A taxa de câmbio mais sem sal do mundo – continuação

Pobre Lucas.

poorlucas

Resolvi checar a cointegração entre duas taxas de câmbio pensando no meu amigo de nome hipotético (“Lucas”) que deseja vender reais, comprar dólares, e depois trocar por dólares canadenses.

Claro que uma uma forma de ver isto é checar se existe uma relação de longo prazo entre as duas taxas de câmbio. Iria ser o começo de uma lucrativa relação (imaginei eu, ingênuo que sou…) entre o hipotético Lucas e o consultor malvado (eu).

Entretanto, as séries não cointegraram. Há esperança? ^_^

Bem, a esperança, como sabemos, morre, mas é a última (e também pode ser condicionada a uma outra variável…) e há muitos problemas a serem tratados aí, mas não deixa de ser engraçado o resultado. Toda vez que tento ajudar meu amigo hipotético, algo inesperado acontece.

Eis as malvadas e o leitor que já nos acompanha notou que usei um outro pacote para o R, o egcm. Já falei dele antes aqui (procure nos posts antigos).

cambiobloglucas1 cambiobloglucas2

A taxa de câmbio mais sem sal do mundo

Qual é? Claro, a do dólar canadense em relação ao dólar dos EUA. Recentemente, um amigo, vamos chamá-lo de Lucas para preservá-lo, perguntou-me sobre o que eu achava desta série de tempo. Tive que lhe dizer: nunca vi mais gorda.

Mas eis que a curiosidade bateu. Por meio do R, consegui baixar dados diários (no limite de cinco anos) da taxa e fiz uns testes básicos para, claro, verificar que a série é, essencialmente, imprevisível (usei a escala logaritmica para fazer a rápida checagem do número de raízes unitárias…o leitor mais estudioso entenderá o porquê).

Eis os comandos.

library("forecast")
library("quantmod")
getFX("CAD/USD", from="2010-08-01")
par(mfrow=c(2,1))
plot(CADUSD)
ndiffs(log(CADUSD), test=c("kpss"))
plot(diff(log(CADUSD)))

Faça o exercício, leitor: replique isto em casa.

lucascambio

O teste de raiz unitária no logaritmo da série parece indicar que a mesma seja um passeio aletório em torno de uma tendência determinista (o drift foi fracamente significativo, em termos estatísticos).

O que será que Lucas deveria fazer diante disto? Comprar? Vender? Tem como prever a taxa de câmbio? Pergunte ao seu livro de Econometria, claro!

Claro, você pode se divertir mais pesquisando a relação entre estas duas moedas. Uma boa dica é brincar com os modelos básicos de séries univariadas como os modelos ARIMA. Outra, claro, é partir para estratégias multivariadas.

Uniões monetárias mudam a dinâmica da inflação de seus países-membros?

Os autores deste ótimo texto iniciam seu estudo assim:

Since the beginning of the European Union (EU), the topic of a common currency was a controversial issue. Although the Economic and Monetary Union (EMU) is now a fact, the discussion about the economic effects of the euro is far from being settled. The controversial topics range from the question of whether or not the eurozone is indeed an optimal currency area (as developed in Mundell 1961), all the way to the very survival of the euro in light of the budgetary problems of some of its member states. The effects of monetary unions on a number of macroeconomic indicators, with inflation being of increased importance, is at the center of an ongoing debate. This concerns the issue of short-run and steady-state inflation uncertainty – in relation to inflation expectations – as dealt with in Caporale and Kontonikas (2009), or the degree of similarity of short-run dynamic properties of the inflation rates in EU countries, which is the topic of the investigation by Palomba, Sarno, and Zazzaro (2009). Throughout the literature, there is still a considerable degree of uncertainty as to what extent the introduction of the euro, or monetary unions in general, affects the inflation rate.

Ótimo, não? Então, aparentemente, a dinâmica inflacionária pode mudar quando um país resolve fazer parte de uma união monetária. Obviamente, é uma questão empírica. Não tem jeito.

O resultado parece reforçar a evidência de que a união monetária gera um ganho social com a queda da inflação. Mas vale a pena dar uma lida no restante do artigo para entender melhor o que os autores encontraram.

Claudia Goldin: uma bela entrevista

The income effect and the substitution effect come from a set of preferences. If individual families have more income in a period when there are various constraints on women’s work, they’re going to purchase the leisure and consumption time of the women in the family, and the income effect will be higher. But if well-paying jobs with lower hours and better working conditions open up, then the income effect will decrease and the substitution effect will increase and both will serve to move women into the labor force.

Preciso dizer mais? Mulheres inteligentes não criam espantalhos (como dizer que a decomposição de Oaxaca-Blinder é “machista”). Elas fazem como Claudia Goldin.

Mais armas…menos crimes? Não necessariamente ou “novo artigo publicado”

Pery acaba de me dar a notícia: nosso artigo acaba de ser publicado. O tema?

Mais Armas, Menos Crimes? Uma Análise Econométrica para o Estado de Minas Gerais
Lucas de Lima Horta Abras, Ari Francisco de Araujo Junior, Cláudio Djissey Shikida, Pery Francisco Assis Shikida

Resumo

Este trabalho busca encontrar indícios de uma possível relação entre o número de armas de fogo em circulação e o número de crimes para o estado de Minas Gerais. Os dados foram extraídos do Datagerais e do Sistema de Informação sobre Mortalidade, e a metodologia proposta é de dados em painel. Os resultados encontrados indicam haver uma relação explicativa entre uma redução na difusão de armas e uma redução nos crimes violentos contra a pessoa e nos homicídios perpetrados com armas de fogo. Com relação aos crimes violentos contra o patrimônio, a relação encontrada foi oposta, em que menos armas estariam causando mais destes crimes. No que tange aos crimes de menor potencial ofensivo, os resultados encontrados foram não estatisticamente significativos para a difusão de armas, mostrando que esta não parece explicar variações daqueles.

Gostou? Tema quente, não?

Conhecimento não é compreensão

Uma dica do Ronald Hillbrecht que mostra que este papo de “eu sei a matéria” não é, mesmo, sinônimo de “eu entendi a matéria”. Não, não você não vai assistir um vídeo chato sobre sala de aula e professores. Prepare-se para entender o que é um viés de conhecimento e também prepare-se, principalmente, para entender porque um jovem que não estuda realmente joga fora uma época importante de sua vida pois será muito mais difícil aprender mais tarde.

Medalha, medalha, medalha: a economia dos determinantes do sucesso em jogos olímpicos

dastardly2Economia dos Esportes (Sportonomics) é uma área pouco conhecida no país do futebol (se bem que, há alguns anos, um livro chamado Soccernomics fez algum sucesso entre alguns amigos meus, creio).

Recentemente, Nolan & Stahler (2015) resolveram investigar o tema do desempenho dos países em jogos olímpicos. Não que isso seja uma novidade em economia, já que as Olimpíadas, como mega-evento, tem toda uma área de pesquisa dedicada a ela (o Felipe Garcia do PPGOM-UFPel pode dizer mais sobre isto do que eu). De qualquer forma, jogos olímpicos já têm dados tabulados desde a primeira metado do século XX, pelo menos.

Uma pergunta que se pode fazer é: será que os determinantes do sucesso de um país – em número de medalhas – tem sido o mesmo ao longo dos anos? Os autores postulam um modelo ad hoc para o que seria uma função de produção de sucesso em jogos olímpicos (cuja pista está aí embaixo).

medalhamedalha

Certamente há vários fatores que ajudam a determinar o sucesso do país no seu desempenho nestes jogos, mas Nolan & Stahler (2015) encontram que:

In line with other studies, we fi nd that determinants such as income, country size, status as a current host, and inclusion in the communist bloc have generally been historically signifi cant for both female and male success. But a clear narrative thread is also couched in the pluralization of Olympic competition throughout the postwar period. At the Winter Games, which are not drastically different from the 1960s in terms of their geographical makeup, success is still largely associated with being from a rich, large country with a snowy climate. In contrast, the Summer Games, where geographic pluralization has been much more comprehensive, exhibit more subtle determinants of success reflective of their diversity. Rather than per capita income, education is a much more robust positive determinant of medal winnings, and this appears to have been far more important for women than men. Moreover, we uncover evidence that the estimated coefficients for the Summer Games have changed over time—specifically even these robust correlates are waning in their influence and as this occurs, smaller, poorer, even possibly less educated countries face fewer barriers to achieving Olympic glory. [Nolan & Stahler (2015), p.5] (clique no trecho para ler todo o texto)

Em outras palavras, o capital humano é importante (e seu efeito é distinto para homens e mulheres), além do fato de que a combinação de fatores parece estar mudando ao longo dos anos, o que faz todo sentido se pensarmos nas mudanças tecnológicas pelos quais passaram todas as economias participantes destes jogos.

