquisa, não é? Olha ele aqui: Studies in Emergent Order.

Curiosamente, o Brasil, que é um país tão rico em diversidades de tantos tipos, tem pouca gente interessada em estudos deste tipo. Faz-se muita panfletagem, discursos políticos, mas poucos estudos (caso você conheça algum que valha a pena divulgar, coloque aí nos comentários que eu analiso…ou divulgue em seu blog e me envie o link).

Finalmente, um breve vídeo do Douglass North falando sobre instituições informais – cuja ligação com o conceito de ordem espontânea me parece para lá de importante, não acha?

 

“Exposição”, estimação e uma observação sobre segurança no trânsito

Eis um problema interessante: sua base de dados – digamos, um painel – tem alguns elementos que sempre estão lá e outros que não aparecem com tanta frequência. Segundo Arthur Charpentier, este seria um caso bem comum em Ciências Atuariais.

Como lidar com isso? No caso específico, o autor tem que calcular contratos de seguro anuais com uma base de dados em que nem todos os indivíduos estão lá o ano todo. Bem, ele explica quais seriam as opções aqui, aqui e aqui.

Eu me pergunto se o problema que ele se defronta não aparece também em outros estudos. Por exemplo, tomemos a definição de exposure.

In actuarial science, and insurance ratemaking, taking into account the exposure can be a nightmare (in datasets, some clients have been here for a few years – we call that exposure – while others have been here for a few months, or weeks). Somehow, simple results because more complicated to compute just because we have to take into account the fact that exposure is an heterogeneous variable.

Será que, para vários dados de história econômica, não seria este um problema comum? Vejamos o que o autor nos diz, numa ilustração:

As explained many times on this blog (e.g. here), and in my notes, if we have to identical drivers, but one with an exposure of 6 months, and the other one of one year, it should be natural to assume that, on average, the second driver will have two times more accidents. This is the motivation to use a standard (homogeneous) Poisson process to model claim frequency. One can also see here legal issue, since, in case of a (partial) reinbursement of a premium, it would be done prorata temporis. The risk is proportional to the exposure.

Só eu estou vendo que, por exemplo, um estudo sério sobre o efeito Peltzman (exemplos sobre o efeito aqui e aqui) não deveria, ao menos, considerar esta diferente exposição ao risco (ou ao seguro) como um variável importante? Ou você também acha?

Fiquei curioso.

Um novo modelo de teoria da decisão?

Há quem ainda afirme – talvez não o faça se fizermos um anti-doping – que é possível ter uma nova teoria da decisão sem o uso da matemática (e, talvez, do português, do inglês, da inteligência, etc).

Bom, não é possível. Desculpe-me.

Dito isto, veja que sensacional a idéia deste artigo. Uma perspectiva menos técnica e bem intuitiva está aqui.

p.s. Eu diria que o povo de Nova Economia Institucional (no qual me incluo) não tem nada a perder com isto.

Bolsa-Família e eleição

Sei que é um tema polêmico. Leo Monasterio encontrou um texto para discussão que nos cita. Este é um tema que nos é caro porque, afinal, fomos pioneiros na literatura sobre o tema (eis o artigo).

A grande questão que ainda me assombra é a seguinte: será que em todas as eleições, programas de transferência de renda têm impacto político? Em outros artigos, eu e outros autores encontramos impacto do Bolsa-Família em votos (um artigo mais recente está no prelo para o segundo semestre de 2015…caso a revista não atrase), contrariamente ao que encontramos em nosso artigo original.

Há uma variedade de métodos econométricos sendo utilizados (regressões beta, econometria espacial, etc) e creio que esta literatura ainda necessita de mais trabalhos na área. Ei, eu já disse que é um bom tema para pesquisas?

A Moqueca

A  Moqueca

A moqueca pra ser boa
Há de ser de camarão;
Os temperos que ela leva
São pimenta com limão.

A moqueca pra ser boa
Há de levar bem dendê;
Nos beicinhos de iaiá
Há de queimar e doê.

Segundo Sílvio Romero, em Cantos Populares do Brasil, 1985, p.197 (editora Itatiaia), esta é A Moqueca, de autoria desconhecida, mas coletada lá pelo Sergipe.

Convenhamos, o autor até que soube transformar mil imagens em umas poucas palavras, não? ^_^

p.s. “doê”, no caso, é “doer”.

UPDATED – Momento R do Dia – Machado de Assis, FHC e Sette-Câmara

Confesso: desta vez eu não trabalhei no código original do autor, utilizado para gerar esta figura:

O que o autor fez? Ele viu, em um texto, a frequência das letras do alfabeto em palavras (onde, em uma palavra, a letra se localiza). Observando o código dele, vi que a ordem das letras é a mesma cá e acolá. Então, repliquei, realmente, de forma acrítica e não acho que o que vem a seguir tenha algum valor científico mais sério. O que me interessou mesmo foi o exercício, importando os dados direto do arquivo html. Assim, seguem os meus exercícios para estes dois links:

http://machado.mec.gov.br/images/stories/html/romance/marm01.htm

e

http://www.machadodeassis.ufsc.br/obras/romances/ROMANCE,%20Memorias%20Postumas%20de%20Bras%20Cubas,%201880.htm

machadao1 machadao2

Interessante?

UPDATE: Mais duas figuras. Uma do discurso de posse de FHC em 1995 e outra do Pedro Sette-Câmara na Nabuco, só para tirar uma dúvida sobre o algoritmo:

fhc_discurso

pedrosette

Curiosamente, a única letra que parece mudar um pouco de Machado de Assis para cá é a “W”. Não sei se é o algoritmo ou se há algo aqui. De qualquer forma, a brincadeira começou. ^_^

Dinesh D’Souza

Eu não gostei do título em português deste vídeo porque ele presume que o estudante é “desmascarado”. Acho que houve uma discussão bem honesta e o estudante perdeu. Simples assim.

Dito isto, Dinesh manda muito bem. Gostei. Muito melhor que os jovens libertários brasileiros. Por que? Há um debate. Não há tentativa de dizer que o estudante está errado porque “não leu o livro sagrado do Mises” (o argumento de que “você é burro porque leu Keynes e não abriu o baú mágico dos livros sagrados que só alguns leram” que pode ser interessante para arregimentar seguidores por implicação indireta e sutil, mas é muito desonesto). Não há, por parte do Dinesh, xingamentos.

A retórica é boa, mas não apenas em si. Dinesh leu e pesquisou. Não faz apenas bem a parte da retórica, mas você percebe que ele leu. De fato, isto é verdade (pesquise um pouco na Amazon sobre ele). No Brasil, só conheci um palestrante com capacidade similar mas ele, infelizmente, saiu do país e faz doutorado no Reino Unido agora.

p.s. O Leo Monasterio não curtiu o Dinesh D’Souza, mas sem mais referências que eu possa colocar aqui, não dá para comentar muito. Fica para o espaço dos comentários.

p.s.2. Os comentários do Leo realmente deixaram-me com um olhar menos otimista quanto à capacidade do Dinesh…

Como um cão, um gato, um rato e a burocracia portuguesa geraram uma inimizade eterna? Você vai se surpreeender.

A última frase do título é besta, porque não tem nada mais ridículo, na era do Facebook, do que esta suposta “surpresa” que alguém possa ter em vídeos ou notícias. Mas a história diz respeito a uma folclórica estória que se contava em Pernambuco. Coletada por Sílvio Romero em Cantos Populares do Brasil (editora Itatiaia, 1985, p.114-115), ela mostra bem como, no Brasil, um pedaço de papel pode ser mais importante do que a infomalidade das pessoas.

De certa forma, isso me faz pensar se nosso problema não é o tipo de instituições (sempre no sentido Northiano…) que temos, não apenas se simplesmente temos alguma mas, então, estou divagando sobre um mero conto popular. Ei-lo, comentado (entre parênteses):

A Alforria do Cachorro

No tempo em que o rei francês
Regia os seus naturais,
Houve uma guerra civil
Entre os burros e animais.
Neste tempo era o cachorro
Cativo por natureza;
Vivia sem liberdade
Na sua infeliz baixeza.
Chamava-se o dito senhor
Dom Fernando de Turquia;
E foi o tal cão passando
De vileza a fidalguia.

(Ok, aqui temos a formalização da ascenção social do cachorro. Não basta, no Brasil, o critério econômico, é necessário que alguma “autoridade” assine…mas tudo bem…sigamos)

E daí a poucos anos
Cresceu tanto em pundonor,
Que os cães o chamaram logo
De Castela Imperador.
Veio o herdeiro do tal
Dom Fernando de Turquia,
Veio a certos negócios
Na cidade da Bahia.
Chegou dentro da cidade,
Foi a casa de um tal gato;
E este o recebeu
Com muito grande aparato.
Fez entrega de uma carta.
E ele a recebeu;
Recolheu-se ao escritório,
Abriu a carta e leu.
E então dizia a carta:

“Ilustríssimo Senhor
Maurício – Violento – Sodré –
Ligeiro – Gonçalves – Cunha –
Sutil – Maior – Ponte-Pé.
Dou-lhe, amigo, agora a parte
De que me acho aumentado,
Que estou de governador
Nesta cidade aclamado.
Remeto-lhe esta patente
De governador lavrada;
Pela minha própria letra
Foi a dita confirmada”.
Ora o gato, na verdade,
Como bom procurador,
Na gaveta do telhado
Pegou na carta e guardou.

(Até aqui, apenas o de sempre: o governador vai ao cartório, leva a carta e o tabelião, como sempre, guarda-a em algum lugar)

O rato como malvado,
Assim que escureceu,
Foi à gaveta do gato,
Abriu a carta e leu.
Vendo que era a alforria
Do cachorro, por judeu,
Por ser de má consciência,
Pegou na carta e roeu.
Roeu-a de ponta à ponta,
E pô-la em mil pedacinhos,
E depois as suas tiras
Repartiu-as pelos ninhos.
O gato, por ocupado
Lá na sua Relação,
Não se lembrava da carta
Pela grande ocupação.
E depois se foi lembrando,
Foi caçá-la e não achou,
E por ser maravilhoso
Disto muito se importou.

………………………………..

(Não sei quanto a vocês, mas, “judeu”? Fiquei imaginando se isso não é uma alusão aos cristãos-novos, que mudaram de “status” com a conversão. De qualquer forma, esta compliacação que é fazer de um cartório o templo da legitimidade aumenta os custos de oportunidade do tabelião que se esquece da carta e, quando a toma em mãos, dá conta do problema. Segundo a interpretação de Sílvio Romero, este é um fragmento de um romance popular que explica a inimizade entre cães, gatos e ratos. Bem, ironicamente, podemos dizer que, até nisso, o Brasil é burocrático: a origem do ódio se dá por um problema legal criado…no cartório. Há algo de irônico nisto tudo, não?)

A alforria do gato e do rato…um posfácio ao texto

Estava procurando uma imagem de gatos, ratos e cães para colocar aqui e, claro pensei em Tom, Jerry e Spike. Bem, eu não sabia, mas o desenho, em plena Guerra Fria, foi produzido, por um tempo, do lado de lá da Cortina de Ferro (é a fase dos desenhos mais toscos da série…).

In 1960, MGM revived the Tom and Jerry franchise, and contacted European animation studio Rembrandt Films to produce thirteen Tom and Jerry shorts overseas.[10][11][12][13]All thirteen shorts were directed by Gene Deitch and produced by William L. Snyder in Prague, Czechoslovakia.[10][13] Štěpán Koníček, a student of Karel Ančerl and conductor of the Prague Film Symphony Orchestra, and Václav Lídl provided the musical score for the Deitch shorts, while Larz Bourne, Chris Jenkyns, and Eli Bauer wrote the cartoons. The majority of vocal effects and voices in Deitch’s films were provided by Allen Swift.[14]
Deitch states that, being an animator for the United Productions of America (UPA), he has always had a personal dislike of Tom and Jerry, citing them as the “primary bad example of senseless violence – humor based on pain – attack and revenge – to say nothing of the tasteless use of a headless black woman stereotype house servant.”[15] He nonetheless admired the “great timing, facial expressions, double takes, squash and stretch” that were present in the Hanna-Barbera Tom and Jerry cartoons.[16]
For the purposes of avoiding being linked to Communism, Deitch altered the names for his crew in the opening credits of the shorts (e.g., Štěpán Koníček became “Steven Konichek”, Václav Lídl became “Victor Little”).[15] These shorts are among the few Tom and Jerry cartoons not to carry the “Made In Hollywood, U.S.A.” phrase on the end title card.[15] Due to Deitch’s studio being behind the Iron Curtain, the production studio’s location is omitted entirely on it.[15] After the thirteen shorts were completed, Joe Vogel, the head of production, was fired from MGM. Vogel had approved of Deitch and his team’s work, but MGM decided not to renew their contract after Vogel was fired.[15] The final of the thirteen shorts, Carmen Get It!, was released on December 1, 1962.[11]

Não é incrível o que os mercados fazem? Derrubam até barreiras ideológicas…

Hayek e a economia chinesa

Eis um texto para discussão interessante. Ah sim, também acho legal pensar nos problemas de variáveis omitidas, instrumentos, etc. Mas, por enquanto, fique com o título e resumo do texto.

Hayek, Local Information, and the Decentralization of State-Owned Enterprises in China

Zhangkai Huang,Lixing Li, Guangrong Ma & Lixin Colin Xu
World Bank Policy Research Working Paper No. 7321
Abstract:
Hayek argues that local knowledge is a key for understanding whether production should be decentralized. This paper tests Hayek’s predictions by examining the causes of the Chinese government’s decision to decentralize state-owned enterprises. Since the government located closer to a state-owned enterprise has more information over that enterprise, a greater distance between the government and the enterprise should lead to a higher likelihood of decentralization. Moreover, where communication costs and the government’s uncertainty over an enterprise’s performance are greater, the government is more likely to decentralize enterprises so that it can better utilize local information. This paper finds empirical support for these implications.

Muito legal, não? Descentralização…instituições…ah…tem muita coisa legal aí.

Cidades Perdidas: Cláudio, sede de meu império universal

Como sabemos, há tempos não publicava uma cidade da série: “Cidades Perdidas” (pesquise no blog para ver as outras). Desta vez, vamos para Cláudio.

A cidade de Cláudio, como sabemos, é a capital do meu império. A Wikipedia, após se curvar ao meu poder, publicou a seguinte informação:

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Alguns homônimos meus ocupam cargos importantes em minha cidade. Mas vamos aos fatos. Muito se fala de Cláudio, mas pouco se conhece sobre a cidade. Por exemplo, o aeroporto – ainda inacabado – de Cláudio é este:

Nota-se que algumas lojas e alguns terminais ainda estão em construção. Após a demissão do Niemeyer, que havia criado um ponto fraco no aeroporto – que poderia colocar tudo a perder, por exemplo, no caso de um conflito armado – e com a contratação de um grupo de arquitetos que não desprezam a engenharia (e que também não são comunistas), a obra tem andado a passos largos.

O policiamento em Cláudio também não é ruim. Abaixo, nota-se a perfeita integração da tecnologia de fundições da cidade com o armamento da guarda metropolitana.

Não obstante os boatos, a rodoviária de Cláudio é bastante avançada, tendo já um espaçoporto instalado.

A cidade de Cláudio é muito acolhedora. Durante a primeira fase de meu reinado, incentivei a economia local e construí um complexo de lojas, um mall modernizado que pode ser visto no cartão postal da cidade abaixo.

Não é difícil entender porque todos na cidade me adoram.

Antes que eu me esqueça, consta que a origem do nome “Cláudio” é devida a um escravo – meu xará – que teria descoberto um ribeirão que ficou conhecido como “Ribeirão de Cláudio“. Veja abaixo como meu império faz bom aproveitamento do mesmo. Bom uso, não?

Enfim, a cidade tem um museu, na antiga estação de trem, cuja placa se encontra abaixo.

20150721_135846-001Claro que o museu tem peças raras da arte humana. Uma breve amostra encontra-se a seguir.

20150721_140323Como imperador desta humilde cidade, claro, pretendo expandir a parte cultural, ampliando o museu. Nossos planos para a reformulação da sede estão avançados. Veja, abaixo, uma maquete feita na França do que pretendemos fazer em uma escala de 10 x 1.

Nada mal, não? Esta maquete se encontra no meu gabinete na sede de minha prefeitura imperial.

Bem, esta é mais uma das cidades perdidas que poucos brasileiros conhecem, infelizmente. Uma cidade com um nome tão bonito não deveria ser esquecida assim. Meus súditos, em Cláudio, são muito hospitaleiros e são gente de boa estirpe. Não perca a chance de visitar a cidade.

O índice de “crony capitalism” da The Economist…

…agora está na Wikipedia. Só existe a amostra de 2014, mas você já pode trabalhar com os dados, se quiser. Note que a amostra é pequena e, portanto, não é possível ir muito longe nas conclusões. Vejamos um exemplo com uma das variáveis que fez sucesso aqui, semana passada: o gay happiness index.

ghi_crony

No caso, o que observamos é uma fraquíssima correlação negativa entre o bem-estar dos gays e o ranking do país no índice de capitalismo de compadrio (crony capitalism). Segundo o gráfico, quanto mais distante da origem está a medida de crony capitalism, mais embaixo no ranking desta varíavel o país está (o que, digamos, é “bom” para o país, supondo que a opção mutuamente excludente é um good capitalism).

Uma correlação negativa indicaria que um maior bem-estar dos gays ocorre em países com um capitalismo menos crony, embora não seja possível dizer nada sobre a causalidade destas variáveis. Mais ainda, esta correlação, como sabemos, pode ser falsa no sentido de que pode existir uma variável omitida (ou várias variáveis omitidas) importantes na explicação do fenômeno em questão.

Entretanto, eu diria que as teorias econômicas, em geral, dariam suporte para esta correlação. Afinal, um capitalismo mais livre significa que há menos discriminação de pessoas por critérios outros que não a eficiência econômica e não há qualquer motivo para alguém dizer que gays são menos eficientes (lembre-se de Alan Turing ou John M. Keynes, para citar apenas dois exemplos).

Bom, é isso. A inspiração não está lá muito alta hoje e fenômenos econômicos são por demais complexos para serem seriamente discutidos apenas em um pequeno texto como este. Mas fica a dica para você, (e)leitor(a): o índice de crony capitalism mereceria uma extensão. Um bom tema para um mestrado ou doutorado, claro.

Finalmente um artigo sério sobre Bitcoin

Nada de panfletagem ou pseudo-estudos para encantar platéias que não querem detalhes, mas apenas superficialidades (geralmente que lhes confirmem suas próprias crenças). Não mesmo. Trata-se do grande Benett McCallum, um dos melhores macroeconomistas vivos e está no último número do Cato Journal.

Recomendo? Óbvio.

Ah sim, no R existe um programa interessante para os que curtem o tema. Eis um gráfico gerado só para vocês.

Rbitcoin