Grupos de estudantes analisando conjutura econômica

Um ex-membro do GECE (que foi inspirado no Nepom) acaba de ajudar a criar o SAMA…lá em Estocolmo.

Muito legal, não acham? A página deles está aqui. Ah sim, o ex-membro do GECE é o Ricardo Lima (como se você já não soubesse…).

A ética islâmica do subdesenvolvimentismo

Citando Timur Kuran em seu livro, Caplan nos dá uma ótima pista sobre o porquê de alguns países terem uma pedra adicional amarrada a seus pés, tornando-os eternos emergentes que nunca emergem. Assim, governos islâmicos seguem ao pé da letra a religião e proíbem a cobrança de juros. Por que?

The objective is not simply to make Islamic banking more accessible. It is to make all banking Islamic. Certain campaigns against conventional banking have succeeded in making ‘interest-laden’ banking illegal. In Pakistan all banks were ordered in 1979 to purge interest from their operations within five years, and in 1992 the Sharia court removed various critical exemptions. Interest prohibitions have gone into effect also in Iran and the Sudan. [Caplan, B. (2007). The Myth of the Rational Voter, p.33]

Perguntas que me ocorrem: suponha que os refugiados sírios que vieram ao Brasil recentemente não sejam predominantemente católicos. Como eles enxergam a questão dos juros? Como conciliarão sua oposição à cobrança de juros com a prática brasileira?

Interessante pensar nesta questão. Nós, cristão, também já tivemos este pensamento errado sobre juros. Errado, sim, do ponto de vista científico mas não necessariamente do ponto de vista religioso porque uma religião pode pregar o que quiser sem checar fatos empíricos (é questão de fé apenas).

Economia de mercado e você

Esqueça o “Tradutores de Direita”. O rótulo “Direita” não significa nada aqui porque a tradução não foi alterada ou adaptada. Dito isto, para quem chega na faculdade acreditando em mitos criados por vídeos superficiais, este é um vídeo que serve como bom contraponto.

Obviamente, sabemos que há vários detalhes importantes que podem qualificar um ou outro ponto exposto no vídeo. Entretanto, a boa didática nos diz que primeiro devemos aprender o básico e, depois, em um curso intermediário (ou avançado), seguimos adiante.

Soa estranho para você? Não deveria. Ou você que, por exemplo, engenheiros aprendem sobre ondas gravitacionais antes de aprender as leis newtonianas da Física? Ou, digamos, os estudantes de medicina aprendem sobre exceções às regras antes da  regras?

Portanto, ligue seu áudio e divirta-se com este ótimo vídeo.

O que um pouco de evidência empírica nos diz? Um exemplo de bom artigo sobre economia brasileira

Você não precisa ter o modelo mais “perfeito” (se isso for cientificamente possível…) para analisar a realidade. Muitos alunos ficam apavorados quando têm que estudar Econometria (com “E” maiúsculo) e, dos que avançam, alguns entram em um conundrum filosófico sobre a aplicabilidade dos modelos, imaginando que devem explicar o mundo inteiro no mesmo (o que destrói a própria noção de modelo, em termos científicos).

Hoje, a Zeina Latif, economista que trabalha no setor privado, tem um artigo simples – no sentido de didático – e interessante sobre os problemas fiscais que o governo parece não querer resolver (que não consegue, já sabemos). Chamou-me a atenção, para fins deste blog, estes trechos:

Neste artigo, apresento um modelo simplificado desenvolvido por Tatiana Pinheiro que busca estimar o efeito do impulso fiscal do governo federal sobre a demanda privada. Ficam de fora, portanto, o impulso de entes subnacionais e a política para-fiscal, por falta de dados suficientes. Trata-se de um modelo econométrico (VAR) que associada a variação da demanda privada ao impulso fiscal (superávit primário estrutural), taxa real de juros (ex-ante), taxa real efetiva de câmbio e atividade econômica global.
O modelo foi estimado para vários intervalos temporais, estendendo-se o final da amostra a cada etapa, com o intuito de observar a evolução do coeficiente que mede o poder do impulso fiscal para estimular a demanda. O período compreendido foi de 2000 a 2015 (3º trimestre).
O exercício revelou que a política fiscal afeta a demanda privada num intervalo de 3 a 6 trimestres, o que significa que o grosso da política fiscal em um determinado ano afeta a economia apenas no ano seguinte. O principal resultado é que a política fiscal perdeu a eficácia a cada ano (coeficiente em queda), com maior redução a partir de 2014, sendo nula para o período 2000-15. Os resultados indicam que a política fiscal pode ter se tornado contraproducente a partir de 2014. Assim, os excessos fiscais de 2013 e 2014 ajudam a explicar o quadro recessivo iniciado em 2014 e seriamente agravado em 2015.

 

Reparou? O modelo tem limitações (como qualquer modelo), brevemente citadas logo no início do artigo no Estadão (um dos poucos jornais que publica artigos de bom nível para aqueles que estudaram Economia com afinco, a despeito de faculdades ou professores). Em seguida, discute-se o resultado do VAR (vetor(es) autorregressivo(s), que não deve se confundido com VaR, Value at Risk, de Finanças).

O VAR já apareceu neste blog várias vezes. Vez por outra, o Vitor Wilher implementava um exercício simples em seu blog antes de iniciar seu empreendimento ensinando a linguagem R (quantas vezes você viu, aqui, os “Momento R do Dia” e “Dica R do Dia”?). Não é um modelo complicado de se entender, muito menos de se estimar. O que é preciso, claro, é que você saiba o que está fazendo. Isto implica que saiba onde quer chegar.

No trecho acima, a citada Tatiana quer chegar em uma resposta à pergunta: “a eficácia da política fiscal mudou o longo do tempo”? Para tanto, resolveu usar um VAR ao invés de jogos retóricos que poderiam começar dizendo que nem tudo na vida é quantificável – agradando aos que têm dificuldades com Matemática e, adicionalmente, são preguiçosos – e seguir adiante.

Também evitou usar modelos tecnologicamente defasadas para o problema em questão. Em outras palavras, uma regressão múltipla não basta e, portanto, o papo de que hoje em dia os economistas jovens só pensam em Estatística, esquecendo-se de ler os clássicos, não é um papo com o qual eu e o leitor devamos investir tempo. Claro que, digamos, na história da matemática, seria bizarro se um hipotético movimento de adoradores dos números reais tentasse criticar os matemáticos que usam números reais e imaginários, não é? O mesmo ocorre aqui.

Ainda que seja uma aplicação simples e, como sempre, criticável, há aí um modelo feito com uma tecnologia econometricamente difundida e compreendida por qualquer economista que atue no setor privado ou público.

Finalmente, sobre as conclusões, a triste realidade se impõe. A celebrada – por alguns – política fiscal perdeu eficácia. Não é que não seja importante, teoricamente falando, mas, dadas as escolhas de política econômica, transformou-se em algo quase inócuo para o que desejamos (maior bem-estar para a sociedade), senão contraproducente. Não precisa, claro, demonizar a política fiscal, diz o artigo. O ponto é torná-la novamente eficaz. Bem, isso vai dar trabalho.

Não é um artigo interessante? No final, o leigo entende o que acontece sem precisar fazer um curso de Econometria. Claro, caso queira saber mais, basta procurar bons cursos. Gosto de ler artigos para leigos do calibre deste da Zeina (com Tatiana). Educam e disseminam boas práticas científicas.

 

R em cursos introdutórios de Econometria

Agora não tem mesmo mais desculpa. Só sua preguiça vai impedí-lo de seguir em frente: livro do R gratuito na rede, especificamente para Econometria (ou numa versão barata, na Amazon).

O livro é específico para quem usa aquele livro introdutório do Wooldridge. Eu, particularmente, não gosto muito dele, mas sei que é uma referência importante. Talvez este lançamento me faça mudar de opinião sobre o livro. ^_^

Sumô como indicador econômico

Dica do Cristiano Costa, esta pequena matéria jornalística fala de uma idéia legal de um economista japonês: usar o número de anunciantes na temporada como um indicador de atividade econômica.

Você, que curte Ciências Econômicas e gosta de dados (não tem como separar as duas), preste atenção: é isto uma das características que procuramos em alunos. Ter a capacidade de pensar em indicadores econômicos diferentes. Há uns tempos atrás, um ex-aluno, lá no falecido NEPOM, teve a idéia de usar o Google Trends. Deu no que deu.

p.s. um vídeo no Yahoo Finance sobre o economista e seu indicador não usual está aqui.

Possíveis legendas para esta foto

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  1. Bons professores de Economia sempre terão emprego.
  2. Como ele comprará o spray para pichar bancas de jornais sem dinheiro?
  3. Isto prova que ladrões de dinheiro (políticos ou de rua) não são racionais.
  4. Sério, de onde veio a grana para comprar o spray?
  5. Isto explica o desempenho do Brasil no exame PISA, sempre abaixo da média.
  6. Não beba o mesmo que ele se quiser se dar bem em provas de faculdade, concursos, etc.
  7. A utilidade marginal do dinheiro é zero? [esta é só para economistas]

Sugira a sua legenda para esta foto nos comentários. ^_^

Dica “off-topic”: marcador de livros

A gente começa a preparar aulas usando vários livros e tudo parece virar um caos porque você não quer se esquecer do ponto exato da leitura neste ou naquele livro. O que fazer?

Claro, usar um marcador de livros. Mas qual? Bem, vi uma sugestão de um interessante aqui mas achei um vídeo que ensina a fazê-lo e, cá para nós, achei mais fácil do que as explicações do esforçado autor do post citado. Segue a dica.

p.s. Lembre-se de ter em mãos uma folha quadrada antes de começar a fazer o seu. ^_^

p.s.2. O macete para o marcador “não cair” é você ajuntar um certo volume de páginas que não destrua o marcador e nem seja tão pouco que o marcador escorregará sozinho. Bem, ao menos esta habilidade você tem que desenvolver sozinho ^_^

Pedro em Vanderbilt

Leia a entrevista toda clicando no trecho abaixo que, aliás, é uma bela inspiração para quem está começando em Economia.

1. What attracted you to economics?
Without a doubt, it was the set of tools that economics provides to tackle different problems. Unlike in other fields, economists are not constrained to study a particular type of question, or to do “the same thing” over and over. Instead, by combining economic theory with the set of mathematical, statistical, and computational tools that economics provides, you are able to extract from the data useful information about a wide range of topics. The fact that these tools can be applied not only to guide public policy, but also to learn about everyday human behavior, keeps fascinating me.

Por que a história econômica é importante para se entender nossos problemas atuais?

A dica é esta. Alguns trechos.

Is a budget deficit really so bad? Plenty of governments run deficits at times, and cover the shortfall by borrowing against future budget surpluses. Brazil does not face an imminent debt crisis. Yet the bond market has turned sour on them.  Why? The answer is history.  Over the last century Brazil repeatedly failed to honor its debt.  Instead of consistent fiscal discipline, it ran up deficits, using high inflation and default to avoid paying back what it owed. No wonder deficits set off alarm bells in Brazil.

(…)

The bond market is not the problem.  The market’s repricing of default risk is merely a symptom. The illness is the weak commitment to fiscally sound policies that avoid high inflation, and a questionable commitment to honor the debt. The problem is political, not economic.

Leia o texto todo!

Banco Central na encruzilhada

Tudo o que a sociedade não precisava era que Tombini – de má fé ou não, não importa – falasse das previsões do FMI. Bem, a situação não está bonita, não sabemos se há dominância fiscal (caso haja, pior) e as políticas governamentais geraram um cenário de estagflação. Bem, até ontem minha leitura era a seguinte: caso o BC não tenha autonomia, ele segura a SELIC.  Caso ele tenha, ou ele segura ou ele aumenta um pouco (“pouco” porque há a recessão).

A política econômica criada em 1994, que nos deu estabilidade de preços e diminuiu desigualdades, ou está morta (eu diria mais: assassinada), ou está em coma profundo. Uma pena. Volto assim que meu humor melhorar (e quando tiver mais condições de publicar).