O artigo é um bom exemplo para se discutir em sala de aula em um curso de Econometria já que tem OLS, Tobit (com efeitos fixos e aleatórios), regressão binomial negativa e, claro, esportes. Claro, tem que ter aluno interessado em estudar os modelos analisados e, sim, seria legal se os dados estivessem publicamente disponíveis, mas aí já estamos viajando na batatinha pois nem sempre os dados estão dando sopa por aí…

p.s. Sim, uma coisa legal seria ver os determinantes do desempenho individual, mas aí seria mais trabalhoso porque cada modalidade esportiva exige qualificações distintas. Obviamente, gente que entende instruções básicas e instrutores estudiosos e atualizados nas tendências científicas da área (ambos traduzem-se em…capital humano!) ajuda.

Alguns pequenos textos no outro blog

Lá no meu projeto “Nepom”, dois recentes posts que esclarecem aos alunos o lado divertido da economia (se é que algum há): o relatório do FMI e o artigo clássico do Ray Fair, o mesmo do super modelo macroeconométrico da era das equações simultâneas…

Quem veio primeiro: o orientador ou orientando?

Boa pergunta. É similar àquela de quem veio primeiro: o ovo ou a galinha que eu, Erik e Ari estudamos, para o Brasil, aqui. Ah sim, alguém fez um exercício mais completo (usarei, um dia destes, em minhas aulas, reproduzindo o clássico, aqui).

Agora, claro, vai lá buscar a base de dados de orientadores e orientandos para a gente se divertir. ^_^

Inflação e crescimento econômico: o quão ruim é a relação?

Reexamining the link between instability and growth in Latin America: A dynamic panel data estimation using k-median clusters

Cecilia Bermudez, Carlos Dabus, Germán Héctor González

Cuadernos de Economia – Latin American Journal of Economics 05/2015; 52(1):1-23.

ABSTRACT We estimate a dynamic panel data model to assess the relationship between different levels of instability—proxied by growth volatility and inflation— and growth in Latin America from 1960 to 2011. Outlying observations could be mistakenly treated as thresholds or regime switch. Hence we use k-median clustering to mitigate the outlier problem and properly identify “scenarios” of instability. Our key findings are that while high inflation is harmful, low inflation is in fact positively related to growth. Volatility is also found to be significant and negative, but with no differential effect— between low and high levels—on growth.

Note o final do artigo: inflação baixa com crescimento econômico. A despeito de ser estranho, caso o achado seja robusto a diferentes métodos de investigação, ele nos fornece uma explicação simples para o caso de amor de alguns pterodoxos com a inflação: eles acham que um pouco de febre é sempre bom para o doente. Quer dizer, eles acham que um pouco de inflação é sempre bom para a economia.

O quão ruim é? Confira na tabela 3 do artigo deles para uma idéia inicial, antes das estimações do artigo.

acoisatafeia

O artigo não é tão grande assim, mas a parte econométrica vai assustar os alunos menos familiarizados com o tema. Nada que um pouco de paciência e persistência não resolvam, claro.

Ciência e resultados que podem ser reproduzidos ou “civilização vs barbárie”

Sua empresa quer saber o que afeta a demanda pelo produto. Aí ela contrata um consultor que pega os dados e entrega um resultado que não consegue ser replicado usando todos os passos que o próprio consultor lhe fornece no relatório final.

Chato? Totalmente.

Seu aluno diz que fez uma regressão e achou um resultado interessante, mas não quer mostrar a base de dados. Aí você descobre que ela nunca existiu.

Chato? Totalmente.

Seu conhecido leu um artigo com implicações políticas importantes e pesquisadores tentam replicar o resultado usando os dados originais e descobrem que os dados originais não eram o que os autores do artigo disseram ser.

Chato? Totalmente.

Muita gente não aprecia e/ou não entende a importância de se fazer pesquisas que sejam reproduzíveis. Há alunos que me olham com uma cara de sono ou indiferença. Eles pensam que o problema é só “acadêmico” (aliás, o cara que mais separa a pesquisa acadêmica do mundo real é o aluno que não quer estudar. O segundo cara é o picareta que não quer concorrência de alto nível e inventa esta separação para proteger sua fatia de mercado…).

Os exemplos acima mostram que o problema é muito mais sério. A cultura de “feudalização” de bases de dados não sobrevive ao teste da academia. No longo prazo, a reprodução dos resultados é inevitável. Há tempos que bons journals norte-americanos exigem que a base de dados seja entregue junto com o artigo submetido. Faz todo sentido, não?

Colonização e História Econômica

A colonização se paga?

Colonial adventures in tropical agriculture: new estimates of returns to investment in the Netherlands Indies, 1919–1938

Frans Buelens and Ewout Frankema
Abstract
How profitable were foreign investments in plantation agriculture in the Netherlands Indies during the late colonial era? We use a new dataset of monthly quoted stock prices and dividends of international companies at the Brussels stock exchange to estimate the returns to investment in tropical agriculture (1919–1938). We adopt the Dimson–March–Staunton method to compute real geometric annual average rates of return and assess our estimates in an international comparative perspective. We find that returns to colonial FDI in the Netherlands Indies during 1919–1928 were impressive (14.3 %), being almost 3 percentage points higher than the world average. In the following decade 1929–1938 fortunes reversed, with a rate of return of −2.8 % compared to a world average of 2.2 %. Over the entire period the returns to colonial FDI (5.4 % in 1919–1938) were about a factor 2.5 higher than returns to investment in the Dutch domestic economy (2.1 % in 1920–1939). We argue that these returns should be interpreted in a colonial context of systematic labour repression, but that they may also partly reflect a higher risk-premium of investments in colonial commodities.

História econômica é legal, né?

Conspirações derrubadas: o caso dos malvados bancos que comandam a política de juros

Vitor Wilher faz outro exercício interessante, aqui. Note que ele faz uma aplicação criativa de uma regressão que só contém o intercepto como variável exógena (algo bem exemplificado aqui).

Mais uma dica sobre gráficos

Todo mundo adora o Wickham. A admiração não é gratuita: ele é um dos maiores especialistas em visualização de informações (que eu já vi? Do mundo?).

Eu já dei outras dicas de como (não) se deve fazer gráficos por aqui, neste blog (use a caixa de busca aí no alto). Acho que esta é mais uma (e uma boa dica). Especial atenção à teoria da abóbora que ele usa em sua explicação. O curso completo está aqui.

Momento R do Dia – organizando dados

Um dos méritos do R é a facilidade em analisar bases de dados. Na prática (não na vida boa da sala de aula, na qual o professor geralmente te dá uma base de dados razoavelmente arrumada), as bases de dados nos chegam de uma forma bem bagunçada.

O exemplo de hoje usa o pacote plyr e o comando ddply. Baseado nestes ótimos exemplos, resolvi fazer uma aplicação com os dados do relatório de transparência do Google (ver post anterior).

Para você ter uma idéia da base, eis uma rápida visualização da mesma.

google_transp

Repare que a mesma está ordenada por países (embora isso não faça a menor diferença para o que farei a seguir). Outra coisa: os dados são semestrais, por isso os dados são sempre em junho ou dezembro. Nosso exemplo usará apenas a variável “Court Orders”, calculando estatísticas básicas para a mesma, por países e anos.

Eis as duas linhas de comando (uma para invocar o pacote e outra para fazer o que estamos nos propondo).

library(plyr)
ddply(dados, c("Period.Ending", "Country"), summarize, 
      N=sum(!is.na(Court.Orders)),
      mean=mean(Court.Orders,na.rm=TRUE),
      sd=sd(Court.Orders,na.rm=TRUE),
      se=sd/sqrt(N))

Bastante sintético, não? Veja o resultado no corte da tela de resultados abaixo.

google_transp2

Legal, não? Na próxima versão da minha apostila (iniciada há algum tempo para um seminário no PPGOM-UFPel, agora com mais co-autores) incluirei um pouco mais de “argamassa” na parte de organização dos dados.

Liberdade de imprensa…

Lembra deste texto? O que mudou desde então, nos itens dos últimos parágrafos, aqueles que falam do Google? Primeiro, a maneira como eles divulgam o relatório mudou. Em segundo lugar, nosso governo continua muito ocupado reclamando do conteúdo publicado sobre ele mesmo ao invés de cuidando da inflação, crimes, etc.

Arrisco quase a dizer que há uma tendência – extremamente preocupante – crescente nos dados, a despeito do pico no final de 2012. Será? Bem, há várias organizações que se dizem “liberais” (ou “libertárias”) no Brasil. Eles devem ter gente qualificada para uma análise mais fundamentada dos dados. Fica a dica.

censura_governoUPDATE: A tendência não é clara, mas eis os dados anuais para o Brasil:

liberdadedeimprensa2

Em termos mundiais, as médias do país estão mais ou menos assim:

liberdadedeimprensa1

Repare que “court_orders” e “exec_police_etc” são os itens considerados pelo Google ao fazer os gráficos que apresentam em no link da imagem inicial deste post. Infelizmente, eles só têm dados semestrais, o que limita bastante o escopo da análise.

De qualquer forma, vale a pena trabalhar mais nestes dados, não?

O multiplicador fiscal keynesiano no Brasil é de…

…0.5 ou menos. Eis o trecho:

We find historical fiscal multipliers for Brazil around 0.5, larger than what existing literature typically identifies for the average emerging market. However, spending and public credit multipliers seem to have dropped to near zero since the global financial crisis, as the estimate for the whole sample period (1999−2014) is about ½ of that for pre-crisis years. By contrast, revenue multipliers have remained broadly stable. We conclude that fiscal consolidations based on expenditure and public credit retrenchment are likely to entail a modest drag on growth in the near term.

Na literatura, para os EUA, há o artigo da Valerie Ramey (Ramey, Valerie A. 2011. “Can Government Purchases Stimulate the Economy?” Journal of Economic Literature, 49(3): 673-85) em que encontramos:

This essay briefly reviews the state of knowledge about the government spending multiplier. Drawing on theoretical work, aggregate empirical estimates from the United States, as well as cross-locality estimates, I assess the likely range of multiplier values for the experiment most relevant to the stimulus package debate: a temporary, deficit-financed increase in government purchases. I conclude that the multiplier for this type of spending is probably between 0.8 and 1.5.

Ou seja, nossa tão festejada política fiscal espansionista anda bem menos eficaz do que pensávamos. Até nosso parceiro comercial que, supostamente, está em crise (não é o que parece, ultimamente…) está melhor do que a gente e olha que o multiplicador é baixo. Afinal, o que você aprendeu no livro-texto é que o multiplicador é maior do que 1 (um).

Ficou mais interessante agora, né?

Tudo o que você queria saber sobre o AIC mas nunca te contaram

Prof. Akaike, falecido em 2009.

Rob Hyndman, autor de um ótimo livro de previsão (e de um dos melhores pacotes para R, em termos de séries de tempo univariadas), tem dez fatos sobre o AIC que geralmente a gente nunca sabe. Gosto, principalmente, do último:

The AIC is not a con­sis­tent model selec­tion method. That does not bother me as I don’t believe there is a true model to be selected. The AIC is opti­mal (in some senses) for fore­cast­ing, and that is much more impor­tant in my opinion.

Não sei se eu acho que previsão é mais importante sempre, mas, sim, não devemos nos prender à fantasia de que existe um modelo verdadeiro. Diversos alunos olham para mim como se eu fosse um vendedor de falsos remédios porque eu digo que modelagem econométrica é difícil. Alguns são preguiçosos mas, outros, claro, acham que eu sou idiota e que um dia encontrarão um professor que lhes mostrará a pedra filosofal.

Eles não fazem idéia do quanto estão errados. Eu sei disso, você, creio, também, e mais um monte de gente também. Mas vai falar isso para o aluno que não quer acreditar na inexistência do modelo ‘verdadeiro’…

Só o amor incondicional salva ou “Love is all we need”

Muita gente se queixa da falta de amor na teoria econômica. Não mais. Neste texto para discussão de Bhatt, Ogaki & Yaguchi (2014), temos, finalmente, o amor. Eis o básico do modelo.

love_is_all_we_need

A primeira equação é a restrição (tempo gasto em trabalho (L) mais o restante do tempo gasto em atividades altruístas (R1…RN)) totaliza, por normalização, a unidade. Em seguida, a função de utilidade diz respeito ao bem-estar derivado do próprio consumo e ao derivado do consumo dos outros.

Mas o melhor é a definição, não é? Ah sim, da conclusão temos:

In behavioral economics, there are some important difficulties with this ethical evaluation system, because preferences change endogenouslyin most models. There are many possible preferences for each individual in these models, and some preferences may be viewed as ethically better than others. This causes difficulties in taking welfare as the highest value. This paper proposed to use a different ethical evaluation system in which unconditional love is taken as the highest value. [p.36]

Teoria econômica é bacana, né? Ah sim, tem lá uma discussão sobre aquela coisa engraçada, o tal paternalismo libertário do Susstein